Thursday, January 25, 2007

Um dia diferente...

23 Janeiro

Jambo de novo, minha gente!
Bom, hoje não estive presente no Fórum, pois dado que estou trabalhando com Ugo e Antonio, fomos convidados pelo superior regional do Kenya, padre Franco Cellana (também ele italiano), para participar em duas cerimónias. A primeira teve lugar num bairro-de-lata chamado Soweto, zona em que se situa a paróquia de Kahawa. A primeira paragem foi esta mesma paróquia, onde padre Cellana foi pároco em anos passados. De caminho, parámos numa ona de vastas plantações de café. Chegados à paróquia, tomámos um bom café com o pároco actual, um nosso missionário ugandês e vimos as instalações da paróquia. Gostei sobretudo de ver o centro de apoio social, que ajuda os locais na área da saúde, e uma pequena sala de computadores, onde os estudantes podem ter acesso à net e aos programas de texto, de modo a melhorarem os seus estudos. Dali fomos então para o bairro de Soweto; pequeno e mais arrumado que o de Kibera, mas sempre com condições de vida miseráveis. Porém, a razão pela qual visitámos este bairro é prova de que as coisas estão melhorando, graças ao apoio do governo italiano, mas este melhoramento é também devido à participção activa da população. Antes do início das cerimónias protocolares, demos uma volta ao bairro, incluindo a creche local, a qual acolhe várias dezenas de crianças. Como sempre, estas eram lindíssimas, sempre alegres e sorridentes...
Ora, porque fomos então a este bairro? O governo italiano, em colaboração com a agência UN-Habitat (ramo das Nações Unidas que se empenha no âmbito da construcção de casas em zonas carenciadas), estão realizando projectos de melhoramento das zonas carenciadas e foi neste bairro que o projecto-piloto teve início. Ou seja, em vez de receberem o dinheiro que o governo keniano lhe deve, o governo italiano perdoa-lhe com a condição de que esse dinheiro seja usado em projectos de melhoramento das oindições de vida de crtos bairros-de-lata, entre outros projectos. A duração desta iniciativa é de 10 anos: cada ano o governo keniano deve empenhar cerca de 4 milhões de euros nestes projectos. Soweto é o primeiro deles. Estavam presentes o embaixador italiano, uma representante do governo italiano ligada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, um representante da UN-Habitat e o presidente da câmara de Nairobi (muito jovem e, segundo pude constatar, muito popular), bem como representantes do bairro. Certo, os habitantes de Soweto estavam também presentes em massa, sinal de que, por exemplo, o desemprego é uma dos problemas maiores do mesmo, senão poucos estariam ali, creio. De facto, no fim um jovem veio ter comigo e exigia que lhes fossem dados empregos, enquanto que outros pediam um campo de futebol ao presidente da câmara e ao nosso padre Cellana, o qual esteve desde o início envolvido em todo o processo de ajuda a este bairro, pois, como referi antes, foi pároco em Kahawa que fica ali perto. Fiquei muito contente e emocionado por ver que, na pessoa do padre Cellana, o nosso Instituto tem sido fonte de consolação e esperança no meio daquela gente.
Foram então inauguradas várias obras: um centro social, casas de banho (onde é possível também lavar a roupa) e um local para despejo do lixo. Porém, o elemento que simboliza a mudança e melhoramento das condições de vida no bairro foi a introducçõ da luz, a qual ocorreu faz uns meses. De facto, as pessoas viram o seu nível de vida melhorar significativamente, pois baixou o crime e a segurança aumentou. Certo, Soweto não deixou de ser um bairro-de-lata, mas pelo menos as condições de vida estão melhorando e as pessoas podem olhar para o futuro com um pouco mais de esperança. Gostei também de ver o quanto o nosso padre Cellana é muito apreciado e estimado pelas pessoas do bairro.
Bom, terminada a cerimónia, fomos para uma outra, mas não gostei muito dela, pois era mais formal e requintada, com muito de VIPalhada à mistura. O local era bem próximo do local onde decorre o Fórum Social Mundial. A propósito, este chama-se Moi Sports Complex e não Kenyatta (Moi foi o último presidente do Kenya, um ditador ao estilo africano). A cerimónia estava relacionada com a benção do terreno em que será construído um hospital patrocinado por uma ONG italiana, Amigos da Terra (terra=planeta). Esteve também presente a ministra da Saúde,m se bem que por pouco tempo, assim como o arcebispoo de Nairobi, dado que o dito hospital será dirigido por entidades católicas, mas, claro, aberto a toda a população. Não via a hora de vir para casa, pois estava cansado e fazia calor, mas dado que o nosso padre Cellana tinha de estar até ao fim, lá tivemos de aguentar; foi da maneira que almoçámos à borla... e à italiana!!!
Aqui, dormi uma sesta bem comprida, pois tava arrebentado. É, isto do Fórum não e canja, pois só ver multidões de gente cansa um tipo! É quase como ir a um bufete: de ver tanta comida um fica logo cheio! À noite, deiuma volta aqui no nosso recinto com alguns colegas; antes de ir nanar, estive aui numa das salas onde a revista do Kenya é feita a entreter-me com a internet.
Bom, antes de terminar quero ainda escrever o diário de ontem, 24, pois assim amanhã escreverei o de hoje, para nao me atrasar muito. De qualquer modo, aviso-vos já de que na semana que vem estarei fora vários dias , como tal, o diário será depopis actualizado antes de regressar à minha Coreia. Interessante é o facto de o tempo parece passar muito lentamente: estou ainda a meio ou pouco mais da minha estadia aqui no Kenya, o que é ótimo, pois claro que sim! Amanhã irei saber o que farei durante o fim de semana, pois de 30 a 1 de fevereiro conto ir ao norte visitar a família do meu colega keniano que faleceu na Coreia em 2005.
Pessoal, até mais...
Asante sana.

Fotos:
1. Eu com a secretária da paróquia nossa de Kahawa... bela, verdade?
2. Um dos miuditos do bairro de Soweto... adoro esta foto!
3. Meu colega Ugo com alguns muiditos da creche do bairro
4. Uma das ruas do bairro
5. Junto das novas casas de banho
6. Ministra da Saúde kenyana com arcebispo de Nairobi e uma senhora italiana
7. Uma das miudas de um grupo de uma escola que bailaram para o arcebispo e demais VIPs

Wednesday, January 24, 2007

Em pleno Forum...

22 Janeiro

Jambo jambo, pessoal!!!
Bom, este diário atrasou-se um pouco, pois ontem à noite estive com alguns colegas em amena cavaqueira e, como depois desta o sono não me deixava fazer mais nada, resolvi “contar as ovelhas e metê-las todas no curral”.
Hoje é já 4ª feira 24, último dia do Fórum (amanhã será feito o encerramento oficial, o qual iniciará com uma maratona que percorrerá alguns dos bairros-de-lata da cidade), e passando já das 11h da noite, vou resunir o que fiz na 2a feira 22. Este foi um dia exclusivamente dedicado ao Fórum, mas não houve nada de especial, excepto uma conferência que me cativou o interesse: era sobre o problema da Sida, em especial na África do Sul. Falavam várias senhoras, portadoras o vírus da Sida (HIV)e descreviam a sua situação pessoal de sofrimento, discriminação e cruz, bem como a do povo sul-africano em geral. Ou seja, o Aparteheid político terminou, mas continua o económico, através do qual os negros ou a maior parte deles continua sofrendo imenso. As vítimas da Sida são pertiularmente discriminadas, pois esta doença é ainda considerada tabú e, como tal, ser portador de Sida significa praticamente “estar já morto” diante da sociedade. Quando se juntam Sida com ‘mulher’, a situação e o nivel de discriminação são ainda maiores. No fim da conferência (que, na vardade, foi mais uma troca de esperiências e opiniões), os meus colegas da Itália entrevistaram 3 das vítimas, enquanto que eu os fotografava. De facto, neste Fórum tenho andado sempre com 2 colegas italianos, um dos quais futuro director da nossa revista italiana (Ugo Pozzoli, que ontem vos apresentei com foto) e um dos encarregados da animação missionária, António Rovelli, o qual trabalhou vários anos no Uganda. Assim, o Rovelli faz as perguntas, o Ugo grava e eu fotografo. Há ainda um nosso colega italiano que nos procura ou interpela as pessoas que entrevistámos. É um trabalho muito interessante, pois dá-nos a possibilidade de conhecermos não só pessoas de países, contextos e experiências diferentes, como de saborearmos o Fórum na sua totalidade, pois este é precisamente um encontro mundial.
Bom, depois do tacho assistimos a algumas pequenas conferências aqui e ali; nalgumas delas nem 5 minutos ficávamos, pois não nos interessavam tanto. Pessoalmente, poderei depois com calma preparar material para a nossa revista lá na Coreia com elementos que fui apanhabdo com os meus colegas, pois levarei comigo as entrevistas que fizemos, bem como alguns dos panfletos que fui recolhendo aqui e ali, de modo a poder depois, visitando vários sitos na net, elaborar material relativo a várias questões que são fundamentais: paz, justiça social, direitos humanos (sobretudo das mulheres e crianças), água, agricultura...
À noite, tivemos o nosso primeiro encontro das revistas, no qual começamos a apresentar-nos formalmente aos outros colegas do mesmo “ramo profissional”, de modo a conhecer as revistas e o seu contexto, bem como podermos planificar não só este encontro, mas o futuro. Falarei da nossa coreana no encontro de 5a feira, 25.
Bom, deixo que as fotos falem por si...

1. Meus colegas com africanas residentes em Itália
2. Alguns dos participantes no encontro sobre Sida
3. Uma das principais intervenientes sobre a Sida, ela própria vítima da doença
4. Durante o tacho com alguns colegas
5. Tribal keniana
6. Um brasileiro em versão bíblica
7. Uma bela africana

Um abração keniano

Asante sana

Monday, January 22, 2007

Um outro mundo e' possivel...

21 Janeiro

Jambo, minha gente!
Eis que iniciaram os trabalhos do Fórum Social Mundial, os quais são inúmeros e variados, cobrindo imensas áreas de interesse a todos os níveis. Bom, do início: após a missa e pequeno-almoço, partimos para Kasarani, local onde se encontra o complexo desportivo Joseph Kenyatta, ou seja, feito em memória do primeiro presidente desta nação. A área é enorme e está tudo bem organizado. Porém, este primeiro dia foi de andar a “fazer reconheci,emto do terreno”, pois como referi à pouco, as actividades são uma infinidade. De facto, são mais de 1000. (Uma correcção: hoje estive a reler este meu diário e vi um erro: quando falei da escola da Consolata que os nossos têm aqui em Nairobi e que fica mesmo ao lado da nossa casa regional, disse que os alunos eram mais de 100, mas na verdade são cerca de 1200!).
Bom, sendo domingo, o trafico matinal não era exagerado, bem pelo contrário. Após voltas ao recinto para nos darmos conta de como estão organizados os eventos, alguns de nós participamos em dois encontros ou debates: um contava com a mulher do falecido presidente francês, François Miterrand, sobre questões de ajuda à África; o outro era sobre sementes e pesticidas na Índia, orientado por uma economista desse mesmo país que tem “voto na matéria” e que denunciava as práticas criminais de uma organização co-fundada por um senhor mundialmente famoso, não só pelos programas de computador, mas pela sua veia altruísta: Bill Gates! Ou seja, a agricultura em muitas zonas da Índia está sendo destruída por projectos que supostamente deveriam proporcionar o seu desenvolvimento; ora, a Dra. Sadhiva (ou algo assim) alertava os africanos para este problema, pois a orgnização do Bill gates e outras estarão eventualmente pensando introduzir este projecto também em África. Foi muito interssante, pois ela falava com muita expressividade e conhecimento na matéria. Após o almoço numa das muitas tendas montadas para o efeito (esta situada longe do recino principal ou estádio de modo a evitar multidões), andamos a espreitar aqui e ali, até que por volta das 5h da tarde regressámos a casa. Estávamos todos cansados, mas contentes com a experiência; após um duche maravilha, dormi um pouco, pois estava não só cansado como tostado. Sim, de manhã tinha colocado creme solar de protecção, mas a quimada de ontem foi tão acentuada que demorará tempo a desaparecer o vermelhãop que levo nos braços e pescoço. Enfim, é parte da experiência de estar em África e a 1800m acima do nível do mar.
À noite, após a janta, fizemos um primeiro encontro de revisão do dia, juntamente com os padres ligados ao sector da Justiça e Paz da África; depois, separámo-nos e tivemos o nosso encontro das revistas, de modo a programar esta semana que temos pela frente. Antes da nana, escrevo este diário; não conseguirei ainda pô-lo em dia, mas pelo menos podeis ficar com uma ideia do que se passa por cá. O Fórum será, a meu ver, um encontro de ideias, perspectivas, opiniões e propostas, sem que necessariamente se tomem decisões. É um local onde todos os que sonham e lutam por um mundo melhor, sobretudo procurando alternativas ao capitalismo, podem juntar-se e trocar ideias e experiências. O tema do mesmo é “Another World is Possible”, ou seja, “Um outro mundo é possível”. Veremos o que o dia de amanhã nos proporciona... Agora, acredito que me é possível terminar o dia mais cedo e, como tal, evitar que o diário hoje seja tão lungo como o dos dias anteriores. eheheheheheh
Ficai bem e que o nosso Amigão vos proteja sempre
Deixo-vos a legendagem das fotos...
1. com Ugo Pozzoli, meu colega de seminario em Londres e actualmente trabalhando na nossa revista na Italia
2. Danielle Miterrand sendo entrevistada pelo nosso vice-superior geral e meu colega Ugo
3. a Dra Sadhiva
4. uma participante de uma tribo africana, creio que do Kenya
5. uma das mais jovens participantes no Forum
6. um anfiteatro e participantes

Sunday, January 21, 2007

E comecou a festa...

20 Janeiro

Jambo, minha gente!
Pois é, começou hoje o Fórum Mundial Social, razão pela qual, juntamente com os encontro dos diretores das revistas do nosso Instituto, estou aqui no Kenya. Creio tratar-se de um evento que com o passar dos anos tem vindo a crescer em significado no contexto dos grandes encontros internacionais de carácter social.
Claro, como não podia deixar de ser... fartei-me de tirar fotos e, estando Nairobi a cerca de 1800m acima do nível do mar, apanhei um escaldão dos diabos, sobretudo os braços e pescoço. Certo, amanhã colocarei protecção solar, senão vou virar carne de churrasco. Saímos de casa cedo, em direcção à catedral da Sagrada Família de Nairobi, de onde sairia uma marcha ecuménica; mas após ter visto o ambiente, decidi juntar-me a alguns colegas meus e fomos directos ao parque Uhuru, local onde se iniciou e terminará este Fórum Mundial. Não estava lá muita gente, mas aos poucos a espaço foi sendo invadido por milhares de pessoas, a maioria habitantes de Nairobi, sobreetudo de vários bairros-de-lata, incluindo de Kibera, do qual já vos falei.
Sendo este dia o primeiro, foram feitos vários discursos introdutórios e de boas vindas; de figuras públicas que eu conhecesse, vi duas: o antigo presidente da Namíbia, Kenneth Kaunda, e o criador do Fórum Siociual Mundial, ... um brasileiro de quem não lembro agora o nome. Vou procurá-lo na net. Encontrei: chama-se Chico Whitaker. Enquanto ele falava, foi interrompido por membros de um grupo religiosos que não onheço, mas que parece ser uma espécie de seita aqui no Kenya. À medida que os vários grupos iam desfilando, as pessoas dançavam ao som de ritmos vários; adorei ver muita gente dançando, curtindo a música e o faco de estarem reunidos todos à volta de uma causa comum: a de denunciar sistemas injustos (nomeadamente capitalismo e neo-liberalismo) e, ao mesmo tempo, de se proporem, discutirem e programarem propostas e formas alternativas. Esrá esta a tónica dominante deste mega-encontro. Porém, nõ creio que estivessem presentes mais de 50 mil pessoas; a organização, nates do início do mesmo, falavam em cerca de 100 mil pessoas, mas creio que serão à volta de metade ou pouco mais. De qualquer modo,é muita gente! Adorei sobretudo fotografar gente de vários países e culturas; lamento porém não ter um máquina melhor, mas tê-la-ei em breve. De qualquer modo, fartei-me de fotografar e de andar de um lado para o outro, entre a multidão. Encontrei uma simpática “alfainha”, a qual, tal como eu, partcipava pela primeira vez num Fórum destes. Podeis vê-la aqui no blog, bem como outras fotos que tirei. Sim, já coloquei as fotos no computador e, como tal, a partir de hoje as fotos serão as que vou tirando.
Bom, o tempo foi passando, a brasa do sol continuava a esquentar (se bem que só senti o efeito chegando a casa!) e a coisa começava a tornar-se monótona. Assim, e porque às 2.30h da tarde estava ainda sem comer, fui procurar uma t-shirt do Fórum com um semina nosso italiano que estuda cá no Kenya, mas não havia; assim, fomos almoçar e ele aproveitou para desabafar comigo sobre vários temas, pois viu que comigo podia estar a vontade. De facto, agradeceu-me por tê-lo escutado e aconselhado; certo, não fiz mais do que entendê-lo, até porque a minha experiência tinha elementos comuns. Afinal, também fui semina e do mesmo Instituto...
Voltámos a casa no mini-autocarro da escola da Consolata e... não me lembro da última vez que um duche m soube tão, mas tão bem: é que o parque era super-poeirento e, como tal, não so estava queimado, como todo sujo. Descansei um pouco antes de vir aqui à sala de computadores (melhor, a uma das salas da nossa revista aqui do Kenya, que se chama “The Seed”, ou seja, ‘A Semente’). Sim, porque não tenho laptop (pc pessoal), mas quando for ao Brasil terei de levar um, pois é muito conveniente tê-lo e assim poder trabalhar quando e como quiser.
Bom, creio que este evento será muito rico, pois são mais de 1000 as actividades programadas; estas serão constituídas sobretudo por conferências ou discussos às quais pode participar quem quiser; há alguns nomes sonantes, provenientes de vários países e contextos, mas como sou muito ignorante em relação a eles, o meu maior intersse será elaborar um ideia deste evento de modo a poder depois apresentá-lo ou descrevê-lo aos nossos coreanos. O local do Fórum será o estádio de Kenyatta (primeiro presidente do Kenya); passei lá perto quando fui jantar a casa da irmã do meu colega kenyano que está comigo na Coreia.
À noite, após a janta e um intervalo, fizemos um encontro em conjunto com alguns nossos missionários que trabalham em vários países da África e que fazem prte da comissão Justiça e Paz do nosso Insituto, razão pela qual perticipam também nesta Fórum. Vamos ver então como irão decorrer as coisas. O ponto alto de hoje foi a inauguração do Fórum; vi alguns coreanitos, mas não deu para falar com eles.. Terei é de ver se um dia destes dá para encontrar a coreana de que vos falei, pois sendo ela uma leiga missionária, terei de aproveitar e entrevistá-la, de mod a enriquecer a nossa revista, pois uma coisa é falar de missionários em ge4ral, outra é apresentar casos concretos de missionários coreanos.
Bom, vou nanar, pois estou arrebentado. Eis as legendagens das fotos:

1. Eu com uma irmã da paróquia de Cristo Rei e padre Francisco, missionário mexicano de Guadalupe
2. Miudito da Kibera
3. Com a fmilia do Peter; a mae é a senhora à direita e a irmã dele ao lado dela.
4. Com um meu antigo professor de Londres
5. Com a alfacinha
6. Panoramica do evento

Asante sana...

Saturday, January 20, 2007

Mais surpresas...

19 Janeiro 2007

Jambo, malta!!!
Pois é, mais um dia em cheio e que se revelou, tal como os outros até agora, uma caixa de belas surpresas. Este nosso Amigão Jesus é simplesmente espectacular!!! De facto, na minha oração pessoal nunca lhe peço nada para mim, pois sei que ele irá proporcionar-me mais e melhor do que eu lhe poderia pedir. Assim que lhe entrego sempre a minha vida e a coloco em suas mãos, de modo que ele faça dela o que bem entender e me proprocione o que achar melhor para mim. Esta é uma dimensão fundamental da minha espiritualidade pessoal, ou seja, da minha forma de me relacionar com ele.
Bom, começando então pela manhã de hoje: fiquei desde as 6.30h da madrugada à espera que me viessem buscar para ier celebrar a missa no nosso seminário filosófio, mas acontece que... espereiu em vão. Vim a saber mais tarde que o nosso padre que me vinha buscar veio... mas ao sítio errado: foi ao seminário teológico, pensando que eu estava lá hospedado. Depois do tachito, actualizei o diário, mas sem terminar pois ... vendo um dos nossos padres que dá aulas no seminário de Tangaza (onde vão estudar os nossos seminas teólogos, e que foi meu professor de bíblia em Londres), aproveitei a boleia para ir para Langata, onde decorria o Fórum Teológico Internacional. Mas antes visitei o tal seminário filosófico, seguindo depois para o nosso seminário tológico, onde tachei com os seminas. Depois do tacho, fui de imediato para a casa dos Carmelitas, onde decorria o tal Forum Teológico: terminava hoje mesmo e não quis perder a oportunidade de etar presente na parte final, pois o último discurso seris feito por um personagem muito especial: o bispo anglicano sul-africano Desmond Tutu. De facto, fez um discurso fenomenal, apaixonante, vibrante, atraente, vivo, dinâmico, cativante e, sobretudo, baseado na sua própria experiência, seja em relação ao Apartheid que a outros elementos da sua vida. Dado que consegui ir para a frente, ele discursou bem a meu lado, de modo que não tive problemas em lhe fazer umas boas fotos. Mas cativou-me sobretudo o que disse e a forma como o disse, pois é de facto um grande orador e cativador das multidões. Além do mais, é um “avozinho” muito ternurento, simpático, sempre sorridente e que conquista de imediato a simpatia de todos sem excepção. Deixou todos maravilhados, tal como a mim... ou sobretudo a mim, pois não estando a contar com tal oportunidade=dom de Deus, é clao que saboreei ainda mais esta experiência, a qual me marcou também bastante. De facto, vendo-o a falar, disse para mim mesmo: “tenho de ser mais cativante como missionário”. Certo, não tenho nem devo nem posso imitar o Bispo Tutu, mas posso dar mais de mim e melhorar o meu método de contar a história de Jesus às pessoas.
Antes deste seu intervento, houve um painel com 3 oradores, os quais disseram as tretas de sempre: teorias e mais teorias sobre espiritualidade, feminismo, teologia da libertação, etc. Ou seja, fala-se muito, mas não se comunicam experiências: só se fala para se dizer que se sabe... Para mi, Fóruns e outros encontros do género servem por oferecerem a possibilidade das pessoas se encontrarem, conhecerem e trocarem experiências, mais do que estarem ali a ouvirem teorias e mais teorias que quase sempre só dão... sono!!! É por isso que nunca farei parte de um painel, a não ser que me peçam, para falar da minha expeiência... e fazê-lo como o bispo Tutut, ou seja, de forma espontânea, sem estar a ler, pois senão cai-se no risco de se querer dizer tudo e mais alguma coisa, porque um julga que sabe tudo. A mim basta-me saber o que sei porque é reflexão da minha esperiência. Este foi, no meu ver, o ponto forte da intervenção do bispo sul-africano; a sua voz, postura e paixão com que falava fora, juntamente com o ter narrado a sua históiria pessoal (ou melhor, parte dela), o seu grande triunfo.
Eu sabia que o bispo Tutu iria estar presente no encerramento do Fórum, mas não estava a contar presenciar o mesmo, bem no último dia. Eu estava no lugar certo, no momento certo quando vi, de manhã, o tal padre que foi meu professor em Londres aqui na casa regional. Mas... as surpresas não terminam por aqui: ora, para meu maior espanto, estava presente no Fórum um padre Verbita, Eahn McCay, o qual foi meu professor também em Londres, há 10 anos atrás!!! Fiquei muito contente, claro, tal como em 2005, quando durante as minhas férias na terra fui a Paris visitar familiares, encontrei o padre Gonçalves, que tinha sido meu professor de grego bíblico nos meus tempos de estudante na católica em Lisboa. Sim, a vida é uma caixa de surpresas!
O padre Ehan, depois de Londres, ensinou na Nigéria e está cá faz 5 meses. É sempre bom rever gente que fizeram parte da nossa vida, mesmo que não sejam tão importantes para nós, pois de certa forma o pssado volta ao presente e nos damos conta do quanto Deus nos quer bem, pois permite-nos recordar situações e pessoas que tinham ficado esquecidas na nossa memória histórica e que, por uns momentos, no ajudam a intregar o passado no nosso presente, tornando-o mais precioso e significativo. e, de certa forma, um conhecer-mo-nos e amar-mo-nos um pouco mais, pois quando as recordações causadas por estes encontros inesperados são das melhores, então podemos ter uma visão mais global de nós próprios e da nossa vida e ver como ela é, creio, um puzzle que se vai completando lenta e gradualmente.
Bom, como podeis ver, esta minha experiência em terras africanas tem sido impecável, tal como gosto: nada premeditada, e cheia de surpresas. Terminado o Fórum, jantámos no seminário teológico nosso, juntamente com os seminas; regressámos depois à casa regional, onde após terminar de actualizar o diário, ainda dei umas boas e sonoras gargalhadas ouvindo histórias (reais!) que se passaram com padres nossos na nossa Casa Madre em Turim, onde trabalham os 2 meus colegas que as contavam. Assim que terminei o dia ainda mais bem disposto... e esta minha boa disposição, juntamente om tudo o que vivi durante o dia, foram o conteúdo da minha oração da noite, pois a oração, para mim, é isto mesmo: fazer da vida a ofrenda que apresentámos a Deus; fruto do que vivenciamos e do que Ele nos ofereceu.
Bom, fico então por aqui. Amanhã irá iniciar um dos motivos pelos quais vim ao Kenya: o Fórum Social Mundial, um evento que começou em Porto Alegre (Brasil) em 2001 e que se tem tornado num evento mundial e social com significância e relevo que têm vindo a crescer de ano para ano. Como tal, é um prezer e um privilégio poder estar presente...

Ficai bem e qu o nosso Amigão vos abençoe e vos mantenha na sua Paz e Alegria
Asante sana.

Bwana Álvaro

Fotos: 1. Forum Teológico
2 e 3: bispo Desmond Tutu

Friday, January 19, 2007

Porque tanta miseria?

18 Janeiro 07

Jambo, pessoal!

Quero começar por vos dizer que ... este jamais esquecerei este dia! A razão principal chama-se Kibera, o maior bairro-de-lata da África. Já tinha ouvido falar nele, mas nãio estava nada à espera do que vi com os meus próprios olhos.
Bom, do início: tive que madrugar, pois quis acompanhar o padre Tobias ao aeroporto: fomos buscar dois missionários nossos, um italiano que eu não via também há mais de 10 anos, e o nosso padre Elísio, director da nossa revista missionária portuguesa. Passei depois o resto da manhã aqui diante do computador, actualizando o meu diário. O padre Elísio perguntou-me se me podia acompanhar na visita a Kibera erespondi-lhe que sim, pois não haveria qualquer problema. Fui ainda a um supermercadio aqui perto e a um mercado de coisas artesanais e típicas do Kenya. Só que me assediavam continuamente, querendo que lhes comprasse nem que fosse um mínima coisa. Lá tive que explicar a um bom número deles que tinha apenas 2 dias de idade africana e que naquela manã estava simplesmente a dar uma vista de olhos: compras só mesmo antes de deixar o Kenya. Mas alguns não se davam por derrotados e continuavam insistindo... Enfim, considerando o facto de que todos vendem praticamente as mesmas coisas e que não são muitos os estrangeiros que passam por ali, era natural que me assediassem com insistência, pois a pobreza é, de facto, angustiante. Porém, não penseis que são todos pobres: há bastantes que vivem bem, mas claro, são uma minoria. Gostei muito do mercado, pois são adepto do que é tradicional, artesanal; haviam tantas coisas que gostaria de comprar, mas terei de pensar somente em coisas pequenas, pois vim só com uma mochila de modo a evitar ter de despachar malas, evitando assim esperas no aeroporto. Assim poderei,. Como faço sempre, ter uma lembrancinha preparada para muitos amigos. Os especiais, como é claro, receberão algo um pouco maior... Mas há uma variedade imensa de coiasas e, como tal, escolher torna-se tarefa difícil.
Bom, regressei a casa, passando por uma pequena loja que os nossos missionários têm na casa paroquial (o nosso santuário da Consolata é uma das paróquias de Nairobi) e vi que têm também coisas bonitas, só que não me agradam muito; gostaria de comprar as lembranças ali, pois as coisas que lá se vendem são feitas por jovens dos bairros-de-lata onde os nosso missonários prestam assistência. Por isso, terei de lá voltar e comprar algumas coisas, pois assim poderei ajudá-los um pouco. De facto, quando fui à Tailândia fiz o mesmo: comprei muitas coisas feitas por indígenas das paróquias e missões católicas, de modo a contribuir para o trabalho que a Igreja faz junto das populações tribais. Só tenho pena de naquela lojita não haver muitas coisas...
Antes de almoçar, encontrei uma... jovem coreana que está cá faz pouco tempo e que tem ideias de ficar por 2 anos; trabalha com a Caritas (organização humanitária da Igreja Católica, a qual está praticamente em todos os países) e está hospedada aqui na nossa casa, pois ainda não conseguiu encontrar alojamente na cidade. Ficou surpreendida e satisfeita por saber que havia um missionário tuga que está no seu país; falámos um pouco e disse-me, entre outras coisas, que há um padre coreano que faz missa aos domingos para a comunidade coreana aqui de Nairobi, a qual parece ser um pouco numerosa. Claro que adorei falar com ela, pois era como estar, por uns instantes, “em casa longe de casa”. Não sei se terei outras oportunidades de falar com ela... A ver vamos. Caso seja possível, aproveitarei também para a entrevistar, pois é uma leiga missionária e, como tal, a sua experiência poderá servir de atractivo a outros jovens coreanos.
Almocei depois antes do tempo, com o padre Elísio, pois iríamos visitar o famoso bairro da Kibera; na Coreia, estão também os missionários mexicanos de Guadalupe e, sendo eu amigo de vários deles, trouxe uma lista com os endereços deles aqui no Kenya, a qual me foi fornecida poelo padre Eugenio, o qual é pároco numa paróquia em Seúl. Ele esteva cá no Kenya em 2005 e aconselhou-me a visitar este imenso bairro, pois ele também o fez e ficou sem palavras. De facto,... também eu fiquei!!! Valeu a pena esperar calmamente duas horas pelo padre Francisco, o qual se atrasou por motivos lugados ao seu trabalho. Levou-nos então à sua paróquia, a qual está inserida num extremo do bairro; esta paróquia, de Cristo Rei, cobre cerca de 70 % da área. Após a entrevista que klhe fiz, mostrou-nos as obras da paróquia, que incluem escola primária, escola profissional-técnica (de costura, cabeleireiro, carpintaria...), uma biblioteca e estavam escavando para a construção da futura igreja. Foram assaltados diversas vezes e teve inclusivo uma vez alguém que lhe apontou a pistola atrás da nuca. Numa outra ocasião, escondeu-se no sótão da escola, senão mata-lo-iam de certeza. As crianças são cerca de 500; há uma escola ali perto secundária, mas o governo ameaça fechá-la, pois diz que ela não está registada! Mas quando passávamos pelas ruas estreitas, sujas, cheirosas... as pessoas olhavam-nos com ar suspeito, mas não as crianças: sempre com um sorriso nos lábios e cumprimentando-nos em inglês. Uma multidão caminhava pra cima e pra baixo; vários estavam diante de uma pequena loja onde um ecrãn de televisão apresentava uma novela keniana; não dava para ver o interior das barracas, mas podia ver-se claramente que a miséria era surpreendentemente chocante. Porém, as pessoas estão organizadas de modo a poderem minimizar os inconvenientes de uma vida naquelas condições. Mas não consigo descrever-vos bem o que presenciei, pois como se cosuma dizer... é só visto! De facto, o padre Elísio dizia-me que lamentava não poder tirar fotos, pois se tivesse um mês ali faria uma reportagem única! Também eu lamentei não poder tirar fotos nas ruas, pois o padre mexicano tinha dito que evitar as fotos, senão a reacção de algumas pessoas seria agressiva. Mas no 1º andar das escolas da paróquia era possível.
Não há dúvida que os missionários de Guadalupe estão fazendo um trabalho de 5 estrelas em prole dos mais pobres e e pena que nem todos consigam entender isto. Porém, gostei imenso de ver o padre Francisco determinado em levar popr diante o projecto de ajuda àquela gente, mesmo sabendo que por vezes corre riscos, incluindo o de morte. Não sei se eu seria jamais capaz de fazer algo assim... Certamente, esta experiência não me deixou indiferente: diante de tal miséria indescritível, só pensava nos coreanos que tanto desperdiçam e que tão ricos são; pensava na nossa sociedade rica e consumista, egoísta e vaidosa, que oprime os mais fracos e os trata como lixo; pensava sobretudo em mim próprio e no quanto sou rico, abençoado e “sortudo”, pois diante de tal situação um fica abananado e incapaz de perceber o porquê de tanta pobreza e miséria, não só material mas sobretudo humana. São imensos os problemas com que aquela gente se debate todos os dias e pensava então no quanto é fácil para nós, ricos (e falo mais por mim, claro!), queixar-mo-nos sem termos a mínima razão para o fazermos. Visitar a Kibera ajudou-me a repensar as prioridades; visitar a Kibera é um convite a um estilo de vida mais centrado no próximo e nas necessidades dele; visitar Kibera é um tomar consciência de que há ainda muito para fazer a nível de promoção humana e, que a nível pessoal, devo ser mais humilde, mais centrado na vida dos outros, menos egoísta e acomodado...
Agradeço ao nosso Amigão esta oportunidade que me ofereceu de conhecer esta realidade e de ver a Igreja no meio dos pobres, lutando e trabalhando para lhes comunicar e partilhar com eles a consolação e amor de Deus. Peço-lhe que esta experiência não seja “mais uma”, mas uma que me ajuda a rever as minhas prioridades e a focar a minha vida, energias e atenção naquilo que é fundamental e não em coisas mesquinhas e secundárias.
Bom, o padre Francisco trouxe-nos a casa e saí, depois de um banho super refrescante (pois tava coberto de pó, característica dominante em Kibera... quando não chove, claro). Sim, saí novamente, mas desta vez para viver uma outra experiência marcante desta minha estadia no Kenya: fui jantar com a mãe, uma irmã e sua família de um meu colega keniano que está lá na Coreia comigo. O cunhado veio buscar-me com os sobrinhos, que são muuito giros. É, também no Kenya as crianças são as criaturas mais lindas do Criador. Falámos bastante (ainda por cima, sendo eu um fala-barato), até porque a irmã estava curiosa sobre muitas coisas ligadas com a Coreia, seu mano, etc. Comi comida keniana pela primeira vez, pois aqui em nossa casa o estilo da comida é italiano. Não vale a pena estar aqui a dizer porquê, senão não acabo nunca,. Adorei esta visita, pois sendo a família de um meu mano missionário... é família minha! De facto, o meu coração palpitava do mesmo modo quando visito os meus familiares aí em Portugal; estranho, não? Mas era uma sensação muito boa. Lembrei-me da passagem dio evangelho em que Jesus diz aos discípulos que quem deixa pai, mãe, família e tudo mais por sua causa, receberá 100 vezes mais... e é verdade!!! Gostei imenso de conhecê-los, sobretudo a mãe do Peter, meu colega: uma típica avó keniana, com olhar intenso e um sorriso cativante, pele escura e vestido tradicional. Ofereceram-me também um cinto e pulseira tradicionais, mas... não me serviam. Assim, quando os for visitar novamente antes de regressar, oferecer-me-ão uns novos. Espero dessa vez encontrar a outra irmã e algum dos 4 irmãos. No fim, A irmã, com o marido, trouxe-me a casa e falava do quanto tinha gostado da minha visita. Sim, foi uma experiência linda e muito familiar. Adorei mega...
Bom, fico por aqui.
Amanhã há mais.

Asante sana (obrigado!).

Wednesday, January 17, 2007

A aventura keniana continua...

17 Janeiro

Jambo de novo, minha gente.
Pois é, este segundo dia africano foi composto por uma mistura de sentimentos muito particular. Por um lado, de alegria e espírito de missão; por outro de dor, tristeza e incredulidade.
Um passo de cada vez: iniciei o dia indo conhecer o seminário teológico do nosso Instituto aqui no Kenya, no qual estudaram vários colegas meus, incluindo alguns dos que estão na Coreia. Era, como tal, desejo meu de longa data conhecer também o seminário Allamano House (“Casa do Allamano”, nosso padre fundador). Estavam lá alguns missionários nossos que estão participando num Fórum Teológico Internacional... sobre o qual eu desconhecia a existência, senão até me teria insrito também, pois alguns deles estarão também presentes no Fórum Mundial Social. Foi com imenso prazer que reencontrei alguns colegas dos anos que passei em Londres; um é o Matthew Ouma, keniano, que é agora conselheiro geral (faz parte do conselho geral de administração do nosso Instituto), enquanto que o outro é um italiano, Ugo, o qual é uma pessoa muito humana, fraterna e extremamente boa gente. Encontrei também um nosso missionário keniano que me irá levar a Kisumu, no norte do Kenya ( auns 400 e tal km daqui), para visitar a família do nosso colega que morreu na Coreia a 18 de dezembro de 2005.
Não fiquei mais tempo, pois à tarde eu não os poderia acompanhar na visita a bairros de lata e outros tipos de actividades em favor do pobres, pois o número de participantes estava fechado. Fiz bem, pois assim vim para a casa regional, iniciei este diário e, após o almoço, entrevistei um padre Fidei Donum da Roménia (ou seja, um padre diocesano que passa vários anos em missão no exterior) que trabaklha no noirte do Kenya há já alguns anos. Sim, estou também começando a recolher material para a nossa revista lá na Coreia. Depois... a parte triste: o padre Tobias levou-me a 3 bairros de lata extremamente pobres, nos quais o nosso Instituto tem trabalhado e organizado iniciativas e projectos de ajuda às pessoas carenciadas. Como em todos os lugares do mundo, também aqui as crianças são lindíssimas e sempre com um sorriso e olhos grandes, mesmo no meio de miséria indescritível. De fracto, fiquei chocado com a pobreza que se vive ali... e entendo perfeitamente agora quem me diz que a África negra muda quem por cá passa. Certo, fiz algumas dezenas de fotos e entre elas as de muitas crianças, pois não me deixavam em paz (no bom sentido, claro!) Adorei estar com elas e fotografar algumas, mas ficou-me marcado o nível de vida desta gente... Também me impressionou ter encontrado um senhor italiano, o qual está ligado a umas irmãs: todos os anos vem cá no mês de janeiro para fazer casas de banho (muito simples, por certo, mas extremamente necessárias) nos bairros de lata, sozinho! Mamma mia, fiquei deveras impressionado com tanta humildade e capacidade de serviço. Amanhã irei visitar o maior bairro de lata da África, Kibera, que fica aqui em Nairobi. Mas isso é para contar amanhã.
Não creio ter referido no texto do primeiro dia que... há uma jovem coreana aqui hospedada na nossa casa regional; parece que trabalha para a Caritas, uma organização de caridade de cariz social da Igreja Católica e está cá faz poucos tempo; verei se amanhã consigo encontrá-la, pois será ótimo poder falar de novo coreano e, claro, entrevistá-la para a nossa revista. Caso o faça amanhã, sera a primeira de duas entrevistas que farei amanhã, pois tenho programado ir passar a tarde a Kibera, de modo a conhecere e entrevistar um padre missionário mexicano. Como podeis constatar, estou a trabalhar também bastante.
Bom, mdescansei depois um pouco antes de ir para a paróquia onde fui ontem; desta vez presidi eu e, certo, fiz também a homilia. Como a missa ali é em inglês... no problem. De caminho, parámos numa casa de uma senhora já de bastante idade, a quem o padre Tobias deu a comunhão, algo que costuma fazer às 4as feiras. Acabada a missa, fomos ao aeroporto buscar outro tuga, que é também nosso conselhieor geral: António Fernandes, natural da Guarda. Dissde-me, entre outras coisas, que irão também participar no curso que farei em Sao Paulo no verão, dois colegas meus espanhóis que fizerm o noviciado comigo na Itália e que não vejo há muito, muitos anos também. Como podem ver, o nosso Amigão não pára de me surpreender.
Bom, jantámos já depois das 8h e, após ter visto as notícias na BBC (pois cá têm parabólica que apanha também a RTPinternacional), vim para aqui escrever-vos este meu diário. Assim que amanhã poderei colocá-lo no meu blog, pois quero depois procurar algumas fotos sobre o que vi hoje. As que tenho feito, dado que não trouxe o pequeno cabo de ligação ao computador [para as descarregar, irei mostra-vos lá na Coreia, ok?
Como podeis ver, não paro! E é assim mesmo que gosto, pois conhecer, fotografar e preparar material para depois partilhar com vocês e os nossos benfeitores é algo que me dá imenso prazer.
E é tudo quanto a este meu segundo dia no Kenya. Agora vou nanar, pois tou a morrer de sono...
Asante sana!
Alvaro bwana

Diario da minha primeira viagem `a Africa

Nairobi, 16 Janeiro 2007-01-16


Caros amigos:

Jambo a todos!!!
Eis que inicio esta minha primeira aventura africana, após quase 17 horas metido em dois aviões. Após deixar a Coreia, aterrei 5 horas e meia depois em Bangkok, na Tailandia. Entrei no avão da Kenya Airways e quase 10 horas depois abraçava o padre Tobias, actualmente o único tuga do meu Instituto que trabalha aqui no Kenya. Cheguei à nossa casa regional pouco depois das 6h da manhã; este é um complexio enorm,e, pois é constituído pela casa regional, uma escola para 100 e tal alunos (primária e secundária) e o santuário da Consolata, que funciona também como paróquia. Já me tinham dito que era grande, mas agora posso confirmar de que realmente o é. Dado que não consigo dormir sentado no avião, descansei um pouco antes do pequeno-almoço. Estranhamente, não me sentia muito cansado e, como tal, às 9h da manhã, após trocar dólares por shillings (moeda kenyana), fui conhecer o centro de Nairobi com um missionário keniano. Para lá, apanhámos boleia de um outro missionário da Consolata, mas ugandês e que trabalha no Uganda, o qual conheci quando cheguei a Londres em 1992 e que não via desde então. De facto, ele não será o único que encontrarei por cá após vários anos.
Deixou-nos na catedral católica de Nairobi, onde as irmãs Paulinas têm uma livraria. Assim, decidi preparar logo uma das prendas que me pediram lá na Coreia: um cd com música litúrgica tradicional. Comecei então a fotografar a catedral e arredores, mas não penso que farei tantas fotos como na Tailândia, até porque são 2 contextos muito diferentes: basta pensar que a Tailândia tem milhares de templos budistas... Visitei então as partes principais do centro, incluindo o Centro de Conferências Kenyatta (primeiro presidente do Kenya), o Parlamento, o pequeno parque com um monumento que recorda o atentado terrorista de 7 de Agosto 1998, no qual morreram cerca de 219 pessoas e outras partes mais, sempre a pé, pois é o método melhor para se conhecer, até porque o centro não é muito grande. Caminhámos por mais de 3 horas, mas o efeito só o senti à noite, claro. A parte que mais gostei mas que, infelizmente, não deu para visitar mais em detalhe foi um pequeno mercado com artefactos artesanais, provenientes de várias partes do Kenya. Um sujeito lá me convenceu a comprar umas coisitas, mas dado que aprendi na Coreia a não ter medo de regatear os preços, consegui não me deixar levar por ele. O meu colega kenyano simplesmente admirava a situação, sem intervir, mas deu para me defender... Pude começar a ter uma noção dos preços, tanto que agora sei que mudei muito dinheiro e que não o irei certamente gastar todo. Mas a ver vamos, pois afinal ainda estou no início e como sou amigo dos amigos, gosto sempre de levar um qualquer coisinha, por mais simples que seja...
Após o almoço, descansei um pouco e usei a net antes de sair às 5.30h da tarde para a missa com o padre Tobias; foi numa paróquia que está dependente do santuário nosso aqui. Foi em inglês, de modo que me apresentei às pessoas no início e as cumprimentei ao fim. Havia também uma irmã brasileira, a qual trabalha cá faz 11 anos.
À noite, antes de me retirar, telefonei a para minha casa através do Skype, programa que tenho também lá na Coreia (meu nome de usuário é tugacoreano) e a uma irmã (não freira) do meu colega Peter, também ele missionário na Coreia e kenyano. Assim, irei visitar os seus familiares esta 5ª feira à tardinha; vai ser ótimo, pois, obviamente, eles são como família para mim.

Bom, agradeço então ao nosso Amigõ Jesus por esta aventura que estou miniciando e que começou muito bem. Como primeiras impressões, ficou-me impresa na mente a confusão que é o tráfico na cidade e arredores, sobretudo os matatu, ou seja, carrinhas de 9 ou 11 lugares que circulam a altas velocidades e que nem sempre respeitam o limite de passageiros, para não falar no limite de cvelocidade. De facto, no regresso a casa após a visita matinal do centro, apanhámos um matatu e... vim com o coração nas mãos!!! Uma loucura, mesmo! Mas, claro, adorei a experiência, pois seria como ir a Roma e não ver o Papa (coisa que, na verdade, ainda não fiz... eheheheh). Outro aspecto que me impressionou foi o ver multidões de gente caminhando em direcção ou regressando do centro da cidade; nem quero imaginar o que será quando chove, pois as bermas das estradas são todas em terra. Achei positivo o facto de haverem pouqíssimos brancos, sinal de que os kenyanos tomaram o seu destino em suas mãos e, pelo menos aqui na cidade, não se têm saído mal: são muitos os que andam de telemóvel na mão e não são poucos os carros de alta cilindrada tipo mercedes e bmw; a maior parte, porém, são japoneses e muito serão de 2ª mão.
Bom, já escrevi muito. Amanhã continuarei...
Asante sana (obrigado)!

Vosso mano e amigo

Alvaro Bwana

Sunday, January 14, 2007

Africa, ca' vou eu!!!

Yokkok, 15 janeiro 2007

Anyong, pessoal!!!

Ola, ola. Pois e', saio esta tarde para Africa, via Bangkok. Chegarei na madrugada de amanha, 3a feira, por volta das 4.30h a Nairobi. Ira buscar-me um nosso padre tuga, Padre Tobias, que la' trabalha. E' clkaro que estou super-feliz, pois a Africa sempre foi um dos meus sonhos.
Bom, tenho que acabar de por varias coisas em ordem, de modo a poder passar as 3 semanas que tenho pela frente sem um minimo de preocupacoes.
Levo voces todos no coracao e, claro, mais tarde partilharei convosco os detalhes desta aventura africana. Certo, nao vou de passeio, mas sim emtrabalho, mas havera tambem tempo para conhecer um pouco do Kenya, tambem do ponto de vista turistico.
Bom, espero que estejais todos bem.
A foto que coloco aqui e' uma repetida, cerio, mas como gosto tanto dela nao resisti; exprime o amor que tenho pela vida, a qual e' um "spagehtti delicioso".
Um abracao amigo e
Asante (obrigado em swahili) e "choo iko wapi?" (onde e' a casa de banho?).. eheheheh
Sao duas das expressoes que irei aprender no aviao antes de aterra em Nairobi...
Vosso mano e amigo

Alvaro

Tuesday, January 02, 2007

Final de 2006...


Yokkok, 30 Dezembro 06

Anyong, anyong.
Antes de mais, quero dizer-vos que as fotos que acompanham este meu texto nada têm a ver com o texto; são simplesmente algumas que encontrei na net e que adoro, pois são muito loucas. Sim, sem uma boa dose de loucura, a vida torna-se chata e monótona, verdade?

Pois é, e tá mais um anito prestes a dar o berro. Parece mentira, mas este 2006 passou a correr; pessoalmente, foi um ano inesquecível, pois fiz experiências únicas e memoráveis, sobretudo as viagens `a Mongólia e Tailândia. As fotos da tailandia, que são imensas, colocarei depois, com calma, num sito na net e comunicar-vos-ei a localizacao do mesmo. Bom, como comunidade, a nossa conferência de delegação (encontro de vários dias que programa, em traços, os nossos objectivos para os próximos 6 anos) foi um dos momentos centrais, bem como a visita aos nossos colegas missionários que estão na Mongólia.
Sinto-me bem, pois estou crescendo como missionário, cristão e ser humano; fiz também vários erros, como é natural, mas espero aprender com eles no futuro, seja em comunidade que com algumas pessoas. O trabalho que faço, sobretudo com a revista e sua difusão, continua a fascinar-me, continuo a dar o meu melhor, mas reconheço que devo dar-me muito mais, sobretudo `a língua, pois um só pode fazer mais e melhor se dominar a língua mais e melhor. Mas por dominá-la um pouco mais do que o ano passado, o volume de trabalho também aumentou consideravelmente durante 2006.
Amo este país e as suas gentes; continuarei por cá ainda por mais uns anitos, creio. Mas não espero ficar muitos mais... A ver vamos. Os meus colegas estão bem; actualmente, estamos empenhados em vários campos: animação e promoção missionária, diálogo com outras religiões e inserção entre os mais pobres. Nesta terceira área, estamos actualmente à procura de uma casa e actividade para reiniciarmos a terceira comunidade, a qual está ligada aos pobres (não so' materiais, mas a pessoas que sofrem por causa de lhes faltar algo: por exemplo, os trabalhadores estrangeiros, muitos dos quais ilegais e que sofrem imenso a vários níveis). Estivemos alguns anos num bairro de lata em Seúl, mas por razões várias, decidimos deixá-lo e iniciaremos, se Deus quiser, na segunda metade de 2007 numa nova diocese, a norte de Seúl.
Planos para 2007? Não tenho muitos, pois vou vivendo a vida ao sabor... do vento de Deus, ou seja, deixando-me levar pelos seus planos, os quais têm sido impecáveis. Mas tenho já o trabalho programado ate inicio de Março, pois começarei a vender o livrito da Quaresma em várias paróquias, antes e depois da viagem ao Quénia (de 15 de Janeiro a 4 de Fevereiro). Creio que vos tinha já dito que ia à África, verdade? É, estou a ficar menos jovem também. eheheh Bom, a partir de Março darei uma mão a um padre coreano meu amigo, o qual conheci faz uns 7 anos, pois veio para a paróquia onde iniciei o meu apostolado do fim-de-semana, ou seja, de ajudar o pároco. Irei ajudá-lo fazendo-lhe uma missa ao domingo sempre que puder. Fui fazer a missa de Natal na nova paróquia dele e irei no dia de Ano Novo. Também ali creio que ele fará muito bem, pois no dia de Natal fomos almoçar depois da missa com os membros do grupo coral da missa principal e constatei que havia um o timo ambiente e que entre ele e os fieis as coisas irão certamente correr bem.
De momento, estou finalizando o material para o próximo número da revista, pois estarei ausente por 3 semanas e não quero depois estar no Quénia com preocupações acerca do trabalho, como é evidente. Mas como não só de trabalho vive este homem, mas de muitas coisas mais, sobretudo de experiências humanas e espirituais, irei hoje almoçar com um casal amigo coreano que no início deste mês regressaram do Brasil. Ele trabalha para uma empresa coreana, a qual tem filial em São Paulo; ela acompanhou-o… e entretanto nasceu-lhes o primeiro filhote, ou seja, o meu novo “sobrinho”. Sim, porque para mim são como manos; ela fala português muito bem e foi, aliás, a primeira amizade que fiz aqui na Coreia, pois alguns meses após a minha chegada na Coreia era evidente que não sabia patavina de coreano ainda. Na altura, ela trabalhava no Centro Cultural Português (mais uma boa desculpa para o nosso Estado português esbanjar dinheiro!), o qual depois fechou uns anos mais tarde. Estou ansioso por conhecer o filhote, claro, pois adoro crianças. Depois mostrar-vos-ei a foto deles…
Pois é, parece incrível e mentira, mas é verdade… pelo menos para mim: 2006 passou num abrir e fechar de olhos!!! Como dizia o outro, só passa rápido quando se está bem. Na verdade, não me lembro de nenhum ano mau, pois confesso que o nosso Amigão tem sido fenomenal e extremamente generoso para comigo, a todos os níveis. Embora não beba vinho, gosto de usar o vocabulário a ele associado e dizer que o vinho da vida tem melhorado de ano para ano; certo, cada colheita é especial, única e irrepetível, mas ao mesmo tempo o sabor vai melhorando com o passar dos anos. Como tal, agradeço a Deus pelo dom da vida, da minha família e amigos (cada um de vós incluído), da minha consagração, da Coreia e desta minha aventura missionária. Sou imensamente feliz, mas parte do trabalho que faço lembra-me que nunca se é feliz a 100%, nem sequer a 70% quando há uma parcela imensa da humanidade que sofre de forma atroz, desumana e, em muitos casos, com violência e sofrimento inimagináveis. Sim, falo do facto de, como editor da nossa revista aqui na Coreia, ler muitos artigos noutras revistas missionárias que descrevem situações que, infelizmente, quase nunca são notícia nos mass média comuns, porque dominados por interesses dos grandes e poderosos. Ainda hoje pesquisei várias revistas, procurando artigos para usar depois, e por várias vezes me deparei com fotos e artigos verdadeiramente chocantes. Mas a outra parcela do mundo só se preocupa com coisas estúpidas e fúteis como reality shows e tantas outras porcarias e vaidades. Certo, não quero estar a fazer um sermão, mas gostaria sim de vos convidar a rezarmos por mais paz, mais justiça, mais respeito pelos direitos humanos, mais tolerância em 2007. Mas não nos esqueçamos que não podemos nem devemos sonhar um mundo melhor se o nosso pequeno mundo não muda; e a mudança não deve começar pelo outro ou pelos outros, mas sim por mim.
Olhando para 2007, estou certo que o nosso Amigão me concederá mais pessoas e experiências que ficarão para sempre gravadas no meu pc (=coração). Como venho fazendo há muitos anos, nunca lhe peço nada para mim, mas sim para os meus mais queridos e para todos os que me pedem oração, pois sei que Ele me dará sempre algo inesperado. Neste 2006, uma das mais belas e inesperadas surpresas foi vir a saber desta viagem que farei ao Quénia. Será um encontro dos editores das revistas missionárias do nosso Instituto; terei a oportunidade não só de conhecer a África, mas de encontrar colegas que não via há montes de tempo. Participaremos também no Fórum Social Mundial (será de 20 a 25 de Janeiro, em Nairobi), algo que nunca sonhei me acontecesse! Mas tenho também mais uma surpresa para vos contar… só que a deixarei para o próximo blog, senão ficais a saber mais do que eu!!!! Não, assim é da maneira que se cria um certo suspense…
Bom, acho que já escrevi demais. Para os que não adormeceram, desejo-vos uma óptima, alegre, ruidosa e divertida passagem de ano. Para os que irão acordar, faço-vos os mesmos votos, pois sou contra a discriminação. Eu irei passá-la no centro de Seúl com alguns colegas meus… caso o frio não os assuste e os faça desistir de me acompanharem. Se os meus amigos brasileiros cá estivessem, iria certamente abanar o capacete e o resto do corpo ao ritmo de um samba qualquer, mas como foram ao Brasil de férias… ficará para 2007.
Pessoal, que o nosso Amigão vos dê tudo de bem e de bom, especialmente um 2007 que venha de encontro às vossas expectativas.
Vosso mano tugacoreano
EU

Friday, December 01, 2006

Sobre a viagem `a Tailandia...










Yokkok, 2 Dezembro 06

Anyong, pessoal!
Pois é, tava a ver que não… mas sempre acabei arranjando um tempinho para actualizar este meu blog. Dado que tenho trabalho para adiantar devido à minha primeira viagem ao continente africano, acabo os dias sempre cansado ou então aproveito para sair e encontrar amigos ou fazer mais coisas relacionadas com o trabalho.
Mas eis que hoje tenho um tempinho… e não o vou desperdiçar.
Bom, relato-vos então, mas não tão extensivamente como fiz a quando da viagem à Mongólia (senão adormeceis!), o conteúdo da minha viagem de “negócios e prazer” à belíssima Tailândia. Sim, fiquei deveras apaixonado por este país… e não pude visitar as zonas de praia, senão então é que ficava por lá!!! Começo então pelos “negócios”, ou seja, o motivo principal da minha visita a este país incrível. Só um parêntesis: se algum dia tiverem a oportunidade de visitar a Tailândia, não a deixeis passar, pois não vos arrependereis! Claro, caso alguém a tenha é favor dar um salto aqui ao Extremo Oriente, pois afinal só são mais 5 horitas de avião.
Bom, começando pelos “negócios”…

O primeiro congresso missionário da Ásia contou com a presença de cerca de 1047 delegados de cerca de 25 países, bem como observadores de outros continentes. Entre os participantes estavam missionários que trabalham na Mongólia, entre eles um colega meu de Instituto, o Giorgio Marengo; como podeis imaginar, foi muito bom ter um da “família” no meio daquela multidão. Haviam também mais 2 tugas, combonianos que trabalham nas Filipinas. Quanto aos que foram aqui da Coreia, só conhecia uma senhora que faz tradução para a nossa revista; os restantes, cerca de 15, fui conhecendo aos poucos. Infelizmente, o único bispo coreano que deveria ter participado, juntamente com os 60 e tal que lá estavam… não foi: cancelou à última hora!!! Para mim é um sinal do quanto a Coreia está muito pouco interessada na missão ad gentes. Fiquei instalado num quarto com um missionário mexicano que trabalha aqui na Coreia, muito simpático e que conhecia há já algum tempo; tivemos muitas conversas sobre a missão aqui na “nossa” Coreia.
Bom, após ter participado neste primeiro congresso missionário do vasto continente asiático (18-22 Outubro), regressei da Tailândia com o coração não só feliz como renovado no meu entusiasmo missionário. Sentir o coração missionário da Igreja presente na Ásia foi, de facto, uma experiência única. O resultado foi muito positivo e estou certo de que o próximo congresso será ainda melhor. É importante crescer na consciência do dever de contar a história de Jesus neste que é o maior e o menos evangelizado continente de todos, apesar de Jesus ter nascido nele. O I congresso missionário da Ásia teve lugar na cidade de Chiang Mai (norte da Tailândia). O tema, “Contar a história de Jesus na Ásia”, foi dividido em quatro partes: A história de Jesus nos povos da Ásia (dia 19); A história de Jesus nas religiões da Ásia (dia 20); A história de Jesus nas culturas da Ásia (dia 21) e A história de Jesus na vida da Igreja na Ásia (dia 22). O esquema dos trabalhos seguiu esta fórmula: apresentação do tema do dia da parte da manhã, com testemunhos vários relacionados com o mesmo. Da parte de tarde, espaço para a partilha por grupos de experiências pessoais sobre a missão, partilha que respondia a uma questão prévia. Antes do jantar, havia um resumo do dia com uma perspectiva teológica sobre o tema, a qual no meu parecer era desnecessária. Com uma agenda de trabalhos muito carregada, houve muito pouco tempo para os trabalhos em grupo. Eles são o mais essencial neste tipo de encontros, pois não é todos os dias que se tem a possibilidade de partilhar a própria experiência de missão com gente que trabalha em países diferentes. A organização prática esteve impecável. A nível de conteúdos houve um certo exagero: muita coisa para tão pouco tempo, tanto que a malta após 2 dias já acusava muito cansaço: basta dizer que a missa era às 6h da madrugada!!! E muitos iam dormir para lá da meia-noite, pois passava-se o tempo conversando e fazendo amizades, algo que é para mim o mais bonito e importante nestes encontros internacionais. Certo, a teoria é necessária, mas neste caso seria melhor dar mais tempo para que os participantes pudessem partilhar as suas experiências de missão, pois deu-se o caso de um ou outro orador nem sequer ser missionário ou não ter qualquer experiência no campo da missão… só tretas teóricas!Creio que a imagem da Ásia apresentada foi muito uniforme, muito longe da realidade. Não há uma Ásia só, mas sim um complexo de realidades muito diferentes umas das outras. É o caso do diálogo inter-religioso, que tem resultados muito diferentes de país para país.
Resumindo e concluindo, foi um dom imenso do nosso Amigão este do poder ter participado neste acontecimento histórico da Igreja na Ásia.

Bom, veio depois o “prazer”: no dia em que terminou o Congresso, por volt das 2h da tarde, juntei-me a muitos que aproveitaram o facto de ser grátis para fazer um tour da cidade de Chiang Mai; embora só tenha dado para ver uma pequena parte da mesma, foi muito bom. No dia seguinte, fiz um tour de um dia, juntamente com 3 missionários mexicanos. Fomos até norte, à fronteira com Burma e Laos, ou seja, ao famoso “Triângulo Dourado”, no qual no passado se faziam transacções de droga. O passeio foi espectacular, sobretudo pelas paisagens. Adorei! Claro, fiz fotos até dizer “basta”! No dia seguinte, 3ª feira, visitei ainda parte da cidade de Chian Mai; da parte da tarde, apanhei o voo para Bangkok. Cheguei à casa dos missionários italianos do PIME à noite, pois ficava muito longe do novo aeroporto da capital. Precisamente por esta razão pedi para que me encontrassem lugar para ficar no centro de Bangkok, para onde fui na 5ª feira, 26 Outubro. Bom, o dia 25 passei-o com o padre Adrianao, missionário há 32 na Tailândia e que nos últimos 9 anos tem feito uma experiência muito bonita e significativa em vários bairros-de-lata da zona; visitei casas-família para crianças destes bairros, como pessoas que, sendo dos bairros, ajudam outros mais pobres. Recebem uma especial de “salário”, de modo a serem incentivadas a darem o seu melhor com fidelidade. Encontrei algumas destas pessoas e foi incrível poder ver o quanto amam fazer o bem, sempre impulsionadas pelo padre Adriano. Na Itália, estes missionários do PIME têm cerca de 2000 famílias que participam num programa de adopção à distância, programa que possibilita o projecto das casas-família para as crianças pobres, de modo a que elas possam frequentar a escola e serem bem sucedidas na inserção futura na sociedade. Claro, sendo director de uma revista missionária, o objectivo desta visita era também de preparar material para depois inserir na nossa revista, algo que comecei já a fazer. Com a viagem ao Kenya farei precisamente o mesmo, claro!
Bom, como o discurso já vai longo, resumo a última parte: fui então para Bangkok, onde fiquei hospedado nos missionários franceses do MEP. Tive de desenferrujar o meu pobre francês, embora todos falassem inglês também. Visitei a cidade quase toda, pois tive quase 4 dias; ADOREI AO MÁXIMO!!! Os templos são espectaculares e a cidade, se munidos de um bom mapa, é de fácil conquista. O único “senão” é a poluição atmosférica e Sonora, sobretudo causada pelas moto-táxi (chamadas Tuk-tuk). Visitei tambem o famoso "mercado flutuante", ou seja, um mercado feito de barcos num canal; foi uma das experiencias mais memoraveis desta minha viagem; ficava a uma hora de Bankgkok. Claro, durante a minha estadia fiz uma carrada de fotos; colocarei todas ou quase num sito e depois avisar-vos-ei, de modo que possais desfrutar do melhor que por lá vi e fotografei.
E pronto: fico por aqui. Muito mais haveria para contar, mas fica para quando nos encontrar-mos, certo? Fecho este texto e escreverei o seguinte, contando-vos o que tenho feito desde o mês passado. Incrível, já estamos em Dezembro!!! Também por cá se sente o cheiro forte a… Natal, se bem que para os “indígenas” daqui isto seja pura e simplesmente sinal de CAPITALISMO! Enfim…

As fotos que coloco agora são relativas ao Congresso Missionário; no próximo texto colocarei mais fotos.
1. Eu com P. Giorgio Marengo
2. Lideres religiosos: bispo catolico, monge budista e lider musulmano
3. Eu com bailarina indiana
4. Eu com indigena tailandesa
5. Bispos com criancas que fizeram um teatro sobre catolicismo na Tailandia: foi "divino"
6. Eu com outros tugas (o segunda da esquerda e' indiano)
7. Eu com um indonesiano em trajes nacionais tribais
8. Uma das belissimas bailarinas locais
9. Um simpatico casal da tribo Aka (Tailandia)

Tuesday, November 07, 2006

E o tempo vai passando...

Yokkok, 7 novembro 07
Anyong, malta!!!
Ola a todos. Pois e', ainda nao tive tempo para partilhar com voces o diario da minha viagem `a Tailandia, mas prometo que esta' para proximo. E' que estando eu ocupado com a revista, a qual tem prioridade sobre outras coisas, o tempo foge-me das maos... Prepararei tambem as fotos que la' fiz, varias centenas (nao digo milhares para nao vos assustar; claro, varias ficaram mal ou desfocadas, mas espero em breve substituir a maquina fotografic, pois esta e' fraquinha); coloca-las-ei no site do web-a-photo, de modo a que possais conhecer um pouco deste belissimo pais asiatico.
Hoje tive mais um dia bastante preenchido, sobretudo com o senhor da grafica onde a nossa revista e' produzida: estive quase duas horas com ele corrigindo e acertando detalhes no nosso calendario missionario 2007, o qual ofereceremos a amigos e benfeitores. Tambem estou preparando o boletim para os nosso benfeitores, o qual servira de cartao de Natal; e', este ano decidi nao fazer o meu habitual, pois simplesmente nao terei tempo, ate porque em Janeiro irei ao Kenya, o que implica mais trabalho, pois terei de deixar muito material preparado antes de ir. De qualquer modo, este cartao inserido no boletim nao deixa de ser meu, pois a foto da capa e' minha, tirada precisamente na Tailandia, quando estava visitando a tribo dos Aka, no norte do pais. Depois irei coloca-la aqui tambem...
Bom, faz tempo que tenho um texto muito engracado sobre frases famosas, enviada por um amigo meu, o Nando, dos nossos jovens leigos da Consolata, comunidade de Ermesinde. Assim, aproveito estas frases que estao DEMAIS para que possais rir e relaxar um pouco . Colocarei tambem algumas fotos comicas ( a minha preferida e' a da miudita que ameaca o irmaozito: esta' ESPECTACULAR!!!), encontradas aqui e li na net... pois a vida nao deve ser tomada muito a serio, verdade?
Bom, espero que gosteis e prometo estar para breve o meu diario, ok?
Aqui vai o texto... Algumas sao "politicamente incorrectas", mas nunca fui politicamente correcto, por isso acho que estao o maximo!!!

FRASES E AUTORES

Incomodam-me as pessoas que não dão a cara (Anónimo)
Vamos por partes (Jack, “O Estripador”)
A minha esposa tem um bom físico (Albert Einstein)
Eu comecei por roer as unhas (Vénus de Milo)
Nunca pude estudar direito (Corcunda de Notre Dame)
Ser cego não é grave, pior seria ser negro (Stevie Gonder)
Sempre quis ser o primeiro (João Paulo II)
Quando te foste, deixaste-me um sabor amargo na boca (Monica Lewinski)
Hás-de pagar-me (Fundo Monetário Internacional)
Basta de realidades! Queremos promessas! (os pobres)
Batemos a concorrência (Moulinex)
O leite engorda (uma grávida)
Tenho um coração de pedra (uma estatua)
Não mais derramamento de sangue (Tampax)
Tenho nervos de aço (Robocop)
O automóvil nunca substituirá o cavalo (a égua)
Mamã, eu sei tudo (dicionário “O Pequeno Larousse Ilustrado”)
Tenho um nó na garganta (um enforcado)
X (um analfabeto)
O meu noivo é um Monstro (a Bela)
Gosto da humanidade (um canibal)
Não vejo a hora de me ir (um cego)
Basta de humor negro (Ku Klux Klan)
A minha noiva é uma cadela (Pluto)
És a única mulher da minha vida (Adão)
Avariou-se o despertador… (Bela Adormecida)
É melhor dar que receber. (um boxeur)
Levantarei os caídos e oprimirei os grandes (o soutien)



Um abraco a todos e que o nosso Amigao vos mantenha sempre no Seu amor
Vosso mano tugacoreano

EU