Tuesday, July 31, 2007

Primeiro dia em Maputo...

Moçambique, 24 Julho

Olá de novo, minha gente!

Mais um dia nestas belas terras africanas, recheado de mais reencontros com velhos amigos após vários anos. É muito bom poder recordar o passado, pois ajuda-me a dar ainda mais valor ao que Deus tem operado em mim ao longo da minha vida, sobretudo através das pessoas que Ele foi e vai colocando no meu caminho. Bom, após uma boa noite de repouso, fiquei com o cabedal em condições normais, pronto para viver mais um dia cheio de reencontros, descobertas e sentimentos de imensa alegria e gratidão.

Parte da longa avenida 24 de julho, onde está situada a casa regional O padre Artur Marques, tuga e superior da nossa região de Moçambique, levou-nos a visitar algumas das paróquias em torno de Maputo, nomeadamente Machava (onde trabalham 2 padres colombianos e existe a Rádio Maria, a qual emite para várias regiões do país) e Liqueleva.

Aqui estamos: padres Zé Martins, Marques, 2 colombianos e eu


Nesta trabalham os padres Forner (italiano, que no tempo em que entrei no seminário em Ermesinde, tinha eu 13 anos, era formador no nosso seminário do Cacém... e não o via desde então!!!) e o Hélder Bonifácio, o qual esteve vários anos comigo no seminário; não o vi ali, mas sim no noviciado.

Esta é a igreja da paróquia de Liqueleva

Depois de ver as instalações da paroquia, fomos almoçar à casa regional. A tarde foi então dedicada a visitar o noviciado. No noviciado é formador um outro tuga, padre João Nascimento, o qual esteve em Londres aprendendo inglês quando eu lá estudei. Estava também o tal Hélder, o qual trato por Sua Eminência, pois gosta de se armar em bispo (na brincadeira, claro). Estava baixote e ainda mais redondo de quando o vi pela ultima vez, e com o riso e bom humor característicos dele.


Cá estamos: Carlos Matias, Helder, eu, João Nascimento, Carlos Alberto e Zé Temos 11 noviços, 2 dos quais moçambicanos. Tomamos um café e recordaram-se peripécias de tempos passados.

Estes miuditos são dos que estavam ali no recinto do nosso noviciado cantando e preparando alguma festa... EstesEra óptimo estarmos ali todos malta nova, mas ao mesmo tempo lamentava termos tão poucos em Portugal: passei por lá em Maio, como sabeis, e aquilo anda mau, pois há muitos missionários com idade avançada e poucas forças jovens, o que implica meno9 actividade missionária.

"Loja de móveis" ao ar livre em Maputo


Bom, dali fomos dar um passeio pela marginal, pois Maputo fica ao lado do mar; a vontade de dar um mergulho era enorme, mas... ficará para outra ocasião ou lugar.

Eis uma parte da marginal de Maputo...


Antes de irmos jantar fora, ajudamos o Simão Pedro e Magalhães a carregarem o jipe com material vário para a missão onde trabalham, que se chama Macanhelas e está situada a 3 mil e tal km de Maputo; diziam que levam cerca de 3 dias a chegar lá, parando em varias missões nossas pelo caminho. Sim, a missão aqui em Moçambique é ainda muito do estilo antigo, muito diferente, por isso, da missão na Coreia. Fomos depois jantar juntos, tugas e um irmão italiano, a uma pizzaria ali perto; escolhi a portuguesa, a qual estava 5 estrelas. Claro, ao contrario de ontem comi a minha e mais um pouco de outras. Como as faziam ao estilo italiano, estavam na verdade 5 estrelas. Mais uma vez, passamos um bom bocado em alegre cavaqueira. Ainda antes da nana, entrevistei o Simão e o Magalhães para a nosso revista coreana; é, não estou só passeando e visitando locais e pessoas, mas também preparando material para a nossa revista coreana. Junto, assim o útil ao agradável.

Aqui estou eu com o Simão e o Magalhães

Pois é, estar aqui em Maputo é mais um sono alcançado, pois tendo sido uma colónia tuga, muitos dos nossos missionários tugas trabalharam ou trabalham cá e, como tal, de certa forma conhecia já este país desde puto. Até cheguei a sonhar com trabalhar em África, mas depois veio a vontade de ir para a América Latina (nos tempos da teologia em Londres), ate que me decidi pela Ásia, onde trabalho faz quase 11 anos e me sinto muito bem. Ou seja, optei por um tipo de experiência que na altura e ainda hoje é novidade no nosso Instituto, pois gosto de experimentar e viver coisas diferentes. Estar na Coreia é como nascer de novo, em todos os aspectos, e eu adoro esse tipo de situações.

Bom, as ovelhas estão já prontas para serem contadas. Com o cansaço que tenho não será difícil dormir...

Wednesday, July 25, 2007

From Mocambique with love e saudades...

Moçambique, 23 julho 07

Olá, minha gente! Pois é, mais um outro sonho que se torna realidade; é tipo “paga um, leva dois”. Sim, quando vi que o percurso mais barato para chegar ao Brasil seria pela África do Sul, perguntei ao meu mano Zé Martins se seria possível dar um salto a Maputo, dado “ser ali ao lado”. Respondendo ele que sim, acalentei então essa possibilidade, a qual se tornou realidade... e por 2 dias inteiros! Pois é, cá estou eu em Moçambique! Assim, conheço não só parte da África do Sul, como a capital de Moçambique. Mas é o facto de reencontrar velhos amigos o que mais valorizo, bem como conhecer o que eles fazem por cá. Certo, conhecer mais um país é óptimo, De facto, irei entrevistar dois deles para a nossa revista, juntando assim o “útil ao agradável”. A grande surpresa de hoje foi estarem cá em Maputo dois colegas meus que não via faz anos, sobretudo o Magalhães, o qual conheço desde os 11 anos!
Do início: de manha, o Zé Martins chegou cedo a Damesfontein, podendo nós assim partir antes do meio dia para Moçambique.

Ca estamos prontos a sair rumo a Mocambique. O espaco do meio e' o meu...

Quando regressar aqui, irei então com o Zé conhecer a missão onde trabalha, perto da cidade de Newcastle. Certo, adoraria poder conhecer mais este país, bem como Moçambique, mas estes dias são já uma “prenda” muito boa do nosso Amigao. Ainda por cima porque não estava nada à espera de poder ir a Moçambique! Bom, a viagem para cá passava por um outro país, a Swazilândia, um pequeno reino independente, muito pobre e “usado” pela África do Sul, sobretudo para fins comerciais e enriquecimento.


Mapa da Swazilandia e ponto onde iniciaomos a atrevssia desta nacao


O rei desta pequena nação é famoso por, segundo a tradição, escolher uma mulher ou esposa cada ano, com cerca de 19 anos. Há algumas com quem não pode ter relações sexuais; assim, lá vai abusando deste poder de forma descarada. De facto, parece que é milionário, enquanto que o “Zé Povinho” vive na desgraça. É um país bonito, mas muito pobre e sem grandes ou nenhuns recursos. Parámos num supermercado para comprar umas coisitas para o tacho; parámos depois numa berma, debaixo da árvore, para “devorar” pão e frango “churrascado”, regados com sumos.


Estamos a preparar o ataque ao frango...


A fronteira com Moçambique aproximava-se e já me imaginava chegando a Maputo. Só que... estava tudo a correr (desde que saí da Coreia até agora) tão bem tão bem que... o nosso Amigao “decidiu” mudar de ideias. Assim, chegando à fronteira, os tipos embirraram com o Carlos Matias porque o carro, que é propriedade da diocese de Dundee, não tinha o papel que autoriza que o mesmo seja levado para fora do país. Assim que após termos tudo pronto e carimbado para passarmos a fronteira... tivemos de voltar para trás e andar “desesperadamente” à procura de um fax: deveríamos pedir a dita autorização à diocese. Só que, para cúmulo, era feriado no reino da Swazilândia, assim que estava quase tudo fechado e... nada de fax! Assim, dado que as horas passavam e o sol começava a preparar-se para ir acordar os do outro lado do planeta, decidimos tentar passar a fronteira directa entre a África dó Sul e Moçambique. Assim, a toda a velocidade lá fizemos mais quase 100km para chegar a Nkomati Port, ou seja, ao posto fronteiriço. Chegamos lá por volta das 7h da tarde, mas caso não houvesse havido o contratempo, poderíamos ter chegado a Maputo pelas 4h e pouco.


Valeu-nos, para relaxar, rir muito 'a custa de tabuletas como estas... Ate' os bois precisam de estar alertas com a sida!!!


Mas a esperança estava ainda bem viva e, como tal, sabíamos que o nosso Amigao iria estar sempre do nosso lado. Deixamos entao a Swazilandia e voltamos a entrar na Africa do Sul.E assim foi: os papéis para o carro foram conseguidos sem problema e o visto de entrada não demorou a ser obtido. Assim que lá entramos em Moçambique, cansados mas felizes da vida. A noite encobria-nos, mas estávamos já no outro lado da fronteira, por isso não faltava muito para chegarmos à nossa casa regional, pois a fronteira esta a cerca de 90 e tal km. Qual foi então o meu espanto ao ver duas caras muito conhecidas e, mais ainda, inesperadas quando chegamos cá à casa regional: o Magalhães, que mencionei em cima, e o Simão Pedro. O primeiro é de Ermesinde (norte de Portugal) e o Simão da Trofa; o irmão mais velho dele foi colega meu e do Magalhães no seminário de Ermesinde, que foi o primeiro que frequentei. Assim que podeis imaginar a minha alegria. Quanto aos outros colegas padres, estava já a contar revê-los, mas mesmo assim senti também muita alegria, pois fazia anos que não os via.
Ora, tendo nós chegado tarde, o Carlos Alberto tinha ido comprar umas pizzas; ficaram todos admirados por eu não ter comido a minha toda. Eheheheh Mas a razão é simples: fiz toda a viagem sentado torto, porque a carrinha em que viemos é de caixa fechada e... no lugar de 2 vínhamos 3. Dado que o Zé tem problemas de coluna, tocou-me a mim ir no meio, ou seja, “ensanduichado” entre os dois, ainda por cima com a alavanca da caixa das velocidades a roçar a perna; esta ficou paralisada varias vezes, adormecendo a cada hora. Mas valeu a pena aguentar o sacrifício, pois assim vínhamos sempre na conversa, contando também aventuras de tempos passados. Assim, estando cansado não deu para comer muito; eu queria era mesmo descansar e esticar o pernil! Depois da janta, a conversa foi longa, como não podia deixar de ser; estávamos vários missionários tugas, recordando bons e velhos tempos. Enquanto falávamos, eu olhava para cada um deles e agradecia o nosso Amigao pelo dom de cada um, pelo que vivemos juntos no seminário em tempos idos e por estarmos agoira novamente juntos, após tantos anos. Foi esta a minha oração de fim de dia, um dia que começou meio incógnito, com muitos kms feitos por 3 países, com alguma preocupação pelo meio, mas sempre vivida com espírito de aventura; afinal, estava com 2 tugas experientes de África e com o nosso Amigao sempre a meu lado.
Estou em Moçambique, malta. A Coreia parece estar tão longe... e está longe, na verdade. Porém, bate uma saudade de vez em quando, pois afinal a Coreia é a minha “terra”. Mas estou a adorar ao máximo esta experiência memorável, pois tem sido, como outras no passado, uma experiência muito positiva e enriquecedora. Amigao, bem hajas pelo teu amor e presença na minha vida através destes meus manos e destes países e experiências que me tens proporcionado.
Malta... ficai bem e que Ele vos abençoe, sempre.
Vosso ...

Tuesday, July 24, 2007

As vozes dos coros celestiais...

África do Sul, 22 julho

Sanibonani, pessoal!
Pois é, como sabeis o tempo passa muito rápido quando se está bem. Hoje foi mais um dia que confirma esta “sabedoria”. Bom, comecei o dia cedinho, com missa na capela de Lothair com o nosso padre Matias. Não concelebrei com ele, porque queria fazer fotos, tal como na segunda missa. Esta é uma capela pequena, mas com uma comunidade dinâmica. São quase todos habitantes de “locations”, ou seja, bairros de lata, uns mais perto e outros não da capela. A assembleia era constituída por uma mistura de idades, mas o que mais me impressionou foi o canto!!! Depois de os ter ouvido cantar, só a vozes, fiquei ainda mais com a convicção de que... os coros celestes são africanos!!!

Mas a cantora oficial do Paraíso é a Enya, claro! Adorei mega! Dizia-me o padre Matias de que são os coros, mais do que as homilias dos padres, o que verdadeiramente atrai as pessoas à igreja, pois o africano gosta de cantar e dançar por natureza.


Alguns vão à igreja pelos cantos e só depois é que eventualmente se convertem. Esta zona é zona zulu: estavam várias senhoras de idade com os típicos trajes zulu, boinas incluídas. Bom, fiz também bastantes fotos, mas após a missa tivemos que ir à missão buscar os outros cartões de fotos (photocard), pois o que eu tinha na máquina era o mais pequeno e estava já cheio.


Dali fomos para a segunda missa, na capela de Diepdale, que fica muito perto da fronteira com a Swazilândia, país que confina com o Moçambique. Aqui a missa foi de funeral, com o caixão da jovem de 27 anos, de uma família onde já outras duas irmãs tinham morrido, todas elas de sida e esta também.


De facto, a sida é a grande epidemia actual da África do Sul e de muitos países africanos. Pude assim assistir ao rito do funeral zulu, o qual tem as suas particularidades. Esta foto foi tirada durante a missa...


Foi muito interessante, se bem que um momento triste, claro.

Bom, a hora ia passando e eu a ver que o Matias não estava nada preocupado com o... tacho!!! Na foto, ele esta levando alkguns dos fieis que participaram na missa e no funeral a casa.

Ehehehehehe De facto, só chegamos a casa depois das 4h da tarde e só então pude comer algo, pois... eles não almoçam por regra! De facto, não me lembro de ter comido uma sandes tão deliciosa quanto a de amoras silvestres que devorei com paixão e fome. Damos tantas coisas por descontado e não sabemos agradecer o quanto Deus nos dá, desde algo tão simples e essencial como é comer e poder comer. Assim, fomos ainda visitar outras três capelas, incluindo a de Mayflower, que seria em teoria a paróquia central da missão; há uma pequena comunidade de freiras sul-africanas lá. A semhora desta foto mostra uma das coisas que mais me surpreendeu, tal como no Kenya: a quantidade imensa de gente que tem telemovel!


Pelo caminho, das muitas criancas que vimos consegui fotografar esta...


Voltámos então para a missão, onde o padre Ettore, italiano, nos preparou uma saborosa janta. Ele pertence a outra comunidade e está cá na África do Sul há mais de 30 anos, creio. Ca estamos nos no momento da janta...Esta missão é a única que se encontra numa zona completamente rural, mas parece que irão fechá-la no ano que vem. O colega habitual do Matias não está cá e não creio que o irei encontrar, pois sairei desta comunidade na 6ª feira de manha.

Nao podia deixar de tirar esta foto ao por-do-sol sul-africano...


Bom, o sono chama-me; não é chuva, não é vento, é o sono...
Ficai bem e até amanha.

De novo em Africa... mas e' outra Africa.

Africa do Sul, 21 Julho 2007

Sanibonani (Olá), minha gente!
Pois é, cá estou eu na África o Sul, de passagem para o Brasil. Deixei ontem a Coreia às 8h da noite, após um dia em cheio. De facto, acabei tudo no último minuto: terminei coisas relacionadas com a revista, limpei o meu quarto e arrumei a mochila antes do tacho, após este, tive ainda de preparar dois cds com várias fotos sobre a Coreia para depois mostrar aos meus colegas, tanto aqui como depois no curso do Brasil. Foi mesmo uma semana em cheio, mas consegui deixar tudo arrumado de modo a não me preocupar com nada relativo ao trabalho até Novembro. Faltam só umas coisitas, mas no Brasil terei tempo de as fazer. No vôo para cá comecei a escrever a introdução ao livro de meditações sobre a Quaresma do… ano próximo, de modo a aproveitar o facto de não conseguir dormir sentado. Receava ter de correr em Hong Kong para apanhar a ligação para cá, mas felizmente o avião chegou 40 minutos mais cedo e pude assim embarcar a tempo e sem pressas. Interessante foi ver como quanta gente viaja hoje em dia: não é só quem tem dinheiro, ou trabalha em grandes empresas, ou… nós missionários (que também somos muito ricos!) mas muita mais gente viaja mesmo! Havia mesmo um grupo consistente de coreanos viajando para cá, pois desde que a Coreia se “abriu” ao mundo, eles começaram a correr o mundo todo, quase tanto como os japoneses. Pena é que esta mistura de raças, gentes e culturas, sinal da criatividade e diversidade de Deus, não sejam encaradas como dom pelos poderoso e outras “bestas” como Bush e amigos, pois assim tenho a certeza de que não haveriam guerras nem conflitos, mas sim tolerância, respeito, entreajuda e complementaridade entre os povos, raças e culturas deste nosso planeta. Tenho repugnância contra tudo o que é fundamentalismo, não só o dos terroristas (Bush incluído) e potências militares, mas mesmo na nossa Igreja católica, etc.
Bom, aterrei em Joanesburgo às 6.35h desta manha; estavam à minha espera os meus colegas da Consolata, padres Zé Martins (que trabalhou cá faz anos e, após ter trabalhado vários anos em Portugal, regressou faz 2 anos) e o Carlos Matias, que está cá vai para 14 anos e que eu não via há muitos. Fomos para a casa que é a sede de delegação deste nosso grupo de missionários (são 10 actualmente), onde estava o superior.
Com os tugas Ze Martins e Carlos Matias, mais o superior Tarcisio Foccoli

Tomámos o pequeno-almoço, mas como eu tinha já comido algo no avião, pensava que era hora... do almoço, pois era isso que o meu corpo me “dizia” e, claro, a mente estava confusa, para além de cansada. Ali, temos um paróquia, mas não deu para encontrar o nosso missionário italiano que é o pároco da mesma. Bom, após eu ter escrito e enviado uns e-mails aos meus colegas na Coreia e a todos vocês, vim com o padre Matias para a única missão que o nosso Instituto tem na zona rural, a cerca de 300km a leste de Joanesburgo; fica na diocese de Dundee e não muito longe de Moçambique! Novidade: na 2° feira irei precisamente… a Moçambique com eles os 2!!! O padre Zé Martins vem ter connosco na 2° fira de manha para depois partirmos rumo a Moçambique. Assim poderei rever um grande amigo, o padre Carlos Alberto, e alguns outros padres nossos, bem como entrevistar um deles para a nossa revista. Aliás, farei o mesmo amanha aqui com o Zé Martins. È, assim junto o útil ao agradável, certo? Farei depois o mesmo no Brasil, de modo a adiantar serviço para o ano que vem, pois nesse... terei as minhas férias, se Deus quiser!
Telefonei também para minha casa e celebrei a missa com o Matias e uma senhora branca que vive aqui perto e que frequenta esta missão de Damesfontein. são cerca de 3 ou 4 as brancas, o resto são negros das redondezas. Há uma paróquia e vários salões aqui nesta missão, bem como uma escola que inicialmente era da missão, mas que agora está sob tutela do governo. Os meus manos daqui são também são encarregados de uma capela perto daqui, para lá de outras várias pequenas capelas espalhadas pelo território circundante. Amanha irei com o Matias fazer duas missas, uma delas de funeral.
Certo, estou a adorar isto tudo… e ainda só estou no primeiro dia. Os momentos que mais me marcaram hoje foram dois: o encontro com os 2 tugas que cá estão e o ter passado na estrada onde foram mortos, num acidente, um colega nosso tuga, outro da Tanzânia, um padre diocesano e um leigo catequista, também do Tanzânia, a 23 de Novembro de 1999. Seguiam num carro quando rebentou a roda de um camião que vinha em sentido contrário e este embateu de frente contra eles, arrastando-os por vários metros. Morreram todos os quatro.

Junto da cruz colocada no local onde faleceram os nossos missionarios

Bom, não imaginais o quanto bem me sinto: adoro viajar, como sabeis, e conhecer novas terras e culturas, pois nelas Deus se manifesta de modo muito concreto e diversificado.

A igreja da missao de Damesfontein

Mas sobretudo neste contexto de missão é óptimo poder encontrar irmãos missionários e ver em primeira pessoas o que fazem, pois estas realidades (de África e, mais tarde, da América Latina) são completamente diferentes da que vivo na Ásia. Relendo o titulo desta crónica de hoje, quero dizer-vos que a África do Sul é bem mais rica do que, por exemplo, o Kenya: basta dizer que aqui todos andam calçados (pelo menos os que vi até agora, mesmo os mais pobres. Depois, as estradas principais são todas alcatroadas e em muito bom estado, mais do que muitas em Portugal. É sem dúvida uma outra África, diferente da que conheci pela primeira vez no Kenya, no passado mês de Janeiro.
Bom, um padre nosso italiano está preparando a janta… e os meus olhos começam a queixar-se por não terem descansado como deve ser durante as mais de 15 horas da viagem. Amanhã há mais, ok?
Que o nosso Amigao vos abençoe.
Nisale kahle (Adeus)

Estou quase na Africa e America Latina...

Paróquia de WuaSu-Dong, 14 Julho 2007

Anyong, minha gente!!!
Pois é, faz “séculos” que não escrevo, verdade? Bom, nem imaginais o quanto cansado tenho andado; é que, estando eu a menos de uma semana de viajar para o Brazil (via Hong Kong e África do Sul) e sendo eu editor da nossa revista missionária (entre outras coisas), tenho andado a ultimar textos, fotos e entrevistas para os números que sairão durante a minha ausência. Como são 3 meses e 20 dias, não é pouca coisa… Mas tenho dado onta do recado, se bem que estou certo de que terminarei tudo tudo 5 minutos antes de partir para o aeroporto. Bom, regressando da Europa tinha montes de trabalho esperando para ser realizado, bem como propaganda missionária em 3 paróquias, pois correspondem às que eu faria caso estivesse cá; assim, estou no terceiro de 3 fins-de-semana seguidos de missas e apelos a que as pessoas se tornem nossas benfeitoras. O primeiro foi bastante extenuante, pois foram 4 missas inteiras e 6 homilias, mas consegui um ótimo número de assinantes. O segundo foi mais calmo, tal como será o deste fim-de-semana; esta é a paróquia de um padre meu amigo, com o qual trabalhei na minha primeira paróquia e que depois ajudei de vez em quando quando ele estava noutra paróquia. Mas estou mortinho por ver chegar domingo à noite, pois estes fins-de-semana missonários são muito cansativos: para além de ter de falar em coreano, repito mais ou menos a mesma homilia 4 ou 5 vezes, raramente 6. Mas vale a pena e é necessário, pois é da contribuição generosa das pessoas que a minha comunidade vive, em mais de 60%. Por isso, posso dizer que ando a “ganhar uma boa parte do pão” meu e dos meus manos. ahahahahahah

Com minha amiga Joelma na festa da Consolata (17 junho 07)




Com minha amiga coreana Agnese e amiga dela na festa da Consolata

Bom, sabis que faz hoje 11 anos que o antigo bispo do Porto me ordenou padreco??? Mamma mia, parece mentira mas é verdade; hà dias uma amiga, vendo uma foto minha de 1999, dizia “não acreditar” que fosse eu!!! Magrinho e jeitoso… Sim, os anos passam para todos, mas o importante é que passem bem. Não “choro” os anos passados, pois sou imensamente feliz aqui e agora, tal como fui no passado. Mas o que conta é o tempo presente e não vale a pena chorar, pois o tempo não volta mais; há sim que viver ao máximo o tempo imediato, o qual é sempre dom de Deus. Com o meu tempo, tenho não só feito o meu trabalho, como partilhado o dom da amizade com gente incrível que Deus tem colocado na minha estrada. Partilho com vocês quatro momentos recentes que são exemplos concretos, que são a actualização do amor que Deus tem por mim: a festa do dia de Portugal, a despedida da minha amiga Vitória, a nova casa da Sofia e o bébé da Stella e do Shiam.
Festa do Dia de Portugal: como acontece anualmente, neste dia os poucos tugas que por cá andam sao convidados para uma festa, mas… sao também convidados muitos embaixadores e “gente fina”, o que è uma autêntica seca. Mas como este ano o Pedro, meu colega tuga, está de férias, convidei duas amigas para virem comigo, pois estavam interessadas em comer e beber à tuga! Uma delas convidou outra amiga e assim lá fui eu com 3 belas donzelas (bem, uma è casada, mas como o marido me conhece e è católico, estava devidamente “autorizado”. Eheheheheh); é claro que apenas entrei na sala do hotel Hyatt e cumprimentei o novo embaixador e restantes membros da embaixada, me olharam de lado. Pouco depois, um coreano que è professor de português numa universidade em Pusan veio ter comigo, dizendo ter ouvido haver padres tugas aqui e perguntou-me onde estavam os… rapazes! Bom, lá me expliquei e, após ter ficado mais descansado, continuei a “atacar” a comida. Naturalmente, comi só bacalhau e frango, os quais estavam uma delícia. As minhas amigas ficaram muito satisfeitas e uma até abusou um pouquinho da poinga, pois eram todos vinhos tugas… rematando tudo com um porto muito bom. Antes de sair, apresentei-me devidamente ao embaixador, o qual se mostrou interessado em que, tal como faço com os brazucas, após o meu regresso façamos a missa em tuga na residência dele de vez em quando. Claro que fiquei muito contente, pois com o anterior a nossa (minha e do Pedro) relaçcao era muito boa e só nao deu para mais por falta de tempo. Mas este chegou faz 4 meses e temos, como tal, muito tempo pela frente para partilharmos experiências e outras coisas mais. A esposa dele vem em agosto.
Despedida da Vitória e Filhotes: Ela é uma amiga de longa data e com quem fico sempre quando vou a Pusan, a segunda maior cidade coreana. Tano que os filhotes dela me tratam por “tio”. Dado que ela irá para a China, onde já se encontra o marido, por 4 anos (o marido trabalha para a Samsung), aproveitei para me ir despedir dela, se bem que ela nao saiba ainda quando partirá: se no fim de outubro ou de novembro. Caso seja a segunda possibilidade, ainda a voltareoi a ver; certo, já me convidou para ir visitá-los, mas nao creio que tal seja possível. Espero, isso sim, que regressem de vez em quando. Também aproveitei para encontrar uma freirinha amiga de longa data e encontrar os pais de um nosso semina que está estudando em Roma e que veio de férias, juntamente com os outro 4 seminas coreanos que temos lá.
Nova casa da Sofia: dado que ela è o meu “primeiro amor” esta è uma das minhas amigas “especiais” e, como tal, inaugurar a casa dela com outra senhora (que è mae de um semina diocesano e cozinha muito bem) foi muito bom, sob retudo sabendo o quanto suor, dores de cabeça e crises de nervos lhe custou, por causa dos “merdas” de operários que lhe restauraram a casa, a qual foi comprada. De facto, os tipos nao fizeram bem o trabalho e ainda por cima usaram materias caros e que nao correspondiam ao que ela pretendia. Enfim, foi ótimo poder vê-la feliz, se bem que ainda hajam trabalhitos para fazer aqui e ali, mas certamente contratará outra gente. Assim, fomos para a “esplanada” jantar; como o tempo estava muito agradável, deu para uma longa cavaqueira.
Bébé da minha amiga Stella: esta è uma outra amiga coreana, casada com um simpátio indiano, os quais tiveram um bébé faz poucos dias. Infelizmente, ela sofreu um pouco, pois o bébé “teve de nascer” 15 dias antes por ela ter a tensao alta, creio. Mas o bébé nasceu bem, apesar de ser pequenino, muito pequenino. A tradiçao coreana proíbe que se veja o bébé antes dos primeiros 100 dias, mas como esta e muitas mais tradiçoes têm vindo a desaparecer, fui visitar o bébé antes de sair da Coreia. Claro, fiz várias fotos, até porque quero usar uma como capa do boletim que enviámos aos nossos benfeitores em dezembro. Serao a minha versao de Maria e do Menino Jesus.

Aqui esta minha amiga Stella com o bebe dela

Mudando de assunto: a mae de uma das amigas que vieram comigo à festa do dia de Portugal está num hospital em estado de coma, após ter perdido os sentidos enquanto trabalhava. Foi operada de urgência ao cérebro, mas receio que tenha sido a operaçao a deixá-la neste estado. È que os “indígenas” têm a má fama de operarem a torto e a direito, várias vezes para fazerem “experiências”. Espero que nao tenha sido o caso… Bom, o caso è que esta amiga nao è católica, mas quis que a mae fosse baptizada; assim, fiz questao de ir lá hoje, mesmo estando o hospital a quase duas horas de metro. Espero que possa acordar rapidamente, pois passaram já 9 dias desde que foi operada. Fiquei comovido com este esta experiência, pois foi a primeira vez que vi alguém em coma; também me tocou o amor da minha amiga pela mae e a esperança que ela acalenta. Está mesmo segura de que a mae irá despertar e, como tal, a minha visita quis ser expressao da minha fé na recuperaçao da mae.
Bom, após a missa da tarde, vim para casa, exausto mas feliz, pois graças ao meu pároco, fiz bastantes assinantes. Assim, em 3 fins-de-semana, consegui 460 novos assinantes-benfeitores, o que nao è nada mau. Claro, fartei-me de louvar e bem-dizer o nosso Amigao pela sua preciosa inspiraçao.
Bom, vou nanar, pois estu arrasado e tenho pela frente uma semana dura, pois è a última antes de ir para a América Latina… Mamma mia, custa a acreditar! Sempre quis visitar o Brasil, mas nao contava que fosse tao cedo. Mais outro dom do nosso Amigao, claro que sim! Ainda bem que amanha temos o retiro mensal, assim dará para rezar e descansar bastante; claro, só rezar nao dá, senao Deus cansa-se muito. Ahahahahah

Termino com duas fotos de flores que fiz numa casa de retiros das freiras Dominicanas missionarias, onde com os meus colegas fizemos o nosso retiro anual de 4 dias...
Xauzao por hoje…
Vosso mano tuga coreano

Wednesday, June 13, 2007

Enquanto uma "melga" me melga... resto da cronica!

Chongju, 12 Junho 07

Anyong de novo, minha gente.
Pois é, isto de não actualizar o blog causa, por exemplo, falhas de memória relatives à password do mesmo, ou seja, como não consigo lembrar-me dela… não consigo abrir o meu blog! Assim que tereis de esperar até amanhã para que possais ficar actualizados relativamente às minhas aventuras missionárias e asiáticas!
Bom, para quebrar o ritmo e ver gente que fazia tempo que não via, decide vir até esta cidade no centro da Coreia, de modo a visitar duas freirinhas capuchinhas; estão aqui duas de momento, pois a chefa foi de férias; elas recebem crianças, melhor, meninas de famílias com vários tipos de dificuldade: são 6, de várias idades mas só até aos 12. A mais novinha, com 3 anitos, é a mais fofinha e simpática; aparecerá daqui a umas duas horas (5h da tarde). Venho cá de vez em quando, pois assim aproveitam para se confessarem e eu para passar um tempo com as crianças que são uns amores! Faz bem sair de vez em quando do ritmo quotidiano e, tendo eu esta possibilidade, desfruto-a sempre que posso! Faz-me um bem que nem imaginais, pois sou alérgico a rotinas.
Bom, a missa do domingo correu muito bem; veio uma família que participou pela primeira vez e houve também feijoada, se bem que não à brasileira… mas parecida e, como tal, estava muito boa.
Grupo que participou na missa
Festejamos também o aniversário da Maria Joelma, casada com um coreano; são um casal muito simpático, tal como os demais brazucas com quem costume celebrar a eucaristia.
A Joela e o marido Richard

Como sabeis é, um momento muito especial este da nossa missa mensal. Depois, fui ver o “Shrek 3”, o qual me fez rir imenso. Adoro uma boa gargalhada, como sabeis! Mas antes ainda fui visitar a famosa prisão de Sodemun, a qual virou museu: são descritas as atrocidades cometidas pelos japoneses aquando da ocupação da Coreia pelos mesmos. Claro, os colonialistas nunca foram “generosos” com os ocupados, sejam eles de que país forem! Estes nossos coreanos sofreram imenso, não haja dúvida. Isto das guerras, conflitos e violência é certamente um dos maiores mistérios que a humanidade tenta esclarecer…

Pavilhao tradicional perto da prisao-museu de Sodemun noite na casa de um dos brasileiros, pois ontem teria que voltar a Seúl e assim poupei tempo e forças; é, ainda ando com o sono atrasado por causa da peregrinação. Ontem fui então almoçar com um casal brazuca, juntando-se a nós duas estudantes, uma chilena e outra chinesa, as quais são colegas do meu amigo brazuca e que eu conheço também.
Amanhã e 5a feira terei tempo para terminar os artigos da próxima revista, de modo a ir ao Brasil e fazer o curso descansado; na 6a feira terei de ir às compras com algumas benfeitoras nossas, para a nossa festa da Consolata deste domingo, a qual incluirá um bazar para recolha de fundos para ajudar vários projectos no Kenya. A Julho 28 partirão 13 jovens coreanoss, com 2 paadres nossos, para um campo de trabalho e voluntariado nesse país africano e o dinheiro é para apoiar os projectos em que eles irão prestar ajuda. São 3: com crianças da rua, idosas abandonadas e ajuda na construcção de um edifício. Estes projectos são levados a cabo por missionários nossos. E o objectivo de os levar ao Kenya é de formar depois com eles um grupo de jovens; sonhamos com a possibilidade de num futuro enviar jovens leigos missionários para as missões. A ver vamos... Este campo de trabalho é, digamos assim, a actividade de convocatória.
Quanto à revista, falatam-me preparar dois números; regressando depois em Novembro, teremos de rever os conteúdos e mudar um ou outro. Creio que seguirei sendo o seu editor por vários anos, mas até quando mninguém sabe. Não me preocupo, pois é algo que adoro fazer, pois, entre outros aspectos, permite-me viver a missão de forma interessante e dinâmica, pois realizá-la e difundi-la implica ir aqui e ali, viajar de vez em quando, bem como conhecer gente interessante, etc.
Bom, falando na revista… vou aproveitar para começar um artigo do próximo número antes de ir nanar a sesta. Renovo os votos de que tudo esteja bem com vocês; amanhã prometo colocar os textos e fotos no blog. No fundo deste texto dedicarei algumas frases a amigos meus italianos, os quais não podendo entender tudo o que está escrito no blog, podem ao menos ter a noção do que digo através das fotos e de palavras parecidas com as italianas.
Que o nosso Amigão vos abençoe, sempre
Unidos na amizade e na missão
Vosso tugacoreano
EU

P.S. Adesso voglio salutare i miei carissimi amici italiani.
Ciao, cari. Vi ho ricordato anche durante il nostro pellegrinaggio; andando a trovare i miei a casa mi, loro vi hanno ricordato anche e salutato tanto. Spero di rivedervi tutti l’anno prossimo. Giorgio ed Elisa, come sta mia nipotina Alice? Andrea e Francesca continuano crescendo tanto, vero Max e Sara? Vittorio, ricordati che dobbiamo visitare Assisi l’anno prossimo. Come potete vedere, il pellegrinaggio è andato benissimo, nonostante la pioggia; è stata veramente un’esperienza di Dio e con Dio attraverso l’esperienza dei santi. Anche per me fu un’esperienza molto intensa e profonda, ma il momento alto è stato, naturalmente, poter trovare i miei, i quali stanno bene, per quanto sia possibile. Come potete vedere dalle foto, i miei nipotini stanno enormi e bellissimi!!! Meno male che il tempo vola: tra un’anno, se Dio vuole, li rivedrò di nuovo. Spero anche che alcuni amici coreani possano venire a trovarmi per conoscere sia il Portogallo che parte della Spagna e Roma anche. Grazie ancora della vostra preziosa amicizia. Vi saluto con tanto affetto e amore. Che Dio vi benedica sempre! A presto…
Vostro
Álvaro

Tuesday, June 12, 2007

Peregrinacao em terras espanholas e "arredores" 2

Yokkok, 9 Junho 07

Anyong novamente, gente!
Bom, hoje é sábado e tenho pela frente um dia calmo; estou já descarregando para o meu computador as fotos que fiz na peregrinação. Agora que estamos na era digital, podia fazer fotos até dizer “chega”! E foi isso mesmo que fiz! Cerca de 2000!!! Aquilo é que foi “disparar”! Tanto que fiquei com o pulso doendo ainda mais, já que ele ia já meio dorido no início da peregrinação; mas já estou recuperando. Esta tarde irei a casa de uma das minhas amigas coreanas, uma senhora 100% pura simpatia e com quem fiz a missa por 8 meses em capelanias localizadas em duas pequenas ilhas, vai já para 6 ou 7 anos!!! Ficou uma amizade muito especial e duradoura; assim, hoje a filha dela irá dar um pequeno concerto para familiares e amigos no jardim da casa e estou também convidado. O filho dela estuda para ser chefe de cozinha, enquanto que o marido trabalha numa empresa estatal ligada à energia.
Voltando então à chegada a Portugal: estando já em território nacional, parámos na estação de serviço de Abrantes e logo lá matei as saudades dos pastéis de nata: como tinha comentado com a nossa guia coreana, numa conversa de café em Ávila, que os ditos cujos eram os meus preferidos, ela prontamente me ofereceu um (claro, o 2o paguei-o eu!). A chegada a Fátima ocorreu cerca das 7.20h da tarde: estávamos muito cansados, mas mais felizes ainda, pois a viagem tinha sido estupenda. Era bom voltar a casa, mas ao mesmo tempo tive a sensação que sempre tenho nos primeiros dias de férias em Portugal: parece que estou num outro mundo! Mas, aos poucos, os rostos, comidas, cheiros e ambientes tornam-se familiares! É uma sensação estranha e fantástica, ao mesmo tempo. O primeiro missionário que nos saúda é também o primeiro da Consolata português: o nosso caríssimo padre Carreira, ainda muito activo na nossa revista Fátima Missionária, entre outras actividades. É um exemplo espectacular de vivacidade e juventude de espírito; tem sempre histórias para contar e espero que se resolva a escrever as suas memórias, senão perder-se-á muita riqueza, sobretudo ligada ao nosso Instituto em Portugal. A janta, naturalmente, trouxe-me mais recordações, mas as maiores e melhores foras as que revivi… quando cheguei a minha casa, cansado mas imensamente feliz! Sim, após a janta e umas conversas, parti de carro emprestado para a minha terra Lordelo. Cheguei a casa já depois da meia-noite e mia, mas estive ainda na conversa com os meus por uma boa hora. Adormeci “roto” e louvando Deus por esse dom tão especial que me concedeu: poder reencontrar os meus bem, por quanto seja possível. E os meus sobrinhos??? Estão enormes, saudáveis e lindíssimos; sim, sou um tio muito babado. Podereis constatar pela foto deles que não estou exagerando!
Bem, o dia seguinte foi como que uma mini-reprodução do que costumam ser os 3 meses de férias na terra: visitas atrás de visitas.

Com meus pais e sobrinho Angelo (miei genitori e nipote)

Mais do que contar como tenho andado, passo a maior parte ouvindo familiares e amigos que me contam as suas histórias, algumas delas bastante dramáticas. Tento ser e dar consolação e, como tal, acabo sempre por desistir de programar as visitas, pois em certos casos tenho de dar mais tempo que o previsto, pois as pessoas estão em primeiro lugar. Certo que acabo depois por andar a correr, mas ao menos tento estar presente, sabendo que por pouco que seja para elas o simples recordá-las é já muito. E assim esqueço-me do cansaço, do sono, de mim para me dar o mais possível. Passei a manhã visitando familiares;

Em minha casa, tambem com minha irma (anche con mia sorella)

almocei em casa, enquanto que a janta foi em casa dos meus avós maternos. Não descansei um minuto, mas também não precisava, pois teria tempo de sobra para o fazer na viagem de regresso à Coreia.

Com meus avos maternos (nonni materni)

Fui também a casa do meu mano, claro, embora chegasse uma hora depois do previsto: como consequência, tivemos de acordar os meus sobrinhos, o que não foi fácil. Mas, uma vez acordado, foi impecável, tanto que não queriam dormir novamente.

Com meu irmao e sua familia (mio fratello e cognata e nipoti)

Ainda bem que para o ano que vem irei de ferias, pois foi duro ter de os deixar, bem como aos meus pais e restantes familiares e amigos. Fiz várias fotos, claro, de modo a poder matar as saudades com o passar do tempo; certo, a minha terra agora é a Coreia, mas a nossa terra natal nunca sai da mente e do coração, como é óbvio.

Com minha sobrinha e afilhada (con mia nipote)

Acabei o dia na casa de uma família amiga: pena ser já muito tarde e não ter dado para mais. Mas foi muito bom, muito bom mesmo! Passava já da 1.30h da manhã quando me meti à estrada rumo a Fátima. Ora bem, um conselho: não aconselho ninguém a fazer o que fiz, pois ia com uma carga de sono monumental; a meio caminho, parei para esticar o pernil, lavar-me e refrescar-me, pois estava de rastos; graças ao Espírito Santo e à ausência de tráfico, cheguei são e salvo a Fátima, batiam as 4h! Admito que arrisquei um pouco, mas ia também consciente do que fazia, pois a segurança nunca é de descurar!
Prometo-vos não repetir a dose!
Após 5 horas de sono profundo, um café bem forte ajudou-me a recuperar a consciência, a qual era bem necessária para a missa de encerramento da viagem, pois no sábado não era possível fazê-la e a de domingo seria já na Coreia. Como em todas as missas desta peregrinação, o ambiente foi muito familiar, sobretudo no momento da paz; este foi antecipado para o momento inicial da reconciliação, de modo a sarar uma pequenas feridas resultantes de um ou outro pequeno desentendimento entre algumas pessoas. Como estas eram quase insignificantes, foi um momento de troca de paz e amizade sinceras! Antes da oração final, cada representante dos pequenos grupos exprimiu o parecer dos mesmos: a avaliação global foi extremamente positiva! Bem hajas, Amigão!
Após a missa, houve tempo para visitar o nosso museu etnológico e missionário, bem como mais compras. Lisboa foi o rumo da tarde; começamos pela Baixa, indo depois para os Jerónimos; pena não ter dado para visitar o claustro, meu “prato preferido” do mosteiro; no fim, a Torre de Belém, com um significado muito especial, pois foi dali que partiram os nossos missionários para vários pontos do globo… Ásia incluída! À noite, janta num chinês e ida para o Praia Mar, em Carcavelos.
Sábado 2 foi dia de regresso a casa: após uma longa viagem, celebrámos a última missa, no aeroporto, antes de cada um regressar aos seus e, acredito, contar as maravilhas que Deus operou em cada um deles nestas duas semanas inesquecíveis! Foi isto precisamente que fiz… mas só após ter dormido 5 horas, pois estava exausto! Certo, esta exaustão era parte do meu louvor, pois significava que tinha corrido tudo bem.
Assim que, de regresso a “casa”, o trabalho da revista esperava ser completado: eis como passei esta minha semana, mas com um intervalo pelo meio, encontrando duas senhoras que certamente irão a Portugal no ano que vem. Fui ver um filme coreano com elas, bastante bom e dramático, filme pelo qual a actriz principal venceu o prémio de melhor no ramo dela no Festival de Cannes deste ano! Amanhã farei a missa com um pequeno grupo de brazucas: é a nossa missa mensal, um momento de encontro, partilha e amizade muito bom e que os ajuda, tal como a mim, a confrontar a vida com Deus e a colocar tudo na perspectiva do plano e amor de Deus para connosco. Certo, para mim esta missa tem um “sabor” muito especial, pois é feita na nossa língua.
E fico por aqui, senão acabareis por adormecer! Prometo não demorar muito com o próximo relato. Ficai bem e que o nosso Amigão vos proteja sempre.

Ai miei amici italini scrivero` qualche riga nel messaggio di domani.
Unidos na amizade
Vosso amigo e mano tugacoreano

Peregrinacao em terras espanholas e "arredores" 1







Yokkok, 8 Junho 07

Anyong, minha gente!!!

Sim, faz “séculos” que não comunico o que por cá tenho feito. Na verdade, as razões são muitas e variadas, mas a mais importante é que… não o fiz antes porque quis, com algumas amigas, fazer uma surpresa a uma amiga nossa. É que… tcham tcham tcham… ESTIVE EM PORTUGAL A SEMANA PASSADA!!! Perdoem-me se não vos contei antes, mas acontece que queria fazer uma surpresa e resultou!!! Bom, mas antes de vos contar como foi possível ter estado em território nacional quase de um dia para o outro, deixai-me começar pelo início do mês de Maio. Nada de extraordinário aconteceu até ao dia 7, no qual durante a nossa reunião comunitária foi decidido que um de nós iria ter de acompanhar o Pedro Louro, meu colega tuga, o qual ficaria depois em Portugal para gozar as merecidas ferias tri-anuais. As nossas zeladoras “exigiram” que um outro fosse com o grupo de 30 benfeitores nossos, pois se iam numa peregrinação organizada pela Consolata, teriam de voltar com a Consolata. Claro, não insisti em ir, até porque o meu chefe não me queria deixar ir: já estive no Kenya no início do ano e dentro de cerca um mês e 10 dias estarei voando para o Brasil! Assim que estava for a de questão ser eu a ir também; só que, após termos visto que só 2 estariam disponíveis para acompanhar o grupo de peregrinos, insisti que eu estaria disponível, pois tratava-se de trabalho e não “era culpa minha” se tivesse de ir. Dado que o outro disponível era… o chefe, chegámos à conclusão de que era melhor que eu fosse, também pelo elemento fotográfico: ou seja, eu poderia também tirar as fotos para depois fazer um álbum de recordação. Assim que o chefe lá concordou; havia também o facto de que estive desde o início empenhado, com o Pedro, na preparação desta peregrinação, como tal era bom que fosse eu. E assim foi: de um dia para o outro, vi-me incluído na viagem, para grande alegria dos meus pais, familiares e amigos… bem, dos poucos que sabiam por causa da tal surpresa. Telefonei logo para casa avisando a família, a qual estava contando ir ter comigo a Fátima, pois tal era o plano inicial. Mas estando a minha mãe “presa” a uma cadeira de rodas, em Espanha decidi que era melhor ir eu a casa, até porque assim poderia ver também meus avós e mais familiares e amigos. E assim foi. Estive n minha terra a 5a feira passada, dia 31 de Maio. Só foi um dia, pois em Portugal estivemos só 2 e qualquer hora, mas foi muito bom mesmo, como podeis imaginar.




Momento da partida no aeroporto de Incheon (20 maio)



Bom, ainda em relação à peregrinação: esta foi preparada durante mais de um ano, pois era centrada na vida de 5 santos espanhóis, razão pela qual a peregrinação foi quase toda preenchida com a Espanha, visitando a terra natal de Santa Teresa de Ávila (Ávila), São João da Cruz (Segóvia), São Domingos (Caleruega), São Francisco Xavier (Javier) e Santo Inácio de Loyola (Loyola). Mas não nos limitámos a visitar estas terras, como é óbvio: aterrando em Madrid, demos um salto a Toledo,



Vista parcial de Toledo



visitando depois a nossa casa da Consolata em Madrid (dia 21). Dia 22 foi dedicado a Madrid: Palácio Real e Museu do Prado, saindo de tarde para Escorial,



Mosteiro do El Escorial



onde visitámos o imponente mosteiro com o mesmo nome. Chegámos a Ávila à tardinha do dia. Dia 23: dia todo nesta linda cidade, circundada por um muralha que ainda resiste e bem.



Vista de Avila, com o centro antigo da cidde cercao pelas muralhas Dia 24: para Segóvia, mas como a chuva era tanta, a visita foi curta: só visitamos mesmo o Alcazar,


Eis o Alcazar, de varios seculos atras...


após um ótimo almoço, quanto à catedral, não deu para a visitar; à tardinha chegámos a Caleruega. Dia 25: visita a esta pequena vila, com missa no mosteiro de clausura… e com as freirinhas que lá se encontram, muito idosas e de uma simpatia enorme. O padre dominicano que nos guiou a visita foi também de uma simpatia extrema. Dali partimos para Pamplona, não para ver as corridas de toiros pelas ruas da cidade, mas apenas para pernoitar, dado que no dia seguinte visitaríamos Javier e dali… rumo a Lourdes, na França. Chegámos lá após uma maravilhosa viagem pelo meio rural espanhol e francês, sobretudo quando atravessámos os Pirinéus. As nossas coreanas, juntamente com os dois homens do grupo (membros de 2 casais), ficaram deslumbradas com tanta beleza; pena que estivesse chovendo, mas mesmo assim a natureza proporcionou-nos um espectáculo memorável! Valeu a pena ter ido por ali, mesmo que no lado francês tivéssemos apanhado um susto: a estrada principal de uma pequena localidade estava inundada e não podíamos passar; mas felizmente, a polícia indicou-nos uma Estrada paralela e lá nos foi possível retomar a estrada principal. Chegámos a Lourdes uma hora atrasados para a janta, mas contentes com o que tínhamos deslumbrado e com uma fome dos diabos!


Nosso grupo diante da basilica de Lordes


Falando em comer, os nossos coreanos não tiveram oportunidade de engordar uns quilitos como, por exemplo, eu, pois a comida coreana nada tem a ver com a nossa mediterrânea. Em Madrid, fomos duas vezes a restaurantes coreanos e em toda a viagem umas 4 ou 5 vezes a chineses, pois eram os únicos onde havia… arroz!!! É, não sabia que os “nuestros hermanos” comem tão pouco arroz!!! Quase nenhum, na verdade, pelo menos durante os 12 dias em que estivemos no território deles. Coitados dos nossos coreaninhos… mas felizmente não se lamentaram muito, até porque se habituaram quase de imediato a comer… pão!!!


Diante da gruta de Lourdes


Ficaram foi também muito satisfeitos com os hotéis onde pernoitámos, muito bem escolhidos pela nossa guia coreana que está em Espanha vai para 16 anos; na verdade, ela trabalha em associação parcial com a agência que escolhemos aqui na Coreia, assim que nos guiou muito bem, sempre por bons caminhos! Estava super informada e teve muito bom gosto; o hotel que mais deslumbrou foi o de San Sebastian, o qual fica num monte de onde se deslumbra toda a baía da cidade! Uma maravilha!!! Mas o Praia Mar, em Carcavelos, também não ficou atrás, pois estávamos de frente à praia.
Bom, em Lourdes ficámos bastante tempo: dia e meio! Deu para fazer tudo e mais alguma coisa, se bem que metade do tempo estivesse chovendo também; infelizmente, a chuva foi uma constante nesta viagem, mas até que não perturbou muito. Mais e muita mais razão de queixa têm os milhares de espanhóis e muitos franceses que sofreram consequências desastrosas por causa das chuvas. Assim que podemos agradecer o São Pedro de ter sido benévolo para connosco…
O dia mais longo e cansativo foi o de 3ª feira, 29 de Maio, quando viajámos desde San Sebastian, passando por Loyola e Burgos, até Salamanca.


Diante da belissima catedral de Burgos


Porém, contrariamente ao que eu previa, a gente não se queixou do cansaço, aceitando-o como natural. Claro, com uma moral assim é óptimo fazer viagens longas! Salamanca é lindíssima e, como não fica longe da nossa terra, aconselho-vos vivamente a lá irem, caso ainda não o tenham feito. Um passeio nocturno, com gelado à mistura, foi a forma ideal de terminar o dia. Foi muito bom mesmo!
Na manhã do dia seguinte, o coração batia bem mais forte, como era natural: estava a poucas horas de entrar no nosso país!!! A manhã foi passada em duas partes: Alba de Tormes, terra onde se encontram restos mortais de Santa Teresa de Ávila; na capela a ela dedicada celebrámos a missa. Depois, voltámos a Salamanca para visita à catedral e parte da universidade; ainda antes do tacho, tempo para umas rápidas compras. Claro, dizer a mulheres que só têm meia hora para compras é como dizer a um miúdo que tem 10 pastéis à frente para só comer um!!! Bem, se fossem pastéis de nata… eu até nem deixava nenhum!!! Assim que também aproveitei para comparar uma lembrancita para algumas das minhas fãs coreanas!!! É sim, se um não as mantém elas vão-se… ahahah !


Salamanca: Plaza Mayor `a noite! Deslumbrante!


O almoço foi num restaurante chinês, mas devo dizer (sem pretender estar com ares de nacionalista!) que os chineses que estão em Portugal cozinham melhor que os da Espanha.

Pormenor do teto da catedral de Salamanca

E partimos então rumo à nossa terrinha, carago!!! Que emoção!!! Afinal, passaram 2 anos já. Sim, é incrível como o tempo passa! Mas… estando já esta crónica muito adiantada, o relato da aventura em terras lusas fica para amanhã, ok?
Tenho as ovelhas já prontas a serem contadas e, como o sono aperta, tenho mesmo de ficar por aqui! Abraços…