Saturday, January 20, 2007

Mais surpresas...

19 Janeiro 2007

Jambo, malta!!!
Pois é, mais um dia em cheio e que se revelou, tal como os outros até agora, uma caixa de belas surpresas. Este nosso Amigão Jesus é simplesmente espectacular!!! De facto, na minha oração pessoal nunca lhe peço nada para mim, pois sei que ele irá proporcionar-me mais e melhor do que eu lhe poderia pedir. Assim que lhe entrego sempre a minha vida e a coloco em suas mãos, de modo que ele faça dela o que bem entender e me proprocione o que achar melhor para mim. Esta é uma dimensão fundamental da minha espiritualidade pessoal, ou seja, da minha forma de me relacionar com ele.
Bom, começando então pela manhã de hoje: fiquei desde as 6.30h da madrugada à espera que me viessem buscar para ier celebrar a missa no nosso seminário filosófio, mas acontece que... espereiu em vão. Vim a saber mais tarde que o nosso padre que me vinha buscar veio... mas ao sítio errado: foi ao seminário teológico, pensando que eu estava lá hospedado. Depois do tachito, actualizei o diário, mas sem terminar pois ... vendo um dos nossos padres que dá aulas no seminário de Tangaza (onde vão estudar os nossos seminas teólogos, e que foi meu professor de bíblia em Londres), aproveitei a boleia para ir para Langata, onde decorria o Fórum Teológico Internacional. Mas antes visitei o tal seminário filosófico, seguindo depois para o nosso seminário tológico, onde tachei com os seminas. Depois do tacho, fui de imediato para a casa dos Carmelitas, onde decorria o tal Forum Teológico: terminava hoje mesmo e não quis perder a oportunidade de etar presente na parte final, pois o último discurso seris feito por um personagem muito especial: o bispo anglicano sul-africano Desmond Tutu. De facto, fez um discurso fenomenal, apaixonante, vibrante, atraente, vivo, dinâmico, cativante e, sobretudo, baseado na sua própria experiência, seja em relação ao Apartheid que a outros elementos da sua vida. Dado que consegui ir para a frente, ele discursou bem a meu lado, de modo que não tive problemas em lhe fazer umas boas fotos. Mas cativou-me sobretudo o que disse e a forma como o disse, pois é de facto um grande orador e cativador das multidões. Além do mais, é um “avozinho” muito ternurento, simpático, sempre sorridente e que conquista de imediato a simpatia de todos sem excepção. Deixou todos maravilhados, tal como a mim... ou sobretudo a mim, pois não estando a contar com tal oportunidade=dom de Deus, é clao que saboreei ainda mais esta experiência, a qual me marcou também bastante. De facto, vendo-o a falar, disse para mim mesmo: “tenho de ser mais cativante como missionário”. Certo, não tenho nem devo nem posso imitar o Bispo Tutu, mas posso dar mais de mim e melhorar o meu método de contar a história de Jesus às pessoas.
Antes deste seu intervento, houve um painel com 3 oradores, os quais disseram as tretas de sempre: teorias e mais teorias sobre espiritualidade, feminismo, teologia da libertação, etc. Ou seja, fala-se muito, mas não se comunicam experiências: só se fala para se dizer que se sabe... Para mi, Fóruns e outros encontros do género servem por oferecerem a possibilidade das pessoas se encontrarem, conhecerem e trocarem experiências, mais do que estarem ali a ouvirem teorias e mais teorias que quase sempre só dão... sono!!! É por isso que nunca farei parte de um painel, a não ser que me peçam, para falar da minha expeiência... e fazê-lo como o bispo Tutut, ou seja, de forma espontânea, sem estar a ler, pois senão cai-se no risco de se querer dizer tudo e mais alguma coisa, porque um julga que sabe tudo. A mim basta-me saber o que sei porque é reflexão da minha esperiência. Este foi, no meu ver, o ponto forte da intervenção do bispo sul-africano; a sua voz, postura e paixão com que falava fora, juntamente com o ter narrado a sua históiria pessoal (ou melhor, parte dela), o seu grande triunfo.
Eu sabia que o bispo Tutu iria estar presente no encerramento do Fórum, mas não estava a contar presenciar o mesmo, bem no último dia. Eu estava no lugar certo, no momento certo quando vi, de manhã, o tal padre que foi meu professor em Londres aqui na casa regional. Mas... as surpresas não terminam por aqui: ora, para meu maior espanto, estava presente no Fórum um padre Verbita, Eahn McCay, o qual foi meu professor também em Londres, há 10 anos atrás!!! Fiquei muito contente, claro, tal como em 2005, quando durante as minhas férias na terra fui a Paris visitar familiares, encontrei o padre Gonçalves, que tinha sido meu professor de grego bíblico nos meus tempos de estudante na católica em Lisboa. Sim, a vida é uma caixa de surpresas!
O padre Ehan, depois de Londres, ensinou na Nigéria e está cá faz 5 meses. É sempre bom rever gente que fizeram parte da nossa vida, mesmo que não sejam tão importantes para nós, pois de certa forma o pssado volta ao presente e nos damos conta do quanto Deus nos quer bem, pois permite-nos recordar situações e pessoas que tinham ficado esquecidas na nossa memória histórica e que, por uns momentos, no ajudam a intregar o passado no nosso presente, tornando-o mais precioso e significativo. e, de certa forma, um conhecer-mo-nos e amar-mo-nos um pouco mais, pois quando as recordações causadas por estes encontros inesperados são das melhores, então podemos ter uma visão mais global de nós próprios e da nossa vida e ver como ela é, creio, um puzzle que se vai completando lenta e gradualmente.
Bom, como podeis ver, esta minha experiência em terras africanas tem sido impecável, tal como gosto: nada premeditada, e cheia de surpresas. Terminado o Fórum, jantámos no seminário teológico nosso, juntamente com os seminas; regressámos depois à casa regional, onde após terminar de actualizar o diário, ainda dei umas boas e sonoras gargalhadas ouvindo histórias (reais!) que se passaram com padres nossos na nossa Casa Madre em Turim, onde trabalham os 2 meus colegas que as contavam. Assim que terminei o dia ainda mais bem disposto... e esta minha boa disposição, juntamente om tudo o que vivi durante o dia, foram o conteúdo da minha oração da noite, pois a oração, para mim, é isto mesmo: fazer da vida a ofrenda que apresentámos a Deus; fruto do que vivenciamos e do que Ele nos ofereceu.
Bom, fico então por aqui. Amanhã irá iniciar um dos motivos pelos quais vim ao Kenya: o Fórum Social Mundial, um evento que começou em Porto Alegre (Brasil) em 2001 e que se tem tornado num evento mundial e social com significância e relevo que têm vindo a crescer de ano para ano. Como tal, é um prezer e um privilégio poder estar presente...

Ficai bem e qu o nosso Amigão vos abençoe e vos mantenha na sua Paz e Alegria
Asante sana.

Bwana Álvaro

Fotos: 1. Forum Teológico
2 e 3: bispo Desmond Tutu

Friday, January 19, 2007

Porque tanta miseria?

18 Janeiro 07

Jambo, pessoal!

Quero começar por vos dizer que ... este jamais esquecerei este dia! A razão principal chama-se Kibera, o maior bairro-de-lata da África. Já tinha ouvido falar nele, mas nãio estava nada à espera do que vi com os meus próprios olhos.
Bom, do início: tive que madrugar, pois quis acompanhar o padre Tobias ao aeroporto: fomos buscar dois missionários nossos, um italiano que eu não via também há mais de 10 anos, e o nosso padre Elísio, director da nossa revista missionária portuguesa. Passei depois o resto da manhã aqui diante do computador, actualizando o meu diário. O padre Elísio perguntou-me se me podia acompanhar na visita a Kibera erespondi-lhe que sim, pois não haveria qualquer problema. Fui ainda a um supermercadio aqui perto e a um mercado de coisas artesanais e típicas do Kenya. Só que me assediavam continuamente, querendo que lhes comprasse nem que fosse um mínima coisa. Lá tive que explicar a um bom número deles que tinha apenas 2 dias de idade africana e que naquela manã estava simplesmente a dar uma vista de olhos: compras só mesmo antes de deixar o Kenya. Mas alguns não se davam por derrotados e continuavam insistindo... Enfim, considerando o facto de que todos vendem praticamente as mesmas coisas e que não são muitos os estrangeiros que passam por ali, era natural que me assediassem com insistência, pois a pobreza é, de facto, angustiante. Porém, não penseis que são todos pobres: há bastantes que vivem bem, mas claro, são uma minoria. Gostei muito do mercado, pois são adepto do que é tradicional, artesanal; haviam tantas coisas que gostaria de comprar, mas terei de pensar somente em coisas pequenas, pois vim só com uma mochila de modo a evitar ter de despachar malas, evitando assim esperas no aeroporto. Assim poderei,. Como faço sempre, ter uma lembrancinha preparada para muitos amigos. Os especiais, como é claro, receberão algo um pouco maior... Mas há uma variedade imensa de coiasas e, como tal, escolher torna-se tarefa difícil.
Bom, regressei a casa, passando por uma pequena loja que os nossos missionários têm na casa paroquial (o nosso santuário da Consolata é uma das paróquias de Nairobi) e vi que têm também coisas bonitas, só que não me agradam muito; gostaria de comprar as lembranças ali, pois as coisas que lá se vendem são feitas por jovens dos bairros-de-lata onde os nosso missonários prestam assistência. Por isso, terei de lá voltar e comprar algumas coisas, pois assim poderei ajudá-los um pouco. De facto, quando fui à Tailândia fiz o mesmo: comprei muitas coisas feitas por indígenas das paróquias e missões católicas, de modo a contribuir para o trabalho que a Igreja faz junto das populações tribais. Só tenho pena de naquela lojita não haver muitas coisas...
Antes de almoçar, encontrei uma... jovem coreana que está cá faz pouco tempo e que tem ideias de ficar por 2 anos; trabalha com a Caritas (organização humanitária da Igreja Católica, a qual está praticamente em todos os países) e está hospedada aqui na nossa casa, pois ainda não conseguiu encontrar alojamente na cidade. Ficou surpreendida e satisfeita por saber que havia um missionário tuga que está no seu país; falámos um pouco e disse-me, entre outras coisas, que há um padre coreano que faz missa aos domingos para a comunidade coreana aqui de Nairobi, a qual parece ser um pouco numerosa. Claro que adorei falar com ela, pois era como estar, por uns instantes, “em casa longe de casa”. Não sei se terei outras oportunidades de falar com ela... A ver vamos. Caso seja possível, aproveitarei também para a entrevistar, pois é uma leiga missionária e, como tal, a sua experiência poderá servir de atractivo a outros jovens coreanos.
Almocei depois antes do tempo, com o padre Elísio, pois iríamos visitar o famoso bairro da Kibera; na Coreia, estão também os missionários mexicanos de Guadalupe e, sendo eu amigo de vários deles, trouxe uma lista com os endereços deles aqui no Kenya, a qual me foi fornecida poelo padre Eugenio, o qual é pároco numa paróquia em Seúl. Ele esteva cá no Kenya em 2005 e aconselhou-me a visitar este imenso bairro, pois ele também o fez e ficou sem palavras. De facto,... também eu fiquei!!! Valeu a pena esperar calmamente duas horas pelo padre Francisco, o qual se atrasou por motivos lugados ao seu trabalho. Levou-nos então à sua paróquia, a qual está inserida num extremo do bairro; esta paróquia, de Cristo Rei, cobre cerca de 70 % da área. Após a entrevista que klhe fiz, mostrou-nos as obras da paróquia, que incluem escola primária, escola profissional-técnica (de costura, cabeleireiro, carpintaria...), uma biblioteca e estavam escavando para a construção da futura igreja. Foram assaltados diversas vezes e teve inclusivo uma vez alguém que lhe apontou a pistola atrás da nuca. Numa outra ocasião, escondeu-se no sótão da escola, senão mata-lo-iam de certeza. As crianças são cerca de 500; há uma escola ali perto secundária, mas o governo ameaça fechá-la, pois diz que ela não está registada! Mas quando passávamos pelas ruas estreitas, sujas, cheirosas... as pessoas olhavam-nos com ar suspeito, mas não as crianças: sempre com um sorriso nos lábios e cumprimentando-nos em inglês. Uma multidão caminhava pra cima e pra baixo; vários estavam diante de uma pequena loja onde um ecrãn de televisão apresentava uma novela keniana; não dava para ver o interior das barracas, mas podia ver-se claramente que a miséria era surpreendentemente chocante. Porém, as pessoas estão organizadas de modo a poderem minimizar os inconvenientes de uma vida naquelas condições. Mas não consigo descrever-vos bem o que presenciei, pois como se cosuma dizer... é só visto! De facto, o padre Elísio dizia-me que lamentava não poder tirar fotos, pois se tivesse um mês ali faria uma reportagem única! Também eu lamentei não poder tirar fotos nas ruas, pois o padre mexicano tinha dito que evitar as fotos, senão a reacção de algumas pessoas seria agressiva. Mas no 1º andar das escolas da paróquia era possível.
Não há dúvida que os missionários de Guadalupe estão fazendo um trabalho de 5 estrelas em prole dos mais pobres e e pena que nem todos consigam entender isto. Porém, gostei imenso de ver o padre Francisco determinado em levar popr diante o projecto de ajuda àquela gente, mesmo sabendo que por vezes corre riscos, incluindo o de morte. Não sei se eu seria jamais capaz de fazer algo assim... Certamente, esta experiência não me deixou indiferente: diante de tal miséria indescritível, só pensava nos coreanos que tanto desperdiçam e que tão ricos são; pensava na nossa sociedade rica e consumista, egoísta e vaidosa, que oprime os mais fracos e os trata como lixo; pensava sobretudo em mim próprio e no quanto sou rico, abençoado e “sortudo”, pois diante de tal situação um fica abananado e incapaz de perceber o porquê de tanta pobreza e miséria, não só material mas sobretudo humana. São imensos os problemas com que aquela gente se debate todos os dias e pensava então no quanto é fácil para nós, ricos (e falo mais por mim, claro!), queixar-mo-nos sem termos a mínima razão para o fazermos. Visitar a Kibera ajudou-me a repensar as prioridades; visitar a Kibera é um convite a um estilo de vida mais centrado no próximo e nas necessidades dele; visitar Kibera é um tomar consciência de que há ainda muito para fazer a nível de promoção humana e, que a nível pessoal, devo ser mais humilde, mais centrado na vida dos outros, menos egoísta e acomodado...
Agradeço ao nosso Amigão esta oportunidade que me ofereceu de conhecer esta realidade e de ver a Igreja no meio dos pobres, lutando e trabalhando para lhes comunicar e partilhar com eles a consolação e amor de Deus. Peço-lhe que esta experiência não seja “mais uma”, mas uma que me ajuda a rever as minhas prioridades e a focar a minha vida, energias e atenção naquilo que é fundamental e não em coisas mesquinhas e secundárias.
Bom, o padre Francisco trouxe-nos a casa e saí, depois de um banho super refrescante (pois tava coberto de pó, característica dominante em Kibera... quando não chove, claro). Sim, saí novamente, mas desta vez para viver uma outra experiência marcante desta minha estadia no Kenya: fui jantar com a mãe, uma irmã e sua família de um meu colega keniano que está lá na Coreia comigo. O cunhado veio buscar-me com os sobrinhos, que são muuito giros. É, também no Kenya as crianças são as criaturas mais lindas do Criador. Falámos bastante (ainda por cima, sendo eu um fala-barato), até porque a irmã estava curiosa sobre muitas coisas ligadas com a Coreia, seu mano, etc. Comi comida keniana pela primeira vez, pois aqui em nossa casa o estilo da comida é italiano. Não vale a pena estar aqui a dizer porquê, senão não acabo nunca,. Adorei esta visita, pois sendo a família de um meu mano missionário... é família minha! De facto, o meu coração palpitava do mesmo modo quando visito os meus familiares aí em Portugal; estranho, não? Mas era uma sensação muito boa. Lembrei-me da passagem dio evangelho em que Jesus diz aos discípulos que quem deixa pai, mãe, família e tudo mais por sua causa, receberá 100 vezes mais... e é verdade!!! Gostei imenso de conhecê-los, sobretudo a mãe do Peter, meu colega: uma típica avó keniana, com olhar intenso e um sorriso cativante, pele escura e vestido tradicional. Ofereceram-me também um cinto e pulseira tradicionais, mas... não me serviam. Assim, quando os for visitar novamente antes de regressar, oferecer-me-ão uns novos. Espero dessa vez encontrar a outra irmã e algum dos 4 irmãos. No fim, A irmã, com o marido, trouxe-me a casa e falava do quanto tinha gostado da minha visita. Sim, foi uma experiência linda e muito familiar. Adorei mega...
Bom, fico por aqui.
Amanhã há mais.

Asante sana (obrigado!).

Wednesday, January 17, 2007

A aventura keniana continua...

17 Janeiro

Jambo de novo, minha gente.
Pois é, este segundo dia africano foi composto por uma mistura de sentimentos muito particular. Por um lado, de alegria e espírito de missão; por outro de dor, tristeza e incredulidade.
Um passo de cada vez: iniciei o dia indo conhecer o seminário teológico do nosso Instituto aqui no Kenya, no qual estudaram vários colegas meus, incluindo alguns dos que estão na Coreia. Era, como tal, desejo meu de longa data conhecer também o seminário Allamano House (“Casa do Allamano”, nosso padre fundador). Estavam lá alguns missionários nossos que estão participando num Fórum Teológico Internacional... sobre o qual eu desconhecia a existência, senão até me teria insrito também, pois alguns deles estarão também presentes no Fórum Mundial Social. Foi com imenso prazer que reencontrei alguns colegas dos anos que passei em Londres; um é o Matthew Ouma, keniano, que é agora conselheiro geral (faz parte do conselho geral de administração do nosso Instituto), enquanto que o outro é um italiano, Ugo, o qual é uma pessoa muito humana, fraterna e extremamente boa gente. Encontrei também um nosso missionário keniano que me irá levar a Kisumu, no norte do Kenya ( auns 400 e tal km daqui), para visitar a família do nosso colega que morreu na Coreia a 18 de dezembro de 2005.
Não fiquei mais tempo, pois à tarde eu não os poderia acompanhar na visita a bairros de lata e outros tipos de actividades em favor do pobres, pois o número de participantes estava fechado. Fiz bem, pois assim vim para a casa regional, iniciei este diário e, após o almoço, entrevistei um padre Fidei Donum da Roménia (ou seja, um padre diocesano que passa vários anos em missão no exterior) que trabaklha no noirte do Kenya há já alguns anos. Sim, estou também começando a recolher material para a nossa revista lá na Coreia. Depois... a parte triste: o padre Tobias levou-me a 3 bairros de lata extremamente pobres, nos quais o nosso Instituto tem trabalhado e organizado iniciativas e projectos de ajuda às pessoas carenciadas. Como em todos os lugares do mundo, também aqui as crianças são lindíssimas e sempre com um sorriso e olhos grandes, mesmo no meio de miséria indescritível. De fracto, fiquei chocado com a pobreza que se vive ali... e entendo perfeitamente agora quem me diz que a África negra muda quem por cá passa. Certo, fiz algumas dezenas de fotos e entre elas as de muitas crianças, pois não me deixavam em paz (no bom sentido, claro!) Adorei estar com elas e fotografar algumas, mas ficou-me marcado o nível de vida desta gente... Também me impressionou ter encontrado um senhor italiano, o qual está ligado a umas irmãs: todos os anos vem cá no mês de janeiro para fazer casas de banho (muito simples, por certo, mas extremamente necessárias) nos bairros de lata, sozinho! Mamma mia, fiquei deveras impressionado com tanta humildade e capacidade de serviço. Amanhã irei visitar o maior bairro de lata da África, Kibera, que fica aqui em Nairobi. Mas isso é para contar amanhã.
Não creio ter referido no texto do primeiro dia que... há uma jovem coreana aqui hospedada na nossa casa regional; parece que trabalha para a Caritas, uma organização de caridade de cariz social da Igreja Católica e está cá faz poucos tempo; verei se amanhã consigo encontrá-la, pois será ótimo poder falar de novo coreano e, claro, entrevistá-la para a nossa revista. Caso o faça amanhã, sera a primeira de duas entrevistas que farei amanhã, pois tenho programado ir passar a tarde a Kibera, de modo a conhecere e entrevistar um padre missionário mexicano. Como podeis constatar, estou a trabalhar também bastante.
Bom, mdescansei depois um pouco antes de ir para a paróquia onde fui ontem; desta vez presidi eu e, certo, fiz também a homilia. Como a missa ali é em inglês... no problem. De caminho, parámos numa casa de uma senhora já de bastante idade, a quem o padre Tobias deu a comunhão, algo que costuma fazer às 4as feiras. Acabada a missa, fomos ao aeroporto buscar outro tuga, que é também nosso conselhieor geral: António Fernandes, natural da Guarda. Dissde-me, entre outras coisas, que irão também participar no curso que farei em Sao Paulo no verão, dois colegas meus espanhóis que fizerm o noviciado comigo na Itália e que não vejo há muito, muitos anos também. Como podem ver, o nosso Amigão não pára de me surpreender.
Bom, jantámos já depois das 8h e, após ter visto as notícias na BBC (pois cá têm parabólica que apanha também a RTPinternacional), vim para aqui escrever-vos este meu diário. Assim que amanhã poderei colocá-lo no meu blog, pois quero depois procurar algumas fotos sobre o que vi hoje. As que tenho feito, dado que não trouxe o pequeno cabo de ligação ao computador [para as descarregar, irei mostra-vos lá na Coreia, ok?
Como podeis ver, não paro! E é assim mesmo que gosto, pois conhecer, fotografar e preparar material para depois partilhar com vocês e os nossos benfeitores é algo que me dá imenso prazer.
E é tudo quanto a este meu segundo dia no Kenya. Agora vou nanar, pois tou a morrer de sono...
Asante sana!
Alvaro bwana

Diario da minha primeira viagem `a Africa

Nairobi, 16 Janeiro 2007-01-16


Caros amigos:

Jambo a todos!!!
Eis que inicio esta minha primeira aventura africana, após quase 17 horas metido em dois aviões. Após deixar a Coreia, aterrei 5 horas e meia depois em Bangkok, na Tailandia. Entrei no avão da Kenya Airways e quase 10 horas depois abraçava o padre Tobias, actualmente o único tuga do meu Instituto que trabalha aqui no Kenya. Cheguei à nossa casa regional pouco depois das 6h da manhã; este é um complexio enorm,e, pois é constituído pela casa regional, uma escola para 100 e tal alunos (primária e secundária) e o santuário da Consolata, que funciona também como paróquia. Já me tinham dito que era grande, mas agora posso confirmar de que realmente o é. Dado que não consigo dormir sentado no avião, descansei um pouco antes do pequeno-almoço. Estranhamente, não me sentia muito cansado e, como tal, às 9h da manhã, após trocar dólares por shillings (moeda kenyana), fui conhecer o centro de Nairobi com um missionário keniano. Para lá, apanhámos boleia de um outro missionário da Consolata, mas ugandês e que trabalha no Uganda, o qual conheci quando cheguei a Londres em 1992 e que não via desde então. De facto, ele não será o único que encontrarei por cá após vários anos.
Deixou-nos na catedral católica de Nairobi, onde as irmãs Paulinas têm uma livraria. Assim, decidi preparar logo uma das prendas que me pediram lá na Coreia: um cd com música litúrgica tradicional. Comecei então a fotografar a catedral e arredores, mas não penso que farei tantas fotos como na Tailândia, até porque são 2 contextos muito diferentes: basta pensar que a Tailândia tem milhares de templos budistas... Visitei então as partes principais do centro, incluindo o Centro de Conferências Kenyatta (primeiro presidente do Kenya), o Parlamento, o pequeno parque com um monumento que recorda o atentado terrorista de 7 de Agosto 1998, no qual morreram cerca de 219 pessoas e outras partes mais, sempre a pé, pois é o método melhor para se conhecer, até porque o centro não é muito grande. Caminhámos por mais de 3 horas, mas o efeito só o senti à noite, claro. A parte que mais gostei mas que, infelizmente, não deu para visitar mais em detalhe foi um pequeno mercado com artefactos artesanais, provenientes de várias partes do Kenya. Um sujeito lá me convenceu a comprar umas coisitas, mas dado que aprendi na Coreia a não ter medo de regatear os preços, consegui não me deixar levar por ele. O meu colega kenyano simplesmente admirava a situação, sem intervir, mas deu para me defender... Pude começar a ter uma noção dos preços, tanto que agora sei que mudei muito dinheiro e que não o irei certamente gastar todo. Mas a ver vamos, pois afinal ainda estou no início e como sou amigo dos amigos, gosto sempre de levar um qualquer coisinha, por mais simples que seja...
Após o almoço, descansei um pouco e usei a net antes de sair às 5.30h da tarde para a missa com o padre Tobias; foi numa paróquia que está dependente do santuário nosso aqui. Foi em inglês, de modo que me apresentei às pessoas no início e as cumprimentei ao fim. Havia também uma irmã brasileira, a qual trabalha cá faz 11 anos.
À noite, antes de me retirar, telefonei a para minha casa através do Skype, programa que tenho também lá na Coreia (meu nome de usuário é tugacoreano) e a uma irmã (não freira) do meu colega Peter, também ele missionário na Coreia e kenyano. Assim, irei visitar os seus familiares esta 5ª feira à tardinha; vai ser ótimo, pois, obviamente, eles são como família para mim.

Bom, agradeço então ao nosso Amigõ Jesus por esta aventura que estou miniciando e que começou muito bem. Como primeiras impressões, ficou-me impresa na mente a confusão que é o tráfico na cidade e arredores, sobretudo os matatu, ou seja, carrinhas de 9 ou 11 lugares que circulam a altas velocidades e que nem sempre respeitam o limite de passageiros, para não falar no limite de cvelocidade. De facto, no regresso a casa após a visita matinal do centro, apanhámos um matatu e... vim com o coração nas mãos!!! Uma loucura, mesmo! Mas, claro, adorei a experiência, pois seria como ir a Roma e não ver o Papa (coisa que, na verdade, ainda não fiz... eheheheh). Outro aspecto que me impressionou foi o ver multidões de gente caminhando em direcção ou regressando do centro da cidade; nem quero imaginar o que será quando chove, pois as bermas das estradas são todas em terra. Achei positivo o facto de haverem pouqíssimos brancos, sinal de que os kenyanos tomaram o seu destino em suas mãos e, pelo menos aqui na cidade, não se têm saído mal: são muitos os que andam de telemóvel na mão e não são poucos os carros de alta cilindrada tipo mercedes e bmw; a maior parte, porém, são japoneses e muito serão de 2ª mão.
Bom, já escrevi muito. Amanhã continuarei...
Asante sana (obrigado)!

Vosso mano e amigo

Alvaro Bwana

Sunday, January 14, 2007

Africa, ca' vou eu!!!

Yokkok, 15 janeiro 2007

Anyong, pessoal!!!

Ola, ola. Pois e', saio esta tarde para Africa, via Bangkok. Chegarei na madrugada de amanha, 3a feira, por volta das 4.30h a Nairobi. Ira buscar-me um nosso padre tuga, Padre Tobias, que la' trabalha. E' clkaro que estou super-feliz, pois a Africa sempre foi um dos meus sonhos.
Bom, tenho que acabar de por varias coisas em ordem, de modo a poder passar as 3 semanas que tenho pela frente sem um minimo de preocupacoes.
Levo voces todos no coracao e, claro, mais tarde partilharei convosco os detalhes desta aventura africana. Certo, nao vou de passeio, mas sim emtrabalho, mas havera tambem tempo para conhecer um pouco do Kenya, tambem do ponto de vista turistico.
Bom, espero que estejais todos bem.
A foto que coloco aqui e' uma repetida, cerio, mas como gosto tanto dela nao resisti; exprime o amor que tenho pela vida, a qual e' um "spagehtti delicioso".
Um abracao amigo e
Asante (obrigado em swahili) e "choo iko wapi?" (onde e' a casa de banho?).. eheheheh
Sao duas das expressoes que irei aprender no aviao antes de aterra em Nairobi...
Vosso mano e amigo

Alvaro

Tuesday, January 02, 2007

Final de 2006...


Yokkok, 30 Dezembro 06

Anyong, anyong.
Antes de mais, quero dizer-vos que as fotos que acompanham este meu texto nada têm a ver com o texto; são simplesmente algumas que encontrei na net e que adoro, pois são muito loucas. Sim, sem uma boa dose de loucura, a vida torna-se chata e monótona, verdade?

Pois é, e tá mais um anito prestes a dar o berro. Parece mentira, mas este 2006 passou a correr; pessoalmente, foi um ano inesquecível, pois fiz experiências únicas e memoráveis, sobretudo as viagens `a Mongólia e Tailândia. As fotos da tailandia, que são imensas, colocarei depois, com calma, num sito na net e comunicar-vos-ei a localizacao do mesmo. Bom, como comunidade, a nossa conferência de delegação (encontro de vários dias que programa, em traços, os nossos objectivos para os próximos 6 anos) foi um dos momentos centrais, bem como a visita aos nossos colegas missionários que estão na Mongólia.
Sinto-me bem, pois estou crescendo como missionário, cristão e ser humano; fiz também vários erros, como é natural, mas espero aprender com eles no futuro, seja em comunidade que com algumas pessoas. O trabalho que faço, sobretudo com a revista e sua difusão, continua a fascinar-me, continuo a dar o meu melhor, mas reconheço que devo dar-me muito mais, sobretudo `a língua, pois um só pode fazer mais e melhor se dominar a língua mais e melhor. Mas por dominá-la um pouco mais do que o ano passado, o volume de trabalho também aumentou consideravelmente durante 2006.
Amo este país e as suas gentes; continuarei por cá ainda por mais uns anitos, creio. Mas não espero ficar muitos mais... A ver vamos. Os meus colegas estão bem; actualmente, estamos empenhados em vários campos: animação e promoção missionária, diálogo com outras religiões e inserção entre os mais pobres. Nesta terceira área, estamos actualmente à procura de uma casa e actividade para reiniciarmos a terceira comunidade, a qual está ligada aos pobres (não so' materiais, mas a pessoas que sofrem por causa de lhes faltar algo: por exemplo, os trabalhadores estrangeiros, muitos dos quais ilegais e que sofrem imenso a vários níveis). Estivemos alguns anos num bairro de lata em Seúl, mas por razões várias, decidimos deixá-lo e iniciaremos, se Deus quiser, na segunda metade de 2007 numa nova diocese, a norte de Seúl.
Planos para 2007? Não tenho muitos, pois vou vivendo a vida ao sabor... do vento de Deus, ou seja, deixando-me levar pelos seus planos, os quais têm sido impecáveis. Mas tenho já o trabalho programado ate inicio de Março, pois começarei a vender o livrito da Quaresma em várias paróquias, antes e depois da viagem ao Quénia (de 15 de Janeiro a 4 de Fevereiro). Creio que vos tinha já dito que ia à África, verdade? É, estou a ficar menos jovem também. eheheh Bom, a partir de Março darei uma mão a um padre coreano meu amigo, o qual conheci faz uns 7 anos, pois veio para a paróquia onde iniciei o meu apostolado do fim-de-semana, ou seja, de ajudar o pároco. Irei ajudá-lo fazendo-lhe uma missa ao domingo sempre que puder. Fui fazer a missa de Natal na nova paróquia dele e irei no dia de Ano Novo. Também ali creio que ele fará muito bem, pois no dia de Natal fomos almoçar depois da missa com os membros do grupo coral da missa principal e constatei que havia um o timo ambiente e que entre ele e os fieis as coisas irão certamente correr bem.
De momento, estou finalizando o material para o próximo número da revista, pois estarei ausente por 3 semanas e não quero depois estar no Quénia com preocupações acerca do trabalho, como é evidente. Mas como não só de trabalho vive este homem, mas de muitas coisas mais, sobretudo de experiências humanas e espirituais, irei hoje almoçar com um casal amigo coreano que no início deste mês regressaram do Brasil. Ele trabalha para uma empresa coreana, a qual tem filial em São Paulo; ela acompanhou-o… e entretanto nasceu-lhes o primeiro filhote, ou seja, o meu novo “sobrinho”. Sim, porque para mim são como manos; ela fala português muito bem e foi, aliás, a primeira amizade que fiz aqui na Coreia, pois alguns meses após a minha chegada na Coreia era evidente que não sabia patavina de coreano ainda. Na altura, ela trabalhava no Centro Cultural Português (mais uma boa desculpa para o nosso Estado português esbanjar dinheiro!), o qual depois fechou uns anos mais tarde. Estou ansioso por conhecer o filhote, claro, pois adoro crianças. Depois mostrar-vos-ei a foto deles…
Pois é, parece incrível e mentira, mas é verdade… pelo menos para mim: 2006 passou num abrir e fechar de olhos!!! Como dizia o outro, só passa rápido quando se está bem. Na verdade, não me lembro de nenhum ano mau, pois confesso que o nosso Amigão tem sido fenomenal e extremamente generoso para comigo, a todos os níveis. Embora não beba vinho, gosto de usar o vocabulário a ele associado e dizer que o vinho da vida tem melhorado de ano para ano; certo, cada colheita é especial, única e irrepetível, mas ao mesmo tempo o sabor vai melhorando com o passar dos anos. Como tal, agradeço a Deus pelo dom da vida, da minha família e amigos (cada um de vós incluído), da minha consagração, da Coreia e desta minha aventura missionária. Sou imensamente feliz, mas parte do trabalho que faço lembra-me que nunca se é feliz a 100%, nem sequer a 70% quando há uma parcela imensa da humanidade que sofre de forma atroz, desumana e, em muitos casos, com violência e sofrimento inimagináveis. Sim, falo do facto de, como editor da nossa revista aqui na Coreia, ler muitos artigos noutras revistas missionárias que descrevem situações que, infelizmente, quase nunca são notícia nos mass média comuns, porque dominados por interesses dos grandes e poderosos. Ainda hoje pesquisei várias revistas, procurando artigos para usar depois, e por várias vezes me deparei com fotos e artigos verdadeiramente chocantes. Mas a outra parcela do mundo só se preocupa com coisas estúpidas e fúteis como reality shows e tantas outras porcarias e vaidades. Certo, não quero estar a fazer um sermão, mas gostaria sim de vos convidar a rezarmos por mais paz, mais justiça, mais respeito pelos direitos humanos, mais tolerância em 2007. Mas não nos esqueçamos que não podemos nem devemos sonhar um mundo melhor se o nosso pequeno mundo não muda; e a mudança não deve começar pelo outro ou pelos outros, mas sim por mim.
Olhando para 2007, estou certo que o nosso Amigão me concederá mais pessoas e experiências que ficarão para sempre gravadas no meu pc (=coração). Como venho fazendo há muitos anos, nunca lhe peço nada para mim, mas sim para os meus mais queridos e para todos os que me pedem oração, pois sei que Ele me dará sempre algo inesperado. Neste 2006, uma das mais belas e inesperadas surpresas foi vir a saber desta viagem que farei ao Quénia. Será um encontro dos editores das revistas missionárias do nosso Instituto; terei a oportunidade não só de conhecer a África, mas de encontrar colegas que não via há montes de tempo. Participaremos também no Fórum Social Mundial (será de 20 a 25 de Janeiro, em Nairobi), algo que nunca sonhei me acontecesse! Mas tenho também mais uma surpresa para vos contar… só que a deixarei para o próximo blog, senão ficais a saber mais do que eu!!!! Não, assim é da maneira que se cria um certo suspense…
Bom, acho que já escrevi demais. Para os que não adormeceram, desejo-vos uma óptima, alegre, ruidosa e divertida passagem de ano. Para os que irão acordar, faço-vos os mesmos votos, pois sou contra a discriminação. Eu irei passá-la no centro de Seúl com alguns colegas meus… caso o frio não os assuste e os faça desistir de me acompanharem. Se os meus amigos brasileiros cá estivessem, iria certamente abanar o capacete e o resto do corpo ao ritmo de um samba qualquer, mas como foram ao Brasil de férias… ficará para 2007.
Pessoal, que o nosso Amigão vos dê tudo de bem e de bom, especialmente um 2007 que venha de encontro às vossas expectativas.
Vosso mano tugacoreano
EU

Friday, December 01, 2006

Sobre a viagem `a Tailandia...










Yokkok, 2 Dezembro 06

Anyong, pessoal!
Pois é, tava a ver que não… mas sempre acabei arranjando um tempinho para actualizar este meu blog. Dado que tenho trabalho para adiantar devido à minha primeira viagem ao continente africano, acabo os dias sempre cansado ou então aproveito para sair e encontrar amigos ou fazer mais coisas relacionadas com o trabalho.
Mas eis que hoje tenho um tempinho… e não o vou desperdiçar.
Bom, relato-vos então, mas não tão extensivamente como fiz a quando da viagem à Mongólia (senão adormeceis!), o conteúdo da minha viagem de “negócios e prazer” à belíssima Tailândia. Sim, fiquei deveras apaixonado por este país… e não pude visitar as zonas de praia, senão então é que ficava por lá!!! Começo então pelos “negócios”, ou seja, o motivo principal da minha visita a este país incrível. Só um parêntesis: se algum dia tiverem a oportunidade de visitar a Tailândia, não a deixeis passar, pois não vos arrependereis! Claro, caso alguém a tenha é favor dar um salto aqui ao Extremo Oriente, pois afinal só são mais 5 horitas de avião.
Bom, começando pelos “negócios”…

O primeiro congresso missionário da Ásia contou com a presença de cerca de 1047 delegados de cerca de 25 países, bem como observadores de outros continentes. Entre os participantes estavam missionários que trabalham na Mongólia, entre eles um colega meu de Instituto, o Giorgio Marengo; como podeis imaginar, foi muito bom ter um da “família” no meio daquela multidão. Haviam também mais 2 tugas, combonianos que trabalham nas Filipinas. Quanto aos que foram aqui da Coreia, só conhecia uma senhora que faz tradução para a nossa revista; os restantes, cerca de 15, fui conhecendo aos poucos. Infelizmente, o único bispo coreano que deveria ter participado, juntamente com os 60 e tal que lá estavam… não foi: cancelou à última hora!!! Para mim é um sinal do quanto a Coreia está muito pouco interessada na missão ad gentes. Fiquei instalado num quarto com um missionário mexicano que trabalha aqui na Coreia, muito simpático e que conhecia há já algum tempo; tivemos muitas conversas sobre a missão aqui na “nossa” Coreia.
Bom, após ter participado neste primeiro congresso missionário do vasto continente asiático (18-22 Outubro), regressei da Tailândia com o coração não só feliz como renovado no meu entusiasmo missionário. Sentir o coração missionário da Igreja presente na Ásia foi, de facto, uma experiência única. O resultado foi muito positivo e estou certo de que o próximo congresso será ainda melhor. É importante crescer na consciência do dever de contar a história de Jesus neste que é o maior e o menos evangelizado continente de todos, apesar de Jesus ter nascido nele. O I congresso missionário da Ásia teve lugar na cidade de Chiang Mai (norte da Tailândia). O tema, “Contar a história de Jesus na Ásia”, foi dividido em quatro partes: A história de Jesus nos povos da Ásia (dia 19); A história de Jesus nas religiões da Ásia (dia 20); A história de Jesus nas culturas da Ásia (dia 21) e A história de Jesus na vida da Igreja na Ásia (dia 22). O esquema dos trabalhos seguiu esta fórmula: apresentação do tema do dia da parte da manhã, com testemunhos vários relacionados com o mesmo. Da parte de tarde, espaço para a partilha por grupos de experiências pessoais sobre a missão, partilha que respondia a uma questão prévia. Antes do jantar, havia um resumo do dia com uma perspectiva teológica sobre o tema, a qual no meu parecer era desnecessária. Com uma agenda de trabalhos muito carregada, houve muito pouco tempo para os trabalhos em grupo. Eles são o mais essencial neste tipo de encontros, pois não é todos os dias que se tem a possibilidade de partilhar a própria experiência de missão com gente que trabalha em países diferentes. A organização prática esteve impecável. A nível de conteúdos houve um certo exagero: muita coisa para tão pouco tempo, tanto que a malta após 2 dias já acusava muito cansaço: basta dizer que a missa era às 6h da madrugada!!! E muitos iam dormir para lá da meia-noite, pois passava-se o tempo conversando e fazendo amizades, algo que é para mim o mais bonito e importante nestes encontros internacionais. Certo, a teoria é necessária, mas neste caso seria melhor dar mais tempo para que os participantes pudessem partilhar as suas experiências de missão, pois deu-se o caso de um ou outro orador nem sequer ser missionário ou não ter qualquer experiência no campo da missão… só tretas teóricas!Creio que a imagem da Ásia apresentada foi muito uniforme, muito longe da realidade. Não há uma Ásia só, mas sim um complexo de realidades muito diferentes umas das outras. É o caso do diálogo inter-religioso, que tem resultados muito diferentes de país para país.
Resumindo e concluindo, foi um dom imenso do nosso Amigão este do poder ter participado neste acontecimento histórico da Igreja na Ásia.

Bom, veio depois o “prazer”: no dia em que terminou o Congresso, por volt das 2h da tarde, juntei-me a muitos que aproveitaram o facto de ser grátis para fazer um tour da cidade de Chiang Mai; embora só tenha dado para ver uma pequena parte da mesma, foi muito bom. No dia seguinte, fiz um tour de um dia, juntamente com 3 missionários mexicanos. Fomos até norte, à fronteira com Burma e Laos, ou seja, ao famoso “Triângulo Dourado”, no qual no passado se faziam transacções de droga. O passeio foi espectacular, sobretudo pelas paisagens. Adorei! Claro, fiz fotos até dizer “basta”! No dia seguinte, 3ª feira, visitei ainda parte da cidade de Chian Mai; da parte da tarde, apanhei o voo para Bangkok. Cheguei à casa dos missionários italianos do PIME à noite, pois ficava muito longe do novo aeroporto da capital. Precisamente por esta razão pedi para que me encontrassem lugar para ficar no centro de Bangkok, para onde fui na 5ª feira, 26 Outubro. Bom, o dia 25 passei-o com o padre Adrianao, missionário há 32 na Tailândia e que nos últimos 9 anos tem feito uma experiência muito bonita e significativa em vários bairros-de-lata da zona; visitei casas-família para crianças destes bairros, como pessoas que, sendo dos bairros, ajudam outros mais pobres. Recebem uma especial de “salário”, de modo a serem incentivadas a darem o seu melhor com fidelidade. Encontrei algumas destas pessoas e foi incrível poder ver o quanto amam fazer o bem, sempre impulsionadas pelo padre Adriano. Na Itália, estes missionários do PIME têm cerca de 2000 famílias que participam num programa de adopção à distância, programa que possibilita o projecto das casas-família para as crianças pobres, de modo a que elas possam frequentar a escola e serem bem sucedidas na inserção futura na sociedade. Claro, sendo director de uma revista missionária, o objectivo desta visita era também de preparar material para depois inserir na nossa revista, algo que comecei já a fazer. Com a viagem ao Kenya farei precisamente o mesmo, claro!
Bom, como o discurso já vai longo, resumo a última parte: fui então para Bangkok, onde fiquei hospedado nos missionários franceses do MEP. Tive de desenferrujar o meu pobre francês, embora todos falassem inglês também. Visitei a cidade quase toda, pois tive quase 4 dias; ADOREI AO MÁXIMO!!! Os templos são espectaculares e a cidade, se munidos de um bom mapa, é de fácil conquista. O único “senão” é a poluição atmosférica e Sonora, sobretudo causada pelas moto-táxi (chamadas Tuk-tuk). Visitei tambem o famoso "mercado flutuante", ou seja, um mercado feito de barcos num canal; foi uma das experiencias mais memoraveis desta minha viagem; ficava a uma hora de Bankgkok. Claro, durante a minha estadia fiz uma carrada de fotos; colocarei todas ou quase num sito e depois avisar-vos-ei, de modo que possais desfrutar do melhor que por lá vi e fotografei.
E pronto: fico por aqui. Muito mais haveria para contar, mas fica para quando nos encontrar-mos, certo? Fecho este texto e escreverei o seguinte, contando-vos o que tenho feito desde o mês passado. Incrível, já estamos em Dezembro!!! Também por cá se sente o cheiro forte a… Natal, se bem que para os “indígenas” daqui isto seja pura e simplesmente sinal de CAPITALISMO! Enfim…

As fotos que coloco agora são relativas ao Congresso Missionário; no próximo texto colocarei mais fotos.
1. Eu com P. Giorgio Marengo
2. Lideres religiosos: bispo catolico, monge budista e lider musulmano
3. Eu com bailarina indiana
4. Eu com indigena tailandesa
5. Bispos com criancas que fizeram um teatro sobre catolicismo na Tailandia: foi "divino"
6. Eu com outros tugas (o segunda da esquerda e' indiano)
7. Eu com um indonesiano em trajes nacionais tribais
8. Uma das belissimas bailarinas locais
9. Um simpatico casal da tribo Aka (Tailandia)

Tuesday, November 07, 2006

E o tempo vai passando...

Yokkok, 7 novembro 07
Anyong, malta!!!
Ola a todos. Pois e', ainda nao tive tempo para partilhar com voces o diario da minha viagem `a Tailandia, mas prometo que esta' para proximo. E' que estando eu ocupado com a revista, a qual tem prioridade sobre outras coisas, o tempo foge-me das maos... Prepararei tambem as fotos que la' fiz, varias centenas (nao digo milhares para nao vos assustar; claro, varias ficaram mal ou desfocadas, mas espero em breve substituir a maquina fotografic, pois esta e' fraquinha); coloca-las-ei no site do web-a-photo, de modo a que possais conhecer um pouco deste belissimo pais asiatico.
Hoje tive mais um dia bastante preenchido, sobretudo com o senhor da grafica onde a nossa revista e' produzida: estive quase duas horas com ele corrigindo e acertando detalhes no nosso calendario missionario 2007, o qual ofereceremos a amigos e benfeitores. Tambem estou preparando o boletim para os nosso benfeitores, o qual servira de cartao de Natal; e', este ano decidi nao fazer o meu habitual, pois simplesmente nao terei tempo, ate porque em Janeiro irei ao Kenya, o que implica mais trabalho, pois terei de deixar muito material preparado antes de ir. De qualquer modo, este cartao inserido no boletim nao deixa de ser meu, pois a foto da capa e' minha, tirada precisamente na Tailandia, quando estava visitando a tribo dos Aka, no norte do pais. Depois irei coloca-la aqui tambem...
Bom, faz tempo que tenho um texto muito engracado sobre frases famosas, enviada por um amigo meu, o Nando, dos nossos jovens leigos da Consolata, comunidade de Ermesinde. Assim, aproveito estas frases que estao DEMAIS para que possais rir e relaxar um pouco . Colocarei tambem algumas fotos comicas ( a minha preferida e' a da miudita que ameaca o irmaozito: esta' ESPECTACULAR!!!), encontradas aqui e li na net... pois a vida nao deve ser tomada muito a serio, verdade?
Bom, espero que gosteis e prometo estar para breve o meu diario, ok?
Aqui vai o texto... Algumas sao "politicamente incorrectas", mas nunca fui politicamente correcto, por isso acho que estao o maximo!!!

FRASES E AUTORES

Incomodam-me as pessoas que não dão a cara (Anónimo)
Vamos por partes (Jack, “O Estripador”)
A minha esposa tem um bom físico (Albert Einstein)
Eu comecei por roer as unhas (Vénus de Milo)
Nunca pude estudar direito (Corcunda de Notre Dame)
Ser cego não é grave, pior seria ser negro (Stevie Gonder)
Sempre quis ser o primeiro (João Paulo II)
Quando te foste, deixaste-me um sabor amargo na boca (Monica Lewinski)
Hás-de pagar-me (Fundo Monetário Internacional)
Basta de realidades! Queremos promessas! (os pobres)
Batemos a concorrência (Moulinex)
O leite engorda (uma grávida)
Tenho um coração de pedra (uma estatua)
Não mais derramamento de sangue (Tampax)
Tenho nervos de aço (Robocop)
O automóvil nunca substituirá o cavalo (a égua)
Mamã, eu sei tudo (dicionário “O Pequeno Larousse Ilustrado”)
Tenho um nó na garganta (um enforcado)
X (um analfabeto)
O meu noivo é um Monstro (a Bela)
Gosto da humanidade (um canibal)
Não vejo a hora de me ir (um cego)
Basta de humor negro (Ku Klux Klan)
A minha noiva é uma cadela (Pluto)
És a única mulher da minha vida (Adão)
Avariou-se o despertador… (Bela Adormecida)
É melhor dar que receber. (um boxeur)
Levantarei os caídos e oprimirei os grandes (o soutien)



Um abraco a todos e que o nosso Amigao vos mantenha sempre no Seu amor
Vosso mano tugacoreano

EU

Sunday, October 15, 2006

Nas vesperas da viagem `a Tailandia...

Yokkok, 15 Outubro

Anyong, pessoal!
Pois é, nem imaginais o quanto ando feliz da vida. Claro, parte da felicidade pessoal é o facto de se amar o que se faz e, no meu caso, posso dizer-vos que amo imenso esta missão que o nosso Amigão me tem proporcionado. Trabalho não me tem faltado, mas também não tem faltado nem vontade nem inspiração para o fazer. Neste campo da inspiração, o nosso Amigão tem sido particularmente fenomenal para comigo, pois terminei de escrever o livrito de meditações diárias para a Quaresma. Sim, são 40 meditações, 40 orações e 40 perguntas para reflexão. Este é um trabalho que tenho feito sem recorrer a livros ou outro tipo de ajuda há já alguns anos. E como todos os anos as leituras são praticamente as mesmas, não é um trabalho fácil. Mas socorro-me sobretudo da minha experiência pastoral, bem como das amizades que vou fazendo por cá, através das quais tenho a possibilidade de conhecer mais e melhor o coração e a mente desta gente; claro, não sou um especialista, nem de longe, mas creio que conheço relativamente bem a experiência de vida e de fé para as ajudar a reflectir sobre o Mistério Pascal (paixão, morte e ressurreição de Cristo). Não é um motivo de orgulho, mas sim um impulso para continuar a dar o meu melhor o facto de várias pessoas me terem dito o quanto apreciam o mesmo.
Bom, assim que estando o livrito escrito, em Novembro será traduzido, em Dezembro publicado e em Janeiro começarei a vendê-lo; mas dado que irei ao Quénia, o outro tuga encarregar-se-á de os vender durante a minha ausência. Com ele, padre Pedro, fui visitar no passado dia 11 o nosso embaixador, o qual cessará funções aqui na Coreia a meio do mês que vem. Por mais impossível que pareça, este ano só o conseguimos encontrar uma vez. Seja ele que nós estamos bastante ocupados e, como tal, não deu para conciliar datas. Nem mesmo no dia de Portugal pudemos estar presentes, pois quando nos preparávamos para ir para Seúl, caiu de repente uma chuva torrencial, um autêntico dilúvio de proporções bíblicas e, como tal, não deu par ir. Enfim, a verdade é que é um homem impecável e muito dado aos missionários, pois sabe que somos os que mais e melhor conhecem uma cultura. Bom, espero que o próximo seja acessível, pois o anterior jamais se interessou por nós. É pena que, sendo os tugas presentes aqui na Coreia menos de 20, nunca se faça nada para os juntar! Esta é uma das razões porque adoro fazer a missa com os brazucas uma vez por mês, pois assim mato saudades da nossa língua. E embora a feijoada tuga seja melhor, a brasileira não fica muito atrás… eheheheh
Bom, preparei também o nosso calendário missionário, o qual será baseado nas orações missionárias do Papa para o ano de 2007. No próximo mês terei 2 fins-de-semana missionário, incluindo na paróquia de um ex-pároco meu, o qual encontro de vez em quando para um tachito e um cinema; dado que vai sair da actual paróquia, pedi-lhe para o fazer lá. Encontrei-o ontem, juntamente com uma senhora da paróquia onde eu e ele trabalhámos juntos por 2 ano, a qual foi a minha primeira experiência para praticar a língua. Encontrei também a semana uma senhora amiga de longa data, a qual fez uma peregrinação à Europa (percorreu vários países, 5 ou 6, em 12 dias: loucura a que os coreanos estão habituados!); trouxe-me 4 caixas pequenas de chocolates belgas deliciosos. Parecem mousse de chocolate em versão … como se diz… ai o meu português!!! Em versão de cubinhos, sei lá… O que sei é que são uma delícia!!! Alguns coloquei ao dispor e prazer dos meus manos, outros vou consumindo aos poucos por minha conta. Sim, de vez em quando a missão precisa de ser adocicada…
A primeira foto que coloco hoje foram tiradas uma com freirinhas que costumo visitar uma vez por mês para lhes fazer o retiro (uma meditação de quasde uma hora, em coreano, claro); vieram visitá-las a madre geral (a "velhinha" do meio) e a vice, a qual trabalhou na Coreia durante vários anos e a quem trato por “tia” (e' a primeira da esquerda). Sim, é mais uma tia… e uma das poucas freiras por quem tenho muita consideração e afecto. É que, caso não saibais, com freiras não vou lá muito, pois a maioria são ultra-conservadoras e “complicadas”. Mas com as que me dou bem, dou-me bastante bem.
A segunda é a de uma das criancas da creche que as irmas tem na casa delas. Esta' muito fofa, nao esta'? Esta e' uma das minhas criancas preferidas... Quanto `as foto da flores, encontrei-aa na nossa casa do centro de diálogo inter-religioso e arredores, onde fazemos o nosso retiro mensal. Sim, adoro fotografar flores, pois são para mim uma das expressões mais concretas e maravilhosas que Deus usa para nos mostrar a Sua beleza. Mas adoro mais as criancas, pois claro, pois sao, no meu ver, A EXPRESSAO MAXIMA DA BELEZ E AMOR DE DEUS PARA CONNOSCO!
Bom, amanhã irei visitar, com alguns manos meus, um templo budista bastante bonito; estive lá há uns meses atrás e gostei imenso, tanto que o propus como motivo para o nosso passeio de amanhã. Fazemo-lo sempre que um mês tem 5 segundas-feiras. Na 3a feira irei comprar algumas prendas coreanas para oferecer aos missionários italianos que me darão hospedagem aquando da minha estadia em Bangkok, bem como a um brasileiro que me encontrou estadia no centro diocesano de Chiang Mai, a cidade onde terá lugar o congresso missionário asiático e que visitarei por 2 dias após o mesmo. Visitarei também uma freirinha que é quase metade de mim, mas de uma simpatia extrema: conheci-a na comunidade do noviciado da congregação dela, quando eu vivia em Okil-tong (na nossa comunidade do diálogo inter-religioso: estive lá uns 3 anos, até setembro do ano passado). Das várias que conheci ficou a amizade dela e a de uma sua superiora, a qual faz mais de um ano que não encontro, pois vive e trabalha no sudoeste da Coreia.
E na 4ª feira, se Deus quiser, partirei para a Tailândia às 9.30h da manhã; não sei quantos coreanos irão participar, mas são cerca de 20 ou quase. Uma senhora que traduz parte da nossa revista também participará, pois faz tradução; é membro dos Focolarinos, um movimento católico que tem como carisma a unidade. O brasileiro que encontrarei em Chiang Mai também é da “seita” (sim, trato-os por “seita”, mas não de forma depreciativa: é só para o gozo, pois 2 colegas meus são membros do movimento e, como acho que não deveriam sê-lo, gozo-os e chamo-os de sectários… Enfim, é uma história longa!).
Mas estou mais contente porque um dos meus colegas que trabalha na Mongólia, padre Giorgio, também irá participar no congresso, como membro da delegação daquele país. Será uma alegria enorme revê-lo, pois passámos uns dias inesquecíveis na Mongólia, como já vos disse.
Bom, vou ficar por aqui, pois é tarde e já falei demais…
Mais uma vez, espero que estejais bem.
Permanecemos unidos na amizade e na oração
Vosso mano

Álvaro

Sunday, October 08, 2006

Surpresas...

Yokkok, domingo 8 outubro 06

Olá, pessoal!
Pois é, faz tempo que não dou notícias, verdade? Bom, a razão é simples: trabalho! Felizmente, tenho óptimas razões para andar ocupado: estive no fim-de-semana de 30/9-1/10 no sudeste coreano, mais precisamente em Pusan, cidade onde costumo ir passar uns dias de descanso duas ou três vezes por ano. Mas desta vez não foi para descansar, mas sim para trabalhar: falei da missão, do nosso Instituto, da vocação missionária de cada cristão, da nossa revista, de modo a “angariar” mais benfeitores. Não me saí nada mal, graças a Deus. Veio comigo o outro tuga, Pedro Louro, pois tínhamos também um encontro com alguns benfeitores nossos daquela zona. Fizemos a missa com eles e mostramos-lhes fotos da nossa viagem à Mongólia. Enquanto que eu fiz a homilia missionária em todas as missas da paróquia, ele fez a dos nossos benfeitores.
Entretanto, tenho andado ocupado não só com a revista, mas também com o calendário missionário que ofereceremos a amigos e benfeitores no fim do ano; já tenho todas as fotos e estará pronto a meio de Novembro. Porquê só nessa altura? Porque de 18 a 29 deste mês estarei… na Tailândia!!! Sim, tive a “sorte” (bênção de Deus!) de poder ir participar no Congresso Missionário Asiático, o qual terá lugar em Chiang Mai, uma cidade no norte da Tailândia (fica a uma hora de avião da capital Bangkok); durará 4 dias, após os quais ficarei 2 na mesma cidade de modo a conhecer um pouco a zona e uma experiência de diálogo inter-religioso entre católicos e budista. Um dos que estão empenhados neste campo é brasileiro e é quem me conseguiu alojamento no centro diocesano da cidade. Depois, irei para a capital, onde ficarei de 3a feira à tarde até domingo à noite (24 a 29); irei ficar hospedado na casa dos missionário italianos do PIME; com eles farei um artigo sobre o trabalho deles ali, bem como da presença da igreja Católica no país. Claro, irei fazer milhares de fotos…
Hoje à tarde fiz a missa com um pequeno grupo de brasileiros (faço com eles uma missa por mês), no apartamento de um casal (ele está fazendo mestrado aqui e ela veio para não ficar longe); dado que eles estiveram na Tailândia faz um mês e tal, emprestaram-me um guia da Ásia central, Tailândia incluída. Já o comecei a “devorar”, claro! Aqui da Coreia irão quase 20, entre padres, religiosos e leigos; uma das tradutoras da nossa revista irá também, pois fará de intérprete. Não vejo a hora de partir, pois estou certo de que sera não só uma “prenda” incrível do nosso Amigão, mas também uma experiência inesquecível. Terei também a possibilidade de partilhar a minha experiência de fé com católicos de outros países da Ásia, pois o congresso sera feito em “workshops” (trabalhos em grupos). Creio que irão participar cerca de 1000 pessoas, provenientes de praticamente todos os países da Ásia central e oriental, mais Oceânia.
Claro, depois contra-vos-ei tudo tim-tim pot tim-tim.

Mas… as surpresas não terminam aqui! Recebi na semana passada um mail do nosso vice-superior geral, convidando-me e a outros editores das revistas missionárias do nosso Instituto (incluindo a Fátima Missionária, do nosso Portugal), para um Fórum social, bem como um encontro dos editores uma visita às zonas históricas do nosso Instituto… thcham tcham tcham… no QUÉNIA!!! Para quando? Para Janeiro do ano que vem. Ou seja, falta pouco. Esta é mais uma razão para o tanto trabalho destes últimos tempos. É claro que não perderei esta oportunidade e dom do nosso Amigão, pois sempre sonhei visitar a África. Confesso que quando entrei no Instituto o meu sonho era trabalhar lá, mas durante os estudos de teologia em Londres, o sonho virou-se para a Ásia e para a América Latina. Ou seja, depois da Coreia espero poder ir trabalhar ou no Brasil ou noutro país latino-americano. Mas isso fica para depois, certo?
É claro que tenho “andado nas nuvens da felicidade” nestes últimos dias, mas também tenho feito da minha oração um louvor contínuo ao nosso Amigão pelos dons que me tem concedido. Amo esta missão na Coreia, apesar das dificuldades; afinal, estou cá há praticamente 10 anos e com o trabalho que faço sei que posso ajudar muitas pessoas a ganharem uma consciência missionária, abrindo o coração e os horizontes ao mundo, sobretudo do ponto de vista missionário. Através da revista, tenho também a possibilidade de conhecer mais e melhor o mundo do ponto de vista de quem vive imerso nele de uma forma muito especial e profunda: os missionários. Sim, porque não comunico só algo aos coreanos aqui: também eu aprendo muito preparando a revista. Outra experiência que tenho feito desde a semana passada é a da prepração do librito de meditações diárias para a Quaresma. Sim, estou já a escrevê-lo, precisamente por causa da viagem à Tailândia; tenho assim a oportunidade de partilhar a minha experiência de fé com tanta gente; ao mesmo tempo, para escrever este livrito tenho de conhecer sempre mais o coração da gente deste país, sobretudo a nível da vivência diária de amor, fé, família, etc. É uma experiência muito enriquecedora, sem dúvida, pela qual não me canso de agradecer o nosso Amigão.
Bom, vou ter de parar por aqui, pois é tarde: eu já deveria estar no “vale dos lençóis, pois amanhã tenho missa cedíssimo: às 6.30h da madrugada, nas freirinhas do Hospital da Sagrada Família.
Espero que estejais todos bem. Quando puderdes, mandai notícias…
Um abração especial e bem coreano
Vosso mano

Fotos:
1-minha faz umas semanitas
2- com duas simpáticas miúdas d paroquia onde estive em Pusan
3- com os brasileiros após a missa
4- uma rosa iluminada (que estava numa pequena sala de visitas aqui em casa)

Thursday, September 14, 2006

Diario da viagem `a Mongolia 1

Caros amigos:
Ola'. Bem, custou mas sempre consegui publicar o diario da nossa viagem `a Mongolia. E' que o tinha escrito originalmente em italiano e, como tenho andado muito ocupado com o trabalho, so' agora me e' possivel publica-lo. Bom, deixo-vos entao o diario deste que foi uma das viagens mais incriveis que fiz ate' hoje e que, no contexto da nossa familia missionaria, foi uma das mais significativas. No fim do texto (2) explico-vos o porque... Boa leitura!

O nosso Instituto está presente em 2 países da Ásia Oriental: Coreia do Sul (desde 1988) e Mongólia (desde 2003). Sendo este um imenso continente, aqui na Coreia estávamos geograficamente muito distantes do resto nosso Instituto. Mas agora que temos “vizinhos” na Mongólia (a 3 horas de avião), o nosso estado de espírito mudou completamente. Assim, há 2 anos e no ano passado fizemos o nosso retiro anual de 5 dias e as férias comunitárias com os nossos manos e manas que trabalham na Mongólia, ao quais vieram cá nos visitar. Mas agora que eles são numericamente mais do que nós, tocou-nos fazer-lhes uma visita este ano. Deixo-vos um resumo do diário desta viagem incrível; sim, ADOREI IMENSO e este é também o parecer dos meus 6 colegas que lá foram comigo, não só pela Mongólia em si, mas sobretudo pela experiência de familiaridade vivida com os nosso manos padres e manas freiras que lá trabalham: foram impecáveis connosco e prepararam tudo ao pormenor para que esta fosse de facto uma experiência e um partilha memorável. Bom, aqui vai o diário da viagem…

9 agosto ’06
Partimos do aeroporto de Incheon às 8h da noite; viajava connosco o padre Gianni Colzani, um professor de Antropologia Teológica e Missiologia em Roma e Milão, o qual tínhamos convidado para nos orientar o tal retiro anual. 3 horas depois, aterrámos no Chenggis International Airport. Esperavam-nos 2 nossos colegas e, após chegar à nossa casa, tínhamos bolos preparados pelas freirinhas e um acolhimento muito fraterno. Após uma longa conversa, fomos nanar… pois eram quase duas da manhã. Tomámos de “assalto” os quartos dos nossos manos, os quais dormiram na cozinha/sala de jantar. Foi muito melhor assim, do que ficarmos hospedados numa qualquer pensão: uns no chão, outros mais repimpados numa caminha… como eu!!! eheheheh
10 agosto
Primeira visita à capital Ulaan Baatar. A casa dos nossos manos não fica longe do aeroporto e chegar ao centro da cidade é um rápido; só que naqueles dias a ponte de acesso ao mesmo estava em obras, como tal o tráfico era muito mais intenso e caótico. Se já em Seúl conduzir é uma aventura, então na capital mongola é como “arriscar a vida”!!! Mamma mia, nunca vi nada assim; claro, é natural quando em poucos anos se passa de montar a cavalo a segurar um volante!!! Ou seja, após a saída dos “colonizadores” russos, no início dos anos 90, a Mongólia sofreu profundas transformações, sobretudo a de se ver de um dia pró outro sem saber como utilizar o que os russos tinham construído; também houve o “choque” da democracia, ou seja, teriam de ser eles a tomar as rédeas do destino deles… o que não tem sido fácil, pois é um país muito pobre. Mas são muito orgulhosos e cheios de garra, por isso espero que se dêem bem com esta mudança. Outros elementos característicos da capital: não há praticamente placas com indicações (ou seja, ou és de lá ou então não podes ir a lado nenhum!!!), nem semáforos, nem sinais; os carros são 99,9% de 2a ou 3a ou até mesmo de 4a mão… e quase todas coreanas e japonesas (70% coreanas, uns 25% japonesas e o resto de outros países). Não existem cabines telefónicas, mas sim pessoas com um telefone na mão (literalmente, um telefone portátil!) ou com uma mesinha, espalhados por toda a cidade. Embora sejam muitos mais vistosos no Inverno, vi vários miúdos que vivem na rua, vítimas de uma pobreza terrível. Os autocarros são também de 2ª ou 3a mão, quase todos coreanos ou da velha Rússia; típicas são as carrinhas que transportam muitos mais passageiros que o permitido e que sobretudo viajam para for a da cidade; um tipo sai de dentro e berra, literalmente, berra as direcções do mesmo: quem o toma, paga antes de entrar e lá vão. Todas estas carrinhas são de marca coreana e do mesmo modelo, Grace, igual à carrinha que tínhamos nós aqui antes da actual. Estando as estradas mongolas em péssimo estado, uma boa parte dos carros são jipes 4X4, essenciais para quando se sai da cidade. Verei nas fotos que o estilo de paisagem mongola assim o exige! Quanto aos táxis, estão devidamente identificados, mas o curioso é que… qualquer automobilista pode ser um taxista: basta meter a zero o conta-km e depois o passageiro paga o devido preço, pois há uma tarifa conhecida por todos! Um dos elementos característicos do capitalismo é o uso dos telemóveis: não são ainda muito difusos, mas fiquei admirado pela quantidade de gente que o tem! Não só n capital, mas noutras pequenas cidades de província. Quanto à população, metade dos quase 3 milhões de mongóis vive na capital. E o número de gente que todos os anos entra na capital não pára de aumentar…
Bom, começamos por visitar o mosteiro budista de Gandan, um dos poucos que sobreviveram às destruições estalinistas; originalmente situado no centro da cidade, foi colocado no local actual em 1838. Na altura tinha cerca de 5000 monges, sendo um centro importante para aprendizagem e prática dos ensinamentos de Buda. Em 1938, os comunistas aboliram as comunidades religiosas na Mongólia, destruíram cerca de 900 mosteiros, transformando alguns em museus. Os restantes foram usados como residências dos oficiais russos ou como estalagens para cavalos. Em 1944, o mosteiro foi reaberto, mas o governo soviético controlava as funções e rituais praticados no mesmo. Só em 1990, com o fim da colonização soviética, o Budismo começou a expandir-se novamente. Actualmente, encontram-se cerca de 900 monges em Gandan, com 10 pequenos templos e “datsans” (tendas típicas mongolas onde se fazem vários ritos tântricos e outros). O budismo mongolo é de inspiração tibetana e contém muitos elementos do Shamanismo (religião tradicional, presente não só na Ásia, como em África e outras latitudes). No edifício central, encontra-se uma estátua alta 25 metros! É a estátua de uma deusa budista. Muitos dos monges são casados (elemento imposto pelos comunistas) e não vivem no templo.
Depois de um almoço tipicamente mongolo (o qual é sempre à base de carne de ovelha, vaca ou outro animal, mas raramente galinha e nunca porco), visitámos o Museu de História Nacional, bem como a praça diante do Parlamento; mesmo em frente à entrada do Parlamento encontra-se uma enorme estátua do Ghenggis Khaan, feita esta ano para celebrar os 800 do dito cujo. À tardinha, celebrámos a missa numa pequena capela perto do aeroporto, num bairro de lata; os católicos, ou melhor, baptizados são 2 ou 3; os restantes são catecúmenos (ou seja, estão recebendo formação para depois receberem o baptismo). E são todos muito jovens, como podereis ver nas fotos. Fiquei parvo com o domínio da língua mongola demonstrado pelo nosso colega Giorgio, um dos primeiros a iniciar a nossa presença naquele país. Faz só 3 anos que lá está, mas domina já muito bem a língua, se bem que tenha dito que era ainda de um nível muito normal… Fosse normal ou não, o que é certo é que a lingual mongola parece ser mais fácil do que a coreana, pois aqui um só se pode dar ao luxo de falar tão naturalmente depois de 5 anos!!!
Terminada a missa e o momento de estarmos juntos com os “locais”, fomos para a casa das freirinhas, as quais non prepararam uma deliciosa pizza. Mamma mia, como estava boa!!! É que era pizza caseira, não a “falsa” do Pizza Hut ou outros restaurants que dizem vender pizza. Noutras palavras, era como se a comessemos na Itália. Depois de uma “chiaccherata” (conversa), fui ainda com o Giorgio ao aerporto, buscar o superior, Ernesto, o qual tinha ido a Hong Kong com vários jovens mongolos participar no encontro asiático dos jovens.

11 – 16 agosto
Partimos para o retiro anual, o qual foi feito num campo de “gher” (típica tenda mongola, na qual vive metade da população… claro, cada família tem uma, não um milhão deles numa só! ahahahahah). Este campo turístico fica a quase duas horas da capital, em direcção a leste. O tema do retiro foi a Missão, porém ficámos todos bastante insatisfeitos com o conteúdo do mesmo, pois dado que o tal padre italiano é professor de universidade, ele limitou-se a dar-nos aulas obre a história da missão e não um retiro! A meio caminho ainda lhe dissemos para mudar de estilo, mas era tarde… Porém, pessoalmente pude tirar proveito não do que ele disse, mas do que tinha preparado para o mesmo, pois afinal de contas quem faz o retiro somos nós e não o pregador: ele pode ajudar (este é, geralmente, a sua função), como pode não ajudar; neste caso, não ajudou muito, mas pude fazer uma boa experiência. Para tal contribuiu a incrível paisagem mongola, a qual é simplesmente uma maravilha: extensões enormes, prados verdejantes, animais em liberdde aqui e ali… e então à noite é que foi mesmo lindo, pois assisti numa das tardes ao pôr-do-sol mais lindo que vi até hoje e, no dia seguinte, assisti pela primeira vez a um nascer do sol; e quanto às noites, eram sempre mega-estreladas!!! Foi, de facto, uma experiência de encontro com Deus através da natureza que jamais esquecerei. Podeis constatar pelas fotos no sito que depois vos indicarei’ algumas deles estão aqui no texto, precisamente para que possais ter uma ideia do que falo! No fim do retiro, fizemos um jogo de futebol… no qual também participei. Coreia contra Mongólia; perdemos 3-2, com 2 golos deles marcados pela irmã Lúcia, italiana! Mas serviu-me de consolação ter feito o melhor golo da partida. Claro, após 4 anos sem nunca ter jogado fiquei todo partido: por causa da operação ao joelho eu não deveria ter jogado, mas não deu para resistir; claro, joguei com cuidado para não me magoar. Andei depois quase 3 dias com as pernas doridas, mas valeu a pena!!! No fim desta partida, uma das experiências mais giras: passeio a cavalo! Acho que o meu, por ser pequeno como todos os outros, apresentou a demissão ao fim da hora de passeio, pois acho que nunca tinha tido uma “besta” como eu montado nele!!! No fim, antes de regressar a casa, assistimos ao “Nadam” das crianças: na Mongólia as festas nacionais chamam-se Nadam e estas incluem uma corrida de cavalos de 20 e tal km; durante a mesma, vários cavalos morrem devido ao esforço e este ano morreu também um cavaleiro; há a versão dos adultos e a das crianças. Assim, os donos do nosso campo turístico organizaram com alguns da zona esta corrida, para termos uma ideia do que é o Nadam. Foi impecável. É incrível a agilidade e habilidade das crianças montando a cavalo; claro, quase todas começam a montar aos 3-4 anos!

Wednesday, September 13, 2006

Diario da viagem `a Mongolia 2

17 agosto
Começamos o nosso passeio a Ulaan Baatar com uma visita ao bispo Wenseslaus, filipino e um dos primeiros missionários a chegar à Mongólia há 14 anos atrás. Acolheu-nos muito familiarmente e contou-nos a sua experiência missionária, bem como a história desta jovem Igreja católica mongola. Conta com 345 católicos, mais de 100 catecúmenos (que se preparam para receberem o baptismo), 3 paróquias, 5 capelanias e muitas actividades de carácter social e caritativo. Visitámos em seguida o Museu de História Natural, onde a atracção principal são os fósseis de dinossauros encontrados na zona do deserto dos Gobi (no sul da Mongólia). À noite, antes da janta, assistimos a um espectáculo de música e danças tradicionais… o qual foi verdadeiramente um espectáculo!!! São muito mais vivas do que as nossas músicas coreanas… Encontrámos ali 3 italianos que estavam viajando por estas bandas: tinham feito a Transiberiana (combioio que atravessa toda a Rússia e chega até à China!!!) e regressariam a casa partindo de avião na China. Vieram connosco para jantar na casa das irmãs uma deliciosa macarronata!
18 agosto
Iniciámos a nossa viagem de 4 dias em direcção ao sudoeste, para visitar a cidade, Harweher, onde os nossos colegas irão iniciar a segunda comunidade. Será a primeira presença católica naquela cidade de 22 mil pessoas. Infelizmente, as nossas freirinhas não puderam vir connosco. Apenas for a da cidade, deparámos com extensões imensas de estepes desabitadas; são poucos os centros habitados: o característico é uma “gher” aqui, outra a vários km de distância… Encontrámos pela primeira vez camelos; numa zona, há uma faixa de areal que se prolonga por várias centenas de km: algo insólito, pois é uma longa faixa de areia em meio dos prados imensos. A nossa primeira etapa é a cidade de Karkhorim, antiga capital do império mongolo (ao tempo do Ghenghis Khaan) que foi depois destruída pelos chineses. A cidade é agora famosa pelas muralhas e pavilhões que restam do templo budista, o qual era outrora esplendoroso; chama-se Ertene Zuu e data de 1600. À noite, por causa do frio que faz, decidimos não dormir em tendas, mas sim num campo de “gher”. A casa de banho é uma “barraca” com o buraco no meio, escavado na terra; sim, estávamos experimentando o que é ser mongolo a 99%, pois a 100% é… ao ar livre, atrás de uma qualquer colina!!! O duche ficava para o dia seguinte…
19 agosto
Antes de deixarmos a cidade, visitámos um monumento dedicado a Ghenghi Khann, no qual estão representados os períodos da conquista do império mongolo, o qual chegou até à Europa!!! Incrível como um exército a cavalo, tendo partido desta remota parte do mundo, tenha conseguido semelhante façanha! Depois do almoço tipo pic-nic a caminho da próxima paragem, chegámos a um templo budista construído séculos atrás no topo de um colina rochosa. São vários os “indígenas” que o visitam, sobretudo idosos. Neste templo viveu, por um tempo, o primeiro líder budista mongolo, o qual é uma das figuras proeminentes desta nação: era não só monge, como filósofo, escritor, e portador de outros títulos. Enfim, era um “cérebro” e pêras! A subida para o templo pode também ser feita, em parte, a cavalo: eu fi-la, mas como os cavalos são pequenos e a sela era apertada, decide regressar a pé. O pobre do cavalo também pediu demissão após a chegada ao cimo, pois poucos “indígenas” têm o meu porte… Dali partimos para outro campo de “gher” situado ao lado de uma cascata famosa na Monólia, creio que por ser das poucas existentes. Neste campo foi possível tomar banho e jantar como num restaurante: o tacho estava uma delícia!!!
20 agosto
Começamos por visitor a dita cascata, antes de continuar a nossa viagem. Para viajar por onde viajámos são necessárias várias coisas, mas duas são fundamentais: ter um bom jipe todo-terreno e um “indígena” que conheça bem as estradas ou então que saiba perguntar e acertar com o que lhe foi dito por parte de quem habita na zona. Aparece então um dos momentos mais marcantes desta viagem, bem como o único triste e incrivelmente desumano: deparámos com um vale imenso cuja terra foi esventrada para que milhares de pessoas procurem o “pó precioso”, ou seja, ouro! Muitos estão ali vai fazer 2 anos e as condições de trabalho e de vida são horrorosas e desumanas; há famílias inteiras ali, muitas crianças e mulheres cujo semblante é triste e sujo de tanto pó… Nunca tinha visto tal! Infelizmente, é uma situação que atrai muita gente, pois a maior parte dos mongolos são pobres. E para fugir à miséria muitos estão dispostos a tudo ou quase tudo… Ficámos todos muito tristes ao depararmos com esta situação, sobretudo os nossos colegas que estão na Mongólia, pois aquela zona pertence, em teoria, à área da cidade onde irão trabalhar. Os locais chamam a estas pessoas “ninja”, pois muito carregam um balde (para com a água separarem a terra do ouro), imagem parecida com as famosas tartaruga-ninja.
À noite chegámos finalmente a Harweher, que é capital de região. A casa que os nossos colegas alugaram não está ainda pronta a 100%, por isso não pudemos dormir nela; esperemos que esteja pronta para finais de Setembro. Jantámos ali perto e fomos depois dormir num pequeno hotel ali perto; de hotel só tinha nome, mas mesmo assim tinha boas condições; era mais propriamente uma pensão. Mas antes da nana joguei ainda bilhar com alguns colegas e o motorista mongolo.
21 agosto
Começamos o dia com uma visita ao museu e ao mercado local. Adorei, pois fiz boas fotos e, como gosto do que é tradicional e característico de uma região ou nação, pude ver muitas pessoas com trajes tradicionais, bem como a vida como é vivida na região. No mercado, haviam também produtos chineses, russos e coreanos; este mercado é o principal fornecedor da região. Para nosso espanto, vimos alguns cadernos com artistas coreanos na capa
Bom, quanto à nossa presença missionária, ela será a primeira católica em absoluto na região. Desejámos aos nossos colegas muitas felicidades e sorte, pois sabemos que não será nada fácil trabalhar ali. Retomámos a estrada de regresso à capital, desta vez pela estrada asfaltada e mais directa, se bem que durante uma boa parte do percurso a viagem tenha de ser feita não na estrada mas ao lado, em estradas de terra feitas por gente que não suportava os intermináveis buracos; assim, criaram-se estradas alternativas não planeadas pelas autoridades locais. Depois de várias horas de viagem, intervaladas por paragens para comer ou “mudar o óleo” ou esticar o pernil… eis que avistámos a capital! Infelizmente, os nosso colegas ainda não tinham água quente, mas valeram-nos as freirinhas que tinham aquecido várias panelas dela… Foi um dos melhores banhos que tomei em toda a minha vida!!!
22 agosto
Bom, último dia na Mongólia. Como dizia o outro, “tudo o que ’e bom acabada depressa!” Mas como é assim mesmo, o importante é, como digo eu, que tenha acabado bem! Certo? Cansados da memorável viagem, decidimos dormir um pouco mais e tomar as coisas com calma: assim, após um bom descanso, fomos cumprimentar o padre Kim, nosso “conterrâneo” coreano, o qual é pároco da paróquia dos nossos manos e manas. Eu tinha-o entrevistado para a nossa revista o ano passado aqui na Coreia, pois ele tinha vindo angariar fundos para construir a igreja que vimos em fase de construção. De momento, celebra a missa e outras funções numa grande “gher”. Em seguida, fomos ao centro da cidade fazer compras de lembranças para amigos e família. À tarde, após uma boa sesta, fomos celebrar a missa na paróquia onde tínhamos estado de manhã; os participantes eram quase todos catecúmenos muito jovens, crianças incluídas, e surpreendeu-nos a devoção e entusiasmo com que participavam e cantavam. Impressionou-nos também ver o nosso mano Giorgio, um dos primeiros a iniciar a nossa presença na Mongólia, falar o mongolo com um à-vontade espantoso. Ele dizia que tinha ainda um nível muito simples, mas era modéstia sua, pois todos dizem que fala muito bem. Quem nos dera que fosse assim com o coreano…
Antes de partirmos para o aeroporto, pois o voo era às 11h da noite, convidámos os nossos manos e manas da Mongólia a um jantar de agradecimento: fomos a um restaurante famoso na capital, se bem que a fama de churrascaria seja só isso mesmo: fama, pois não fazem a carne ao estilo de churrasco. Enfim, o importante foi agradecermos aos nossos manos e manas pela fantástica experiência que nos proporcionaram. Jamais a esqueceremos, sobretudo eu, pois ADOREI A 100%!
E como tudo na vida, também a nossa viagem à Mongólia chegou a seu termo. Chegava a hora de regressarmos à humidade horrível da nossa Coreia, deixando para trás as frescas e secas noites mongolas. Veremos como continuar estes nossos contactos no futuro, mas certamente terá sido a primeira e última vez que fomos lá em grupo tão numeroso. Tudo o resto que não vos pude contar são os gestos diários de simpatia, de atenção, de detalhes que fizeram com que esta nossa visita fosse um encontre de família, um visitar a nossa própria casa. Assim, sentimos agora mais do que nunca a Mongólia como parte de nós! Nossa Senhora da Consolata está presente na Ásia e quer-nos muito, a nós seus filhos e ilhas missionárias.
Bom, quanto às fotos, mandar-vos-ei por e-mail o sito onde elas se encontram. Mas convém que leiais este diário, de modo a entenderdes cada uma delas.
Despeço-me por hoje com um abração mega… e se algum de vós algum dia tiver a oportunidade de ir à Mongólia, recomendo-vos a 100%. Claro, mas primeiro tereis de passar por cá…

Saturday, September 02, 2006

Reflexoes de um sabado `a tarde...

Paroquia de OjongDong, 2 Setembro 06

Anyong, pessoal!
Pois e', e' sabado `a tarde e aqui estou eu diante do computador escrevendo um pouco mais este meu blog. Um meu ex-paroco pediu-me que o substituisse na sua paroquia durante este fim-de-semana e de 3a a 6a feira da poxima semana. Assim, como somos bons amigos, aqui estou para que ele possa tirar uns dias de ferias. Umas amigas que me visitaram aqui na Coreia conhecem-no: e' o padre Joaozito.E' uma seca estar sozinho, mas tambem nao e' por muito tempo; de facto, esta noite irei fazer um pouco de ginastica com uma amiga (a qual como eu precisa de exercicio fisico), enquanto que amanha `a tarde encontrarei uma outra, a qual fala portugues. Assim, faco algo do que mais gosto: estar com as pessoas e partilhar Deus com elas. Na proxima semana encontrarei outros amigos, pois trouxe-lhes uma lembranca da Mongolia e quero partilhar com eles as fotos que la' fiz. Com todos voces estou prestes a fazer o mesmo, pois ainda nao acabei de coloca-las todas num site que depois vos indicarei, de modo a que possais desfrutar (ainda que so' por imagem) a beleza da Mongolia e o que por la' vivi em duas semanas. No meu proximo blog descrever-vos-ei o que por la fiz e vi.
Esta manha falei com um amigo brazuca e confirmei com ele a missa de setembro com os brazucas: sera' no proximo doming, dia 10, na casa de uma senhora casada com um coreano; ela esta' ca' faz mais de 30 anos. E dado que esta semana que vem havera' um pequeno festival de cinma brasileiro, penso ir ver um filme dia 7, pois e' tambem o dia da independencia deles da nossa colonizacao. Mas nao penseis que a minha vida e' so'... boa vida: no domingo passado fiz a homilia em 5 missas numa paroquia de Seul, onde estao 2 padres mexicanos super-simpaticos e muito boa gente; falei das missioes, do ser-se missionario e convidei as pessoas a assinarem a nossa rvista. Foram 91 os que o fizeram: nada mal! Ate' eu fiquei admirado... Valeu o esforco, pois e' muito cansativo: se fosse numa lingua mais facil seria menos exigente, claro. No fim deste mes terei outro fim-de-semana missionario, numa paroquia em Pusan (sudeste coreano).
Esta semana quevm terei de comecar a preparar os textos da poxima revista, e antes de outubro sera' a vez de comecar a preparar o texto do... libreto quaresmal do proximo ano!!! E', o tempo passa correndo e, como tal, nao posso descuidar-me... Nao sei se conseguiremos vender tantos livros como este ano, mas farei o meu melhor. E em outubro tenho uma outra viagem especial: sim, irei participar no Congresso Missionario Asiatico, de 18 a 22, que tera' lugar numa cidade da... Tailandia!!! Mamma mia, estou muito contente por esta oportunidade; ira' tambem um colega meu italiano que trabalha na Mongolia, bem como uma das senhoras (sao duas, mais dois senhores) que traduzem a nossa revista.
Terminado o congresso, ficarei uns dias por la', provavelmente em Banguekok, para conhecer a realidade da Igreja catolica naquele pais e, claro, para fazer de turista e tirar muitas fotos. Estou muito entusiasmado, claro!!! Mais para a frente dir-vos-ei com mais detalhes...
Bom, vou ficar por aaqui. Deixo-vos algumas fotos de grupo tiradas na Mongolia, assim podeis ter uma ideia do que por la fiz com estes meus manos e manas incriveis que Deus colocou do meu lado... ou melhor, eu gostaria de colocar ums fotos, mas nao sei porque razao esta "trta" do pc nao me faz o download!!! Enfim, tento mais uma vez, senao vai mesmo sem fotos... e assim desculpais-me, ok?
Ficai bem e que o nosso Amigao vos proteja, sempre
Vosso mano coreano