Saturday, April 14, 2007

A aventura da vida e da missao continua

Wasu-dong, 11 Abril 07

Anyong, minha gente!
Pois é, eis que finalmente tenho tempo e predisposição para actualizar este meu diário. Já era sem tempo, pois desde o meu regresso da incrível e inesquecível viagem e experiência no Kenya que não vos escrevo. É incrível como o tempo passa, até porque “acabei de comer mais um ano”, como dizem aqui na Coreia. Sim, uma das formas de dizer “envelhecer” é dizer que se está comendo mais um ano. Assim, estou “começando a comer” o meu 36xto ano de vida, vida esta que tem sido uma aventura simplesmente FANTÁSTICA!!! Como envelhecer não é problema para mim, bem pelo contrário, aconselho a quem não gosta de “comer anos” a não vir para a Coreia, pois aqui um quando nasce… é ja “velho” de 1 ano. Ou seja, na Coreia acabei de fazer 37, pois contam o período dos 9 meses no seio materno como o primeiro ano de vida. O que é muito verdade, diga-se de passagem, pois somos seres humanos desde a concepção. Bom, o nosso Amigão tem, de facto, sido fenomenal e impecável para comigo, sobretudo através de pessoas muito especiais que vai colocando na minha estrada e que comigo caminham ao longo da vida. Aqui na Coreia são vários os amigos através dos quais Jesus me tem manifestado o Seu amor, não esquecendo, claro está, a minha família e comunidade missionária. Entre eles está o meu pároco actual, João, o qual conheci na minha primeira paróquia: estive lá 4 anos e com 2 padres, ambos muito porreiros. O segundo, este João, logo desde o início me fez sentir como em casa e, como tal, somos bons amigos: eu estou sempre à sua disposição quando precisa de ajuda, tal como ele para comigo. Vamos ao cinema de vez em quando, pois tal como eu adora cinema.Ainda no sábado passado fomos, com os 2 seminaristas da paróquia, ver um filme francês muito parecido com o Top Gun. Bom, vim para cá dar-lhe uma mão ao domingos e quando precisa, sempre que posso, dou-lhe uma mão… tal como nestes dias. Vim ontem para cá e estarei ate dia 20, pois foi de férias. Assim, estarei fora da comunidade por uns dias, o que de vez em quando até nem faz mal, pois mudar de ambiente ajuda a ver a vida e a missão com olhos novos e com uma perspectiva diferente. Assim, posso dizer-vos que, apesar de continuar apaixonado por esta missão e este país, estou necessitando de uma paragem. Ora, como sempre Jesus “veio em meu auxílio” com este curso de 3 meses que farei no Brazil, do qual vos falei já. É um curso para jovens missionarios do nosso Instituto com cerca de 10 anos de ordenação; vai-me fazer muito bem, pois estou mesmo a precisar de uma pausa. Claro, é um dom e um privilégio poder disfrutar de 3 meses para fazer este curso, pois quem dera a muita gente dispôr de tão grande dom… Mas como os missionários não têm a mesma vida que o resto dos “mortais”, fazemos também coisas que não são comuns a todos. Sei que muitos quereriam poder dispôr de tanto tempo para uma pausa longe da vida do todos os dias; de facto, muitos até brincam dizendo “vidinha de padre”… mas a verdade é que mesmo com uma vidinha assim, somos poucos, pois na verdade não é uma vida fácil. Mas é uma vida muito fascinante; claro, nunca seria padre de paróquia, pois gosto de estar ora aqui ora ali, de conhecer gentes, culturas e de adoptar modos de vida diferentes.
Bom, estou então aqui na paróquia substituindo o padre João. Ao mesmo tempo, continuo preparando a revista da qual sou diretor, pois estarei fora 3 meses e, como tal, tenho de deixá-la pronta antes de partir, também para poder disfrutar do curso sem preocupações. Para além da revista, tenho como responsabilidade, partilhada com alguns colegas meus, o grupo de benfeitores nossos; todas as últimas 2a feiras do mês temos uma missa e encontro com alguns deles; pelo Advento e Quaresma orientámos também um retiro. Tocou-me a mim orientar o último, da Quaresma; fiz uma apresentação diferente da Via-Sacra, mencionando temas sociais a nível mundial que têm flagelado massas imensas de gente, sobretudo de crianças e mulheres. Problemas como a sida, trabalho infantil, prostituição adula e infantil, tráfico de armas, entre outros. Claro, como não era a típica Via-Sacra, algumas pessoas ficaram surpreendidas e “chocadas” (em sentido positivo) com os conteúdos; porém, estes não eram novidade, popis foram tratados na nossa revista. Aliás, foi da revista que tirei o conteúdo das estações. Depois, estive uns dias no sudeste coreano, em Pusan, para tratar de um encontro com os nossos benfeitores daquela zona, para além de visitar um casal amigo e os dois filhotes que são simplesmente lindos!!! Podereis constatar o que digo numa das fotos que aqui colocarei.
Teremos então uma missa para os nossos benfeitores e os fiéis de uma paróquia dali a 22 deste mês. Em Maio, Junho e Julho terei 2 fins-de-semana, em casa mês, para fazer animação e propaganda missionária, pois precisamos de aumentar o número de benfeitores, até porque uma das nossas actividades como missionários é, precisamente, falar da missão universal da Igreja a esta nação que é muito rica em padres e freiras, mas com poucos missionários. Como escrevi na última notícia que enviei para o sito da nossa revista portuguesa (http://www.fatimamissionaria.pt/), os missionários católicos coreanos não chegam aos 500, enquanto que os protestantes ultrapassam os 11 mil. Quanto a nós, temos 9 seminaristas coreanos: 5 em Roma, doas quais creio que 3 ou 4 acabem em bem e sejam ordenados; aqui connosco estão 4, mas só vejo 2 a seguirem em frente. A ver vamos…
Bom, assim tem sido a minha aventura missionária após o regresso do Kenya. Não sei se vos disse, mas na ida para o curso no Brazil irei parar na África do Sul (o bilhete mais barato é com passagem por Hong Kong e este país africano) por uma semana, de modo a conhecer o país (parte dele, claro) e os nossos missionários que lá trabalham, até para preparar material para a nossa revista sobre esta nação, a qual, por exemplo, é a que mais casos de sida tem no mundo. Assim que irei conhecer mais dois países; no Brazil, irei dar um salto à Baía, antes do início do curso, para preparar material sobre o Brazil para a nossa revista. Sim, embora sem curso formal ou académico, sou… um missionário jornalista!
Quanto à Páscoa, passei-a aqui na paróquia, participando em todas as celebrações do Tríduo Pascal e missa de Páscoa; estiveram também presentes alguns padres da diocese que, como todos os demais, lá beberam uns bons copos depois das celebrações. Como não bebo, ficam admirados, pois sabem que em Portugal temos boa pinga. O ambiente foi ótimo, pois eram pdares relativamente jovens; quanto aos fiéis, são também boa gente e têm-me acolhiudo muito bem, sobretudo as velhinhas, as quais são a maioria nesta paróquia. Amanhã terei um funeral e só não farei outro na 6a feira porque o farão noutro lado; espero que não morram muitas nestas duas semanas, pois funerais em coreano não são fáceis… como não o são em outra qualquer língua, eu sei: mas em coreano são mais difíceis, creio!
Bom, vou ficar por aqui, senão ainda adormeceis. Espero que a primavera tenha chegado já: aqui começa a despontar. Vi parte dela onteontem, no passeio que dei para celebrar os meus anos. Pude assim louvar Deus pelo dom da vida no meio da natureza, especialmente na praia que visitei com amigos. Foi ótimo sair do meio da confusão de prédios, metro, correrias, stress e outras “anormalidades” da vida moderna, neste caso causadas pela falta de espaço e pela multidão de coreanos. É que a Coreia do Sul é mais pequena do que o nosso Portugal, mas tem 48 milhões de habitantes, metade deles numa área pouco maior que o norte tuga acima Douro!!!
Amigos, ficai bem e que o nosso Amigão vos abençoe e ajude no que mais precisais. Até mais…

Anyong!

Fotos:
1. Com alguns amigos brasileiros na janta do Ano Novo chines
2. Com uma sosia do Ronaldinho: ele e’ mebro de um grupo de dança que trabalha na China; veio à Coreia estudar a possibilidade de trazer o grupo aqui.
3. Com o meu querido casal amigo de Pusan e os seus dois filhotes.
4. Menina do meu casal amigo: linda, verdade?
5. Criança de uma creche onde vou de vez em quando; está vestida com o Hanbok, traje tradicional coreano. Esta tambem e' linda, nao e'?

Friday, February 23, 2007

Reflexoes sobre a vida...

Yokkok, 24 Fevereiro 07
Anyong, minha gente.
Faz tempo que nao escrevo, verdade? Pois bem, andando eu muito ocupado com o meu trabalho, o qual inclui escrever semanalmente para o sito da nossa revista tuga e ocasionalmente para uma revista da minha terra natal. Assim, aproveito o artigo que recentemente escrevi para esta ultima (chama-se Preseca) para partilhar convosco alguns pensamentos meus ...

Olá a todos! Estamos celebrando o Ano Novo do calendário chinês aqui na Coreia do Sul (17-19 Fevereiro) e, como tal, não quero deixar de vos desejar mais uma vez um Feliz Ano Novo. É tradição, seja na China como aqui na Coreia, aproveitar o longo feriado nacional para uma visita à terra natal, onde se encontram familiares e amigos após muitos meses de ausência e se presta homenagem aos antepassados. Assim, são milhares as pessoas que se deslocam kms e kms, usando os mais variados meios de transporte, para passarem uns dias em família. Dizem as estatísticas que cerca de 30 dos 48 milhões de coreanos irão deslocar-se nos próximos dias! Porém, para alguns estes dias são tudo menos alegres e festivos. Entre eles encontram-se os solteiros, sobretudo se têm mais de 30 anos, e os desempregados. E porquê “sofrem” eles? Porque estar solteiro ou não ter trabalho é considerado um fracasso, uma vergonha. Claro que, caso a situação não tenha melhorado no ano que vem, estas vítimas de “assédio emocional” continuarão a sofrer até que vejam melhorado o seu estatuto social. A sociedade é extremamente competitiva e é muito difícil que um indivíduo consiga “sobreviver” por sua conta: ou seja, um indivíduo existe enquanto membro de um grupo, senão é considerado “anormal ou estranho” e repudiado pelos demais. Das várias as razões para este tipo de valores, escolho uma delas: a importância da imagem. Para um coreano, é importante ter ou dar uma imagem de sucesso, de bem-estar, mesmo que essa imagem nem sempre corresponda à realidade. Certo, este valor está presente em muitas outras sociedades e culturas, incluindo a nossa portuguesa, mas creio que aqui está presente de um modo muito mais acentuado. Basta mencionar o facto de que a maior parte dos suicídios, os quais alcançaram níveis deveras assustadores nestes últimos anos, se devem a questões de “honra e prestígio”: ou porque se perdeu o emprego, ou porque se é menos inteligente na escola (caso de vários estudantes, jovens e até mesmo crianças), ou porque o stress e pressão para estar no topo da fama (no caso de cantores e actores de cinema/televisão ou de presidentes de companhias, entre outros), o método mais honrado e que menos vergonha causará à família é o do suicídio. Assim, em vez de se viver com menos posses, mas mesmo assim de forma digna, muitos escolhem a via do suicídio, pois a pressão social é deveras acentuada e sufocante. Tanto que, há tempos atrás, os meios de comunicação social alertavam para o facto desta sociedade se estar tornando cada vez menos humana. A vida passa a ter valor só em termos económicos; a gratuidade, o altruísmo, a solidariedade vão-se perdendo aqui e ali, se bem que, comparados com outros povos, os coreanos sejam talvez dos mais generosos quando uma calamidade ocorre “dentro de casa”.
A estes problemas junta-se outro, muito comum nas sociedades ditas modernas e em relação ao qual a Coreia não é excepção: o crescente envelhecimento das populações. Bem pelo contrário, a sociedade coreana é uma das que mais tem envelhecido nas últimas décadas, tanto que o governo, após ter lançado o alerta, saiu com várias propostas, sendo uma delas aumentar o número de gémeos. Sobre esta proposta escrevi há dias um artigo para o sito da nossa revista portuguesa “Fátima Missionária”: deixo-vos uma parte do mesmo e o comentário que lhe fiz.

“O governo coreano anuncia medidas para combater a baixa taxa de natalidade com meios artificiais, seguindo a tendência no que toca a produtos alimentares e métodos de beleza
(…) De facto, espera-se que o número de gémeos coreanos aumente para o dobro ao longo deste ano.
Segundo estudos feitos, a possibilidade de que os bebés sejam gémeos por método natural é de um a cinco em cem, enquanto que com a fecundação artificial é de três em dez. (…)O que é certo é que a população está a envelhecer a um ritmo veloz. O governo terá de considerar outras opções mais viáveis e “naturais”, como, por exemplo, apoiar casais jovens que desejam ter filhos e, porque não, integrar os emigrantes na sociedade de uma forma mais positiva, mais digna e tolerante.”
Sim, creio que è fundamental revalorizar a vida, ou seja, criar condições para que as pessoas sejam, por um lado, reconhecidas como tal e não como meras “máquinas de produção” e, por outro, que viver não se transforme em algo artificial, sem sabor, sem valor, sem partilha, sem tolerância, sem diversidade… Vivemos num mundo que cada vez mais se divide entre os que têm (sempre uma minoria) e os que não têm (são cada vez mais a maioria), entre os que podem e os que não podem. A ideia de “aldeia global” (=globalização) está destruindo, no meu ver, a riqueza cultural dos povos, a riqueza da diversidade e da potencialidade inerente a cada ser humano. Será a democracia o único sistema politico possível? Serão os jeans única moda e o Mc’Donalds a única comida possíveis? Serão os modelos de desenvolvimento, de beleza, de ideologia do mundo ocidental os únicos validos? Não creio! Vivendo num país tão diferente do nosso, posso assegurar-vos que as melhores experiências que tenho feito são precisamente as que me colocam em confronto positivo e construtivo com esta cultura; cada vez mais vou descobrindo a beleza e o espírito criativo de Deus no contacto com as pessoas e na descoberta das bases desta cultura. O povo coreano é um povo extremamente orgulhoso, no bom sentido, mas é com pena que vejo que tantos jovens e adultos consideram a cultura ocidental como sendo o modelo a seguir. De facto, os estragos que estão surgindo, seja a nível social que cultural, são devidos a esta tentativa de assimilar valores que nada ou pouco têm a ver com a natureza deste povo. A uniformidade tem feito estragos irreversíveis: basta ver a guerra no Iraque, onde os americanos e seus aliados teimam em estabelecer a democracia à ocidental, mas o que estão conseguindo fazer é levar o país às ruínas e à guerra civil. Para concluir, gostaria só de recordar a famosa frase de Jesus (Mateus 7:12): “Faz aos outros o que queres que te seja feito.” Ou seja, este nosso mundo seria muito diferente se todos pusessem em prática esta simples, mas exigente norma. Porém, não basta cruzar os braços e dizer que nada podemos fazer: há que olhar à nossa volta e ver que há tanto a mudar, mas o primeiro a ter de mudar… somos nós próprios.
Um abracao
Fotos: 1. Eu com duas senhoras da primeira paroquia onde estive
2. Simpatica foto de um pai e filho; creio sejam coreanos... Encontrei-a num sito italiano e esta' demais!!!
3. Casal de uma tribo da tailandia (foto que fiz em outubro 2006)

Tuesday, February 06, 2007

Mais 3 dias de exploracao e visitas...












30 Janeiro-1 Março 07

Jambo, jambo.
Eis-me de regresso a Nairobi, após 3 dias incríveis pela zona de Kisumu, no nordeste deste belo país. Sim, pude constatar pelas viagens que fiz que o Kenya é, de facto, um país rico em beleza natural e humana. Pena é que seja tão pobre... Sim, como em muitos outros países desta África negra, depois que os europeus colonizadores se foram, o país ficou na miséria, sobretudo a nível económico. Certo, rico também os há, e não são poucos, mas restam sempre uma pequena parcela da população. Passando por outras áreas do país, pude constatar que não é só Nairobi que, com os seus muitos bairros-de-lata, está povoada de pobreza e miséria com níveis assustadores e preocupantes. Há uma enorme multidão de gente que vive sem acesso à electricidade e à água potável, a uma casa com condições mínimas de conforto... À noite, não me saía da cabeça a escuridão profunda em que muitos, por causa da falta de electricidade, se encontram diáriamente. Ainda por cima dormindo eu num quarto amplo, com rede para proteger dos mosquitos, com casa de banho privativa, com água corrente... e ali ao lado, a poucos metros da nossa propriedade, gente sem quase nada.
Mas vi também um povo que não se deixa levar pela pobreza, que resiste e sobrevive apesar de tudo; vi crianças que sorriem e jogam como se o pouco que elas possuem fosse o melhor o mundo; vi mulheres que, apesar do peso da vida (sentido figurativo) e das coisas materiais necessárias para viver (sentido literal), não se deixam levar pela desilusão e lutam pelo melhor futuro possível para os seus filhos; vi idosos que, apesar das amarguras e dificuldades da vida, conseguemne ainda trocar e gozar uma boa cavaqueira com os amigos...
Bom, iniciei a viagem pouco depois das 11h da manhã de 3ª feira, 30. O nosso padre keniano Awiti era o condutor e acompanhava-nos um leigo da Nova Zelândia, o qual participou nos 2 Fóruns: teológico e social. Tem 5 filhos e trabalha na comissão da Justiça e Paz lá no seu país. Chama-se David e ajudar-me-á mais tarde com um artigo sobre a Igreja na Nova Zelândia. A nossa primeira paragem foi para... almoçar! A viagem continuou, por estradas nem sempre amigas dos carros, mas lá chegamos ao destino. A caminho, deparamos com... macacos `a berma da estrada, os quais estao habituados que se lhes de comida. Mas nao se aproximaram do nosso, talvez por verem 2 brancos "raros"....
Ainda antes de chegarmos ao destino, passamos por zonas onde o que ha' mais sao campos de cha. Vimos nao so' pessoas recolhendo o dito cujo, como duas "estranhas" aldeias, as quais eram coracterizadas por muitas casinhas juntas; so' que o padre Awiti dizia que estas eram muito pequenas e desconfortaveis... mas que, como acontece sempre com o "ze' povinho" em todos os paises, os pobres sao sempre explorados ate dizer "basta!" Eis na foto parte de uma destas aldeias. Parámos um instante no nosso centro de animação missionária, o qual nada tem a ver com a realidade que o circonda; certo, não se pode trabalhar vivendo em cabanas ou casas pobres, mas não deixa de ser “chocante” ver o contraste profundo que existe. Antes que anoitecesse, fomos ver o sol “recolher aos seus aposentos” ; não deu para fazer grandes fotos: o céu estava muito nublado, mas pelas duas fotos que se seguem, podeis ver que até não sairam mal de todo. E lá se foi mais um dia...


E mais uma...

4ª Feira amanheceu nublada, mas, mais uma vez, o nosso Amigão resolvou dizer a São Pedro para aguentar a chuva até à manhã do dia seguinte; assim, tivemos mais um dia de sol e amenas temperaturas, se bem que à noite, estranhamente, tenha feito sempre uma humidade bastante acentuada. La' nos fizemos `a estrada; pelo caminho, vimos muita gente caminhando com vegetais e fruta `as costas ou `a cabeca, todas em direccao a um grande mercado numa pequena cidade da zona. Interessante foi notar que... so' as mulheres e animais de carga carregavam com as coisas: os homens so' o faziam com carro-de-mao, carros ou furgonetas, pois nao e' de homem um homem carregar coisas... A primeira paragem esta' ligada com uma das razões desta segunda viagem: a visita à família do meu colega Joseph Otieno, que faleceu na Coreia em dezembo de 2005. Infelizmente, a mãe não estava: tinha saído de manhã cedo para um funeral. Mas ao menos pude conversar com o pai, o qual estava sozinho em casa (e' ele comigo nesta foto).Ficou contente não só com o que eu lhe disse sobre o seu filho, mas também com as fotos da missa do primeiro aniversário que celebrámos lá na Coreia em dezembro passado. Claro, partiu-me o coração sentir a sua dor, mas vi também que a família tenta levar a vida para a frente por quanto lhes seja possível. Espero que o dinheiro do seguro que a Samsung concedeu à família, pois o meu colega estava inserido num grupo de estrangeiros devidamente assegurado, possa chegar-lhes em breve: as burocracias coreanas ainda não permitiram que o dinheirto fosse transferido aqui para o Kenya. Gostei muito de ter ido até ali, pois era como visitar a minha própria família, e sentir que fui instrumento da consolação de Deus para esta família. Espero que um dia seja possível irem à Coreia, tal como é seu desejo...
Seguimos viagem, parando na igreja paroquial onde o meu colega Otieno tinha celebrado a primeira missa e outras mais. Estando perto a hora do tacho, o Awiti onvidou-nos para ir a sua casa; encontrámo os seus pais, curiosamente... fervorosos membros de uma igreja protestante; creio que o pai seja meio pastor, pois dizia fazer sermões aos domingos. São só 3 os membros católicos da família; mas gostei de ver que os pais estão felizes e orgulhosos por terem um filho padre, pois, como dizia o pai, o importante é anunciar o evangelho a quem não o conhece. Sao eles que estao comigo na foto: pais e filho. Para melhor verem a foto, aconselho-vos a clicar em cima da mesma, de modo a verem a versao maior ( o mesmo vale para todas as outras!) Após um ótimo almoço e animada conversa, retomámos a estrada... mas deparámos com um acidente brutal, tão brutal que até saiu no noticiário nacional ao fim do dia. Morreram 8 pessoas num embate frontal entre um “matatu” (carrinha de 9 lugares que leva sempre mais passageiros do que os permitidos pela lei; de facto, antigamente eram mais de 20 por veses, mas uma lei recente desceu o número para... 14!) e um pequeno autocarro; parece que este sofreu o arrebentament de um pneu e bateu frontalmente no “matatu”. Quando chegámos ao local do acidente, os corpos das vítimas tinham já sido retirados.
Fomos dali para uma das duas paróquias que ainda são orientadas pelo nosso Instituto: Aluendo. Mas os nossos padres não estavam, de maneira que a visit foi rápida. Porem, gostei de ver um jovem artista pintando a Via Sacra nas paredes da igreja, a qual tem pouco mais de 1 ano. Na foto podeis constatar a sua mestria, sobretudo porque o faz em estilo africano. Seguimos para a segunda paróquia nossa, a qual estava longe da estrada principal e, tenho chovido muito no dia anterior, as estradas estavam impraticáveis, pois eram em terra baida. No regresso, tive inclusivé que sair do carro parar arrumar umas pedras de modo a que o carro pudesse passar. Esta paróquia, Chiga, tem um pequeno centro médico, um dispensário, uma escola tácnica, um pequeno centro de fornecimento de água potável e arroz para a populução local. É uma missão ao estilo antigo e típico de anos passados, porém dizia-me o Awiti que a escola técnica tem os dias contados... caso o número de alunos que a frequenta continue a diminuir.
Antes da janta, demos ainda um salto ao Lago Vitória, mas desta vez não deu pra ver... a água. É que parte do lago está coberto por espessa camada de vegetação; a única água que se via era usada para lavar os “matatu” e pequenos autocarros.
À noite, vi então o noticiário e fui dormir mais cedo, pois estava arrebentado. No dia seguinte, regressámos a Nairobi, mas por uma outra estrada, de modo a vermos um pouco mais do Kenya; pelo caminho, conseguimos avistar um pequeno grupo de girafas! Fiquei contente, pois como não deu para fazer nenhum safari, pude ao menos ver um minimo de animais no seu habitat natural. O almoço foi na zona Masai-Mara, a qual tem um parque natural muito famoso; pena não ter dado para lá ir... mas como não vim ao Kenya só para passear, não me posso queixar. Bem pelo contrário: vivi e experimentei o que nenhum turista pode experimentar, pois visitei locais e pessoas que nunca contactam com estrangeiros... a não ser que sejam missionários. Gostei imenso dos mercados, quase todos `a beira da estrada principal; sempre que nos viam, esperavam que os "mzungos" (brancos) saissem e lhes comprassem algo, pois nao serao muitos os mzungos que passam por aquelas bandas.Tivemos tempo ainda para comprar mais umas lembrançazitas numa loja ali perto do local onde almocamos. Esta zona Masai era mais vasta, com pouca vegetação e escassamente povoada, ao contrário de Kisumu.

E chegámos a Nairobi depois das 5h da tarde, cansados mas felizes pela experiência, sobretudo porque tudo tinha corrido extremamente bem.
E... faltam-me 2 dias para regressar à minha Coreia. Amanhã irei poder recordar o coreano, pois irei almoçar com uma jovem leiga missionária coreana; no sábado será a vez de almoçar com os familiares do meu colega Peter, para depois abalar por volta das 10h da noite rumo a Bangkok: chegarei à Coreia na 2ª feira de madrugada, pois em Bangkok terei de esperar quase 11 horas! Será uma enorme seca, mas prefiro estar ali a secar do que ter perdido 2 dias caso tivesse viajado com outra companhia aérea.
Minha gente... vou nanar!
Asante sana...

Nairobi-Dakar


28 – 29 Janeiro 07

Jambo, jambo pessoal!
Como sabeis, estive vários dias fora de Nairobi, visitando comunidades nossas, algumas das quais têm já muitos anos de actividade. Estas viagens foram inesquecíveis, tal como tem sido toda esta minha primeira aventura africana. Começo pelos dois dias em que, juntamente com 3 padres tugas, viajei por algumas das mais importantes e históricas missões do nosso Instituto. Foi nos passados dias 28 e 29 de janeiro: a nossa viagem iniciou bem cedo, de modo a evitar tráfico. Assim, saímos às 6h da manhã, quando o sol ainda não se tinha levantado. A nossa primeira etapa foi Tuhtu, o local onde os primeiros missionários da Consolata que chegaram ao Kenya em 1902 celebraram a primira missa.




Capela de Thutu


Padre Tobias (esquerda) e Fernandes durante a nossa missa.



Eu com outros padres tugas.



Mas antes de vos descrever o que senti e vivi... deixai-me explicar o porquê da minha escolha do título.
Confesso-vos que só na Mongólia vivi uma experiência automobilística (não sei isto é português, mas creio que entendeis) parecida com a dos passados dias 28 e 29! Dou graças a Deus por termos regressado sãos e salvos, pois foi de facto uma aventura ao estilo do rali Lisoa-Dakar. Até pelo ar andámos, tal como nos ralis, ao passar uma rampa que o padre Tobias não conseguiu evitar; haviam dezenas de rampas ao longo da estrada, daquelas que obrigam os motoristas a reduzirem a velocidade. Mas estas eram muito altas e, como não estavam assinaladas, nem sempre era possível vê-las a tempo; ou seja, demos cada salto; só na Mongólia experimentei sensações parecidas... Mas não foi só por isto que rezei muito durante a viagem: o nosso padre Tobias conduzia a 100km quase todo o tempo, várias vezes a 120km e algumas a 140km... mas em estradas nem sempre lisas; acho que o pobre do jipe Suzuki não se irá esquecer destes 2 dias, tal como eu e os outros 2 tugas. Mas, por outro lado, tenho de agradecer os nosso “vizinhos” japoneses por terem criado um jipezito tão robusto! É muito pequenino (eu parecia uma sardinha enlatada!), mas deu bem conta do recado! Mas o meu maior agradecimento é dirigido ao padre Tobias, pela sua amabilidade e dispononibilidade, pois proporcionou-nos dois dias maravilhosos. Valeu o faco de ele ter já sido superior regional aqui no Kenya e conhecer bem todos os cantos e caminhos. A primeira estrada que mais parecia feita para ralis levava-nos a Tuhtu; mamma mia, que viagem. Mas lá chegamos ao destino; foi uma sensação indescritível a que senti, pois estava finalmente no local onde, praticamente, teve início a aventura missionária do nosso Instituto. Naquele local, um descampadozito perto de uma pequena povoação, encontra-se uma capela construída para comemorar o centenário de missão no Kenya (inaugurada a 15 de Agosto 2002); celebrámos a eucaristia nós o 4, em nome de todos os nossos missionários (vivos e defuntos). Mais abaixo, encontra-se a igraja paroquial de Tuhtu;


Um jovem da paroquia de Thutu

encontrámos vários paroquianos, só que naquele dia o pároco não iria estar presente, por isso fariam somente a celebração da Palavra.
Seguindo viagem, contornámos o Monte Kenya (é alto quase 6 mil metros); rumámos em direcção ao Norte; parámos numa nossa missão, mas o pároco não estava; do alto de uma colina podíamos contemplar a grandiosidade daquela que tinha sido, em tempos passados, a nossa grande missão do Nyeri;


Panoramica de Mathari (Nyeri), do que foi antes parte do nosso "imperio"

actualmente, está nas mãos da diocese local. Sendo horas do tacho, fomos a um restaurante que se encontrava ao longo de uma estrada, mas do qual se via só a tabuleta. Descendo uns 100 metros, encontrava-se o que mais parecia a casa do Tarzan: era construído literalmente numa enorme árvore. A foto mostra que nao estou a contar tretas...Chamava-se “TreeTrout = Árvore das Trutas” e, tal como o nome indica, as trutas eram a especialidade. Podíamos ver nas árvores que nos circundavam macacos com longas caudas brancas, sendo o resto da pelagem negra. Eis um belo exemplar:Retomando a estrada, após uns kms chegámos ao hemisfério norte do planeta; ou seja, passamos a linha do Equador. Eis a foto...Após a foto e umas compras rápidas, seguimos caminho em direcção Mukululu, zona onde se encontra uma das mais incríveis obras do nosso Instituto; o seu autor é o Irmão Argese, italiano, o qual construiu, ao longo de vário anos, todo um sistema de canais e tubos que levam a água da serra a mais de 250 mil pessoas!!! De facto, foi homenageado pelas Nações Unidas e várias outras entidades por este projecto. Eu já tinha ouvido falar dele, claro, mas uma coisa é ter ouvido falar... outra é ver com os próprios olhos. E fiquei deslumbrado, tal como o Fernandes, que como eu estava pela primeira vez na África e no Kenya. É uma obra simplesmente fabulosa, por várias razões: está em sintonia com o ambiente que a rodeia, usa materiais e obra-prima local e é parte integrante do projecto evangélico de promoção humana. As pessoas em vez de se deslocarem vários kms para irem buscar água podem agora tê-la na própria aldeia; para além do mais, é água tratada e, como tal, a saúde das pessoas melhorou bastante. Creio que o elemento que mais caracteriza e destaca esta obra grandiosa é o facto do Irmão Argese empregar pessoas locais. De facto, quando o padre Elísio foi ali com um grupo de tugas nossos benfeitores, alguns deles perguntavam: “Porque não utiliza ele buldozers e outra maquinaria? Porque é quase tudo feito à mão? Esta pessoas parecem “escravos.” Como lhes respondeu o Irmão Argese? Com palavras como estas: “Em vez de usar maquinarias, eu uso o dinheiro para dar emprego e salários às pessoas; ao mesmo tempo, elas recebem formação profissional, a qual lhes permite viverem com mais dignidade e serem donas do seu próprio destino.” Ou seja, ele não lhes dá o peixe, como muitos fazem, mas ensina-os a pescar! É, de facto, um projecto monumental e uma forma muito concreta de proclamar o evangelho de consolação que Jesus transmitiu a tantos. Mas, no meu ver, o elemento mais positivo deste projecto é o facto de estar em sintonia com o contexto onde se encontra e de não depender exclusivamente do nosso Irmão Argese; creio que quando chegar a altura de ele se ir, o projecto não acabará só porque ele já não estará presente.
Antes do anoitecer demos então uma volta pelas colinas por onde passam os tubos que levam a água a milhares de pessoas, as quais não necessitam de fazer vários kms para irem buscar este bem tão perecioso que é a água. Foram construídas várias digas para retenção da água e o projecto continua avançando, pois o Irmão Argese quer que a água chegue a muitas mais comunidades. Mas não é só de água que o Irmão tem feito projectos; além do alargamento da igreja, a qual será transformada em pequeno santuário, está iniciando um projecto de producção de vinho, propondo a várias famílias o início de vinhais para producção mais alargada de vinho. O que é certo é que ideias não lhe faltam, bem como benfeitores e, quanto às gentes do local, estas estão dispostas a aprenderem sempre mais de modo a melhorarem a qualidade das dsuas vidas. Após o descanso nocturno, na manhã de 2ª feira o Irmão mostrou-nos e explicou-nos tudo tintin por tintin. Agora terei de arranjar material para depois elaborar um texto na nossa revista coreana, pois este é um projecto que merece ser conhecido e difundido também lá no Extremo Oriente. Seguimos caminho em direccao a Meru, onde visitamos a catedral (na foto);
esta mesma foi construida tambem pelo Irmao Argese, juntamente com outros missionarios. Partimos depois para uma outra missão, a qual tem também um projecto de ajuda às pessoas do local: a carpintaria da missão de Mujwa, dirigida por um nosso padre espanhol e que conta com a colaboração de um leigo italiano, irmão de um nosso missionário. Mas este leigo, Daniele, não me era desconhecido, pois não mora longe de onde fiz o ano de noviciado, na Itália; de facto, visitáva-nos de vez em quando. Já nessa altura, 15 anos atrás, ele vinha ao Kenya várias vezes para ajudar em projectos vários. Na foto estao alguns dos jovens que trabalham na carpintaria:Certo que foi com muita alegria que o vi aqui após tantos anos. Mas o pior foi chegar ali: uma estrada “dos diabos”, pois tinha chovido dias antes e estava impraticável. De facto, cheguei a pensr que iríamos ficar ali. Mas o padre Tobias e o co-piloto chamado Espírito Santo foram melhores que os do rali Lisboa-Dakar. Graças à amabilidade do padre espanhol, ficámos para almoçar. Mas tivemos de sair correndo, pois o tempo era pouco e queríamos ainda chegar a Sagana, local onde temos mais uma parte do nosso “império”: escolas técnicas de vários rmo, uma casa de retiros, o noviciado e mais algumas estruturas. Mais uma vez, vi vários padres de quem só tinha ouvido falar e, como todos os outros, foram muito simpáticos e acolhedores.
E regressámos a Nairobi, a tempo da janta... mas só após um duche reconfortante, pois o pó e o cansaço eram em demasia. Mas, como já referi, foram 2 dias impecáveis. Fiquei a conhecer melhor parte do nosso Instituto e a dar mais valor aos nossos missionários, pois é diferente ouvir falar e conhecer em pessoa, seja o que se faz como quem o faz. Agradeço ao nosso Amigão por esta oportunidade que me deu.
Esta ultima foto e' so' uma "curiosidade"... Creio ser o mais pequeno hotel do mundo!

Asante sana





Monday, January 29, 2007

Arrasado... mas feliz!!!

29 Janeiro 2007


Jambo, minha gente!




Pois e', estou de facto arrasado!!! Extremamente arrasado...






Ate durante a janta eu nao parava de esbocejar.Tava mesmo a cair de sono.


"A que se deve tamanho cansaco?", podeis perguntar e com razao. Pois e', acontece que parti ontem de madrugada (6h) para uma viagem por algumas das missoes mais significativas do nosso Instituto aqui no Kenya, que e' o primeiro pais onde os nossos missionarios iniciaram a nossa aventura missionaria, precisamente em janeiro de 1902. Hoje e' tambem o aniversario da fundacao do nosso Instituto (29.01.1901). Dado que nem sempre as estradas eram lisas e alcatrodas, os meus ossos fartaram-se de "bailar o vira"... Mas foi uma viagem inesquecivel, partilhada com 3 opasdres tugas, um dos quais missionario aqui no Kenya. Deles ja' vos falei; encontramos varios missionarios de quem eu somente sabia o nome ou tinha visto em foto. Adorei mega, de verdade...

Mas, tal como vos disse, estou arrasado e, assim, deixarei para 6a feira que vem o relato do meu diario, pois amanha parto para uma nova viagem, desta vez de 3 dias; irei visitar outra zona do pais, mas sobretudo os familiares de um colega meu keniano que faleceu na Coreia em dezembro de 2005.

Bom, vou procurar na net umas fotos para ilustrar estas palavritas... As fotos minhas relativas `as viagens tambem vos mostrarei na 6a feira, ok?

Um abracao e que o nosso Amigao vos abencoe... sempre!


Agora vou direitinho para o "vale dos lencois".


Asante sana














Saturday, January 27, 2007

As fotos que falem por si...

26 Janeiro

Jambo, pessoal.

Terminado o Fórum Social, pudemos dedicar o dia de hoje ao encontro das revistas do nosso Instituto. Não só o continuámos, como conseguimos terminar, o que foi ótimo. Mas este dia começou com uma missa na casa das Paulinas, as quais nos ofereceram o pequeno-almoço e uma visita guiada às instalaçãoes delas (tipografia, etc). Elas também publicam livros aqui no Kenya e, como os disse já, têm uma livraria ao lado da catedral de Nairobi. Viemos a saber que o espaço não é delas, mas sim da diocese; de qualquer modo, têm também uma forte presença aqui neste canto da África. A superiora geral, que é brasileira, estava também presente.
Regressámos a casa e demos início ao encontro, centrando a nossa atenção nos aspectos práticos, de modo a não perdermos tempo em discursos inúteis; de facto, o encontro correu tão bem que conseguimos terminá-lo hoje, de modo a estarmos mais relaxados amanhã. Esteve presente no encontro de hoje a irmã responsável pela revista das nossas manas da Consolata, as quais têm uma só revista.
Para terminar o dia em beleza, fomos jantar a um restaurante de carne na brasa à keniana; o padre Elísio, o outro tuga, não veio porque foi com o padre Tobias ( o único tuga que trabalha aqui no Kenya) jantar a casa de um senhor tuga, radicado aqui há mais de 20 anos, casado com uma sueca. Eu também estava convidado, mas como havia a janta da malta das revistas, decidi juntar-me a estes, até porque bastava que fosse o padre Elísio. Porém... arrependi-me por não ter ido, pois a carne foi uma enorme desilusão: estava dura e parecia pneu! Havia vaca, anho e galinha, mas nenhuma prestava! Valeu a companhia dos meus colegas, razão principal pela qual me juntei a eles. De facto, foi um serão bem passado.
Bom, amanhã não irei viajar: irei no domingo com os restantes tugas. Hoje fico por aqui, pois o cansaço acumula-se. Ah, uma notícia triste: faleceu na 2ª feira passada o pai de um nosso colega africano e hoje foi o funeral. Tinha 85 anos e, felizmente, não esteve doente por muito tempo. Que Deus o receba na Sua casa.
Gente, ficai bem e até mais...
Como sabeis, a fotografia e' um dos meus passatempos favoritos; deixo-vos entao algumas das minhas preferidas feitas nestes dias, as quais falam por si. A foto do nosso encontro das revistas colocá-la-ei mais tarde, ok?
Com carinho, vosso mano e amigo Álvaro
Asante sana

Cores do Kenya (pulseiras tribais)


Crianças do bairro de Deep Sea



Com Daniele, nosso semina italiano que estuda aqui no Kenya



Outra beleza africana: uma crianca de outro bairro. Creio que esta foto será depois uma das capas da nossa revista lá na Coreia, pois adoro ela



Cunhado e sobrinho do meu colega Peter, que trabalha lá na Coreia

Um membro de uma tribo do norte do Kenya

Uma jovem activista toda “janota”... que podera tambem ser capa de revista, nao acham?

Um casal da Tanzânia todo “cooool”

Esta criança representa, para mim, a África que espera um futuro mais humano, mais justo, mais alegre, mais fraterno... É este o meu desejo e a minha oração não só para esta África martirizada e, ao mesmo tempo, cheia de vitalidade e garra, como para todo o mundo.


Nao se esquecam de que basta clicar em cima das fotos para elas aparecerem em tamanho maior.

Asante sana...

Friday, January 26, 2007

E la' se foi mais um Forum...








25 Janeiro

Jambo, pessoal!
Tal como tudo na vida, também o Fórum Social Mundial chegou ao fim. Foram dias intensos de trabalho, mas valeu a pena... e muito! Tenho muito e bom material para usar na nossa revista, tal como os meus colegas. Mas este último dia do Fórum deixou muito a desejar... Mas já lá vou: da parte da manhã, tivemos um encontro dos diretores das nossas revistas, no qual apresentei a nossa coreana e falamos de vários apectos ligados ao nosso trabalho. Porém, o dia granmde será amanhã, pois dedicaremos todo o dia ao temas que estão agendados. Devo dizer porém que o clima entre nós é extremamente positivo e de muita familiaridade, tal como queria o nosso fundador, Beato José Allamano.
Depois do tacho, alguns de nós foram então assistir à parte conclusiva do Fórum, dado que da parte da manhã havia sido feitas uma maratona que percorreu vários bairros-de-lata da cidade. Porém, a conclusão foi muito monótona, apesar da música; os discursos foram fracos e até mesmo o “pai” do Fórum Social, um brasileiro chamado Chico Withaker, foi muito fraco no que disse; de facto, ele não tem carisma de orador, ainda por cima em inglês. Falou sem vida, sem energia, sem quase saber o que dizer. Claro, ninguém é perfeito, mas gente deste calibre deveria ter um pouco mais de carisma... Um dos que falarm foi um actor americano, Dan Glover: para quem se lembra do filmes de Mel Gibson, “Arma Letal”, ele fazia de colega de trabalho; é afroamericano, mas não convenceu no que disse. O que valeu foi a música que intercalava os discursos; assim, depois de uma horita e pouco, decidi ir-me, juntamente com 3 colegas meus. Passámos na livraria das Paulinas e regressámos a casa. Descansei um pouco e continuei a actualizar este meu diário, de modo a não estar até tarde depois da janta em frente ao computador. Consegui também, após vários dias de tentativas fracassadas, abrir um sito coreano onde tenho email e que me possibilita o contacto com alguns amigos coreanos.
E assim lá se foi o Fórum, o primeiro a que assisti; não sei se terei outras oportunidades de participar num evento de tal envergaura, mas de qualquer modo foi um privilégio poder estar presente e ver como milhares de pesosas, provenintes dos 4 cantos do mundo, se juntaram e manifestarm as suas preocupações, ânsias e esperanças relativas a este nosso planeta que cada vez mais mergulha numa acentuada separação entre alguns ricos e mkilhões de pobres. Do ponto de vista dos direitos humanos, da justiça social, da paz, da equilibrada distribuição das riquezas, as coisas tendem a piorar; como tal, as vozes que se uniram e denunciaram abusos e irregulaidades esperam ser ouvidas por esse mundo fora. Porém, creio que este desejo permenacerá simplesmente... um desejo, pois sei que os meiso de comunicação mundiais deram pouca ou nenhuma cobertura a este encontro. Da minha parte, farei o melhor por informar o nossos amigos e benfeitores coreanos do que cá vivi, de modo a que possam ficar mais informados sobre aspectos do mundo que eles desconhecem.
Bom, vou ficar por aqui. À noite, antes da nana, juntámo-nos na sala de jantar e os que mais têm jito ontarm anedotas e factos verídicos vividos por missionários nossos em vários países onde estamos presentes. Assim, entre garglhadas e boa disposição, pudemos fortalecer este espírito de família que nos une. É por iesta e outras razões que agradeço o nosso Amigão Jesus por me ter convidado a fazer parte desta família missionária e de trabalhar na Coreia. Por falar na Coreia,m confesso que tenho saudades, embora esteja a adorar esta minha primeira experiência africana, poiis afinal é lá que vivo e trabalho. Mas tenho ainda uma semana pela frente, na qual visitarei locais significativos, do ponto de vista histórico e afectivo, para o nosso Insituto, bem como, se Deus quiser, os pais do meu colega que faleceu na Coreia a 18 de Dezembro de 2005.
Minha gente, ficai bem.

Asante sana.

Fotos:
1. Panorâmica parcial do parque de Uhuru na cerimónia conclusiva
2. A vocalista de uma das bandas que animaram o ambiente
3. O actor americano Dennis Glover
4. Um dos milhares de participantes... Jamaica style
5. Uma senhora indiana
6. Eu com Chico Whitaker, “pai” do Fórum Social Mundial