Wednesday, June 13, 2007

Enquanto uma "melga" me melga... resto da cronica!

Chongju, 12 Junho 07

Anyong de novo, minha gente.
Pois é, isto de não actualizar o blog causa, por exemplo, falhas de memória relatives à password do mesmo, ou seja, como não consigo lembrar-me dela… não consigo abrir o meu blog! Assim que tereis de esperar até amanhã para que possais ficar actualizados relativamente às minhas aventuras missionárias e asiáticas!
Bom, para quebrar o ritmo e ver gente que fazia tempo que não via, decide vir até esta cidade no centro da Coreia, de modo a visitar duas freirinhas capuchinhas; estão aqui duas de momento, pois a chefa foi de férias; elas recebem crianças, melhor, meninas de famílias com vários tipos de dificuldade: são 6, de várias idades mas só até aos 12. A mais novinha, com 3 anitos, é a mais fofinha e simpática; aparecerá daqui a umas duas horas (5h da tarde). Venho cá de vez em quando, pois assim aproveitam para se confessarem e eu para passar um tempo com as crianças que são uns amores! Faz bem sair de vez em quando do ritmo quotidiano e, tendo eu esta possibilidade, desfruto-a sempre que posso! Faz-me um bem que nem imaginais, pois sou alérgico a rotinas.
Bom, a missa do domingo correu muito bem; veio uma família que participou pela primeira vez e houve também feijoada, se bem que não à brasileira… mas parecida e, como tal, estava muito boa.
Grupo que participou na missa
Festejamos também o aniversário da Maria Joelma, casada com um coreano; são um casal muito simpático, tal como os demais brazucas com quem costume celebrar a eucaristia.
A Joela e o marido Richard

Como sabeis é, um momento muito especial este da nossa missa mensal. Depois, fui ver o “Shrek 3”, o qual me fez rir imenso. Adoro uma boa gargalhada, como sabeis! Mas antes ainda fui visitar a famosa prisão de Sodemun, a qual virou museu: são descritas as atrocidades cometidas pelos japoneses aquando da ocupação da Coreia pelos mesmos. Claro, os colonialistas nunca foram “generosos” com os ocupados, sejam eles de que país forem! Estes nossos coreanos sofreram imenso, não haja dúvida. Isto das guerras, conflitos e violência é certamente um dos maiores mistérios que a humanidade tenta esclarecer…

Pavilhao tradicional perto da prisao-museu de Sodemun noite na casa de um dos brasileiros, pois ontem teria que voltar a Seúl e assim poupei tempo e forças; é, ainda ando com o sono atrasado por causa da peregrinação. Ontem fui então almoçar com um casal brazuca, juntando-se a nós duas estudantes, uma chilena e outra chinesa, as quais são colegas do meu amigo brazuca e que eu conheço também.
Amanhã e 5a feira terei tempo para terminar os artigos da próxima revista, de modo a ir ao Brasil e fazer o curso descansado; na 6a feira terei de ir às compras com algumas benfeitoras nossas, para a nossa festa da Consolata deste domingo, a qual incluirá um bazar para recolha de fundos para ajudar vários projectos no Kenya. A Julho 28 partirão 13 jovens coreanoss, com 2 paadres nossos, para um campo de trabalho e voluntariado nesse país africano e o dinheiro é para apoiar os projectos em que eles irão prestar ajuda. São 3: com crianças da rua, idosas abandonadas e ajuda na construcção de um edifício. Estes projectos são levados a cabo por missionários nossos. E o objectivo de os levar ao Kenya é de formar depois com eles um grupo de jovens; sonhamos com a possibilidade de num futuro enviar jovens leigos missionários para as missões. A ver vamos... Este campo de trabalho é, digamos assim, a actividade de convocatória.
Quanto à revista, falatam-me preparar dois números; regressando depois em Novembro, teremos de rever os conteúdos e mudar um ou outro. Creio que seguirei sendo o seu editor por vários anos, mas até quando mninguém sabe. Não me preocupo, pois é algo que adoro fazer, pois, entre outros aspectos, permite-me viver a missão de forma interessante e dinâmica, pois realizá-la e difundi-la implica ir aqui e ali, viajar de vez em quando, bem como conhecer gente interessante, etc.
Bom, falando na revista… vou aproveitar para começar um artigo do próximo número antes de ir nanar a sesta. Renovo os votos de que tudo esteja bem com vocês; amanhã prometo colocar os textos e fotos no blog. No fundo deste texto dedicarei algumas frases a amigos meus italianos, os quais não podendo entender tudo o que está escrito no blog, podem ao menos ter a noção do que digo através das fotos e de palavras parecidas com as italianas.
Que o nosso Amigão vos abençoe, sempre
Unidos na amizade e na missão
Vosso tugacoreano
EU

P.S. Adesso voglio salutare i miei carissimi amici italiani.
Ciao, cari. Vi ho ricordato anche durante il nostro pellegrinaggio; andando a trovare i miei a casa mi, loro vi hanno ricordato anche e salutato tanto. Spero di rivedervi tutti l’anno prossimo. Giorgio ed Elisa, come sta mia nipotina Alice? Andrea e Francesca continuano crescendo tanto, vero Max e Sara? Vittorio, ricordati che dobbiamo visitare Assisi l’anno prossimo. Come potete vedere, il pellegrinaggio è andato benissimo, nonostante la pioggia; è stata veramente un’esperienza di Dio e con Dio attraverso l’esperienza dei santi. Anche per me fu un’esperienza molto intensa e profonda, ma il momento alto è stato, naturalmente, poter trovare i miei, i quali stanno bene, per quanto sia possibile. Come potete vedere dalle foto, i miei nipotini stanno enormi e bellissimi!!! Meno male che il tempo vola: tra un’anno, se Dio vuole, li rivedrò di nuovo. Spero anche che alcuni amici coreani possano venire a trovarmi per conoscere sia il Portogallo che parte della Spagna e Roma anche. Grazie ancora della vostra preziosa amicizia. Vi saluto con tanto affetto e amore. Che Dio vi benedica sempre! A presto…
Vostro
Álvaro

Tuesday, June 12, 2007

Peregrinacao em terras espanholas e "arredores" 2

Yokkok, 9 Junho 07

Anyong novamente, gente!
Bom, hoje é sábado e tenho pela frente um dia calmo; estou já descarregando para o meu computador as fotos que fiz na peregrinação. Agora que estamos na era digital, podia fazer fotos até dizer “chega”! E foi isso mesmo que fiz! Cerca de 2000!!! Aquilo é que foi “disparar”! Tanto que fiquei com o pulso doendo ainda mais, já que ele ia já meio dorido no início da peregrinação; mas já estou recuperando. Esta tarde irei a casa de uma das minhas amigas coreanas, uma senhora 100% pura simpatia e com quem fiz a missa por 8 meses em capelanias localizadas em duas pequenas ilhas, vai já para 6 ou 7 anos!!! Ficou uma amizade muito especial e duradoura; assim, hoje a filha dela irá dar um pequeno concerto para familiares e amigos no jardim da casa e estou também convidado. O filho dela estuda para ser chefe de cozinha, enquanto que o marido trabalha numa empresa estatal ligada à energia.
Voltando então à chegada a Portugal: estando já em território nacional, parámos na estação de serviço de Abrantes e logo lá matei as saudades dos pastéis de nata: como tinha comentado com a nossa guia coreana, numa conversa de café em Ávila, que os ditos cujos eram os meus preferidos, ela prontamente me ofereceu um (claro, o 2o paguei-o eu!). A chegada a Fátima ocorreu cerca das 7.20h da tarde: estávamos muito cansados, mas mais felizes ainda, pois a viagem tinha sido estupenda. Era bom voltar a casa, mas ao mesmo tempo tive a sensação que sempre tenho nos primeiros dias de férias em Portugal: parece que estou num outro mundo! Mas, aos poucos, os rostos, comidas, cheiros e ambientes tornam-se familiares! É uma sensação estranha e fantástica, ao mesmo tempo. O primeiro missionário que nos saúda é também o primeiro da Consolata português: o nosso caríssimo padre Carreira, ainda muito activo na nossa revista Fátima Missionária, entre outras actividades. É um exemplo espectacular de vivacidade e juventude de espírito; tem sempre histórias para contar e espero que se resolva a escrever as suas memórias, senão perder-se-á muita riqueza, sobretudo ligada ao nosso Instituto em Portugal. A janta, naturalmente, trouxe-me mais recordações, mas as maiores e melhores foras as que revivi… quando cheguei a minha casa, cansado mas imensamente feliz! Sim, após a janta e umas conversas, parti de carro emprestado para a minha terra Lordelo. Cheguei a casa já depois da meia-noite e mia, mas estive ainda na conversa com os meus por uma boa hora. Adormeci “roto” e louvando Deus por esse dom tão especial que me concedeu: poder reencontrar os meus bem, por quanto seja possível. E os meus sobrinhos??? Estão enormes, saudáveis e lindíssimos; sim, sou um tio muito babado. Podereis constatar pela foto deles que não estou exagerando!
Bem, o dia seguinte foi como que uma mini-reprodução do que costumam ser os 3 meses de férias na terra: visitas atrás de visitas.

Com meus pais e sobrinho Angelo (miei genitori e nipote)

Mais do que contar como tenho andado, passo a maior parte ouvindo familiares e amigos que me contam as suas histórias, algumas delas bastante dramáticas. Tento ser e dar consolação e, como tal, acabo sempre por desistir de programar as visitas, pois em certos casos tenho de dar mais tempo que o previsto, pois as pessoas estão em primeiro lugar. Certo que acabo depois por andar a correr, mas ao menos tento estar presente, sabendo que por pouco que seja para elas o simples recordá-las é já muito. E assim esqueço-me do cansaço, do sono, de mim para me dar o mais possível. Passei a manhã visitando familiares;

Em minha casa, tambem com minha irma (anche con mia sorella)

almocei em casa, enquanto que a janta foi em casa dos meus avós maternos. Não descansei um minuto, mas também não precisava, pois teria tempo de sobra para o fazer na viagem de regresso à Coreia.

Com meus avos maternos (nonni materni)

Fui também a casa do meu mano, claro, embora chegasse uma hora depois do previsto: como consequência, tivemos de acordar os meus sobrinhos, o que não foi fácil. Mas, uma vez acordado, foi impecável, tanto que não queriam dormir novamente.

Com meu irmao e sua familia (mio fratello e cognata e nipoti)

Ainda bem que para o ano que vem irei de ferias, pois foi duro ter de os deixar, bem como aos meus pais e restantes familiares e amigos. Fiz várias fotos, claro, de modo a poder matar as saudades com o passar do tempo; certo, a minha terra agora é a Coreia, mas a nossa terra natal nunca sai da mente e do coração, como é óbvio.

Com minha sobrinha e afilhada (con mia nipote)

Acabei o dia na casa de uma família amiga: pena ser já muito tarde e não ter dado para mais. Mas foi muito bom, muito bom mesmo! Passava já da 1.30h da manhã quando me meti à estrada rumo a Fátima. Ora bem, um conselho: não aconselho ninguém a fazer o que fiz, pois ia com uma carga de sono monumental; a meio caminho, parei para esticar o pernil, lavar-me e refrescar-me, pois estava de rastos; graças ao Espírito Santo e à ausência de tráfico, cheguei são e salvo a Fátima, batiam as 4h! Admito que arrisquei um pouco, mas ia também consciente do que fazia, pois a segurança nunca é de descurar!
Prometo-vos não repetir a dose!
Após 5 horas de sono profundo, um café bem forte ajudou-me a recuperar a consciência, a qual era bem necessária para a missa de encerramento da viagem, pois no sábado não era possível fazê-la e a de domingo seria já na Coreia. Como em todas as missas desta peregrinação, o ambiente foi muito familiar, sobretudo no momento da paz; este foi antecipado para o momento inicial da reconciliação, de modo a sarar uma pequenas feridas resultantes de um ou outro pequeno desentendimento entre algumas pessoas. Como estas eram quase insignificantes, foi um momento de troca de paz e amizade sinceras! Antes da oração final, cada representante dos pequenos grupos exprimiu o parecer dos mesmos: a avaliação global foi extremamente positiva! Bem hajas, Amigão!
Após a missa, houve tempo para visitar o nosso museu etnológico e missionário, bem como mais compras. Lisboa foi o rumo da tarde; começamos pela Baixa, indo depois para os Jerónimos; pena não ter dado para visitar o claustro, meu “prato preferido” do mosteiro; no fim, a Torre de Belém, com um significado muito especial, pois foi dali que partiram os nossos missionários para vários pontos do globo… Ásia incluída! À noite, janta num chinês e ida para o Praia Mar, em Carcavelos.
Sábado 2 foi dia de regresso a casa: após uma longa viagem, celebrámos a última missa, no aeroporto, antes de cada um regressar aos seus e, acredito, contar as maravilhas que Deus operou em cada um deles nestas duas semanas inesquecíveis! Foi isto precisamente que fiz… mas só após ter dormido 5 horas, pois estava exausto! Certo, esta exaustão era parte do meu louvor, pois significava que tinha corrido tudo bem.
Assim que, de regresso a “casa”, o trabalho da revista esperava ser completado: eis como passei esta minha semana, mas com um intervalo pelo meio, encontrando duas senhoras que certamente irão a Portugal no ano que vem. Fui ver um filme coreano com elas, bastante bom e dramático, filme pelo qual a actriz principal venceu o prémio de melhor no ramo dela no Festival de Cannes deste ano! Amanhã farei a missa com um pequeno grupo de brazucas: é a nossa missa mensal, um momento de encontro, partilha e amizade muito bom e que os ajuda, tal como a mim, a confrontar a vida com Deus e a colocar tudo na perspectiva do plano e amor de Deus para connosco. Certo, para mim esta missa tem um “sabor” muito especial, pois é feita na nossa língua.
E fico por aqui, senão acabareis por adormecer! Prometo não demorar muito com o próximo relato. Ficai bem e que o nosso Amigão vos proteja sempre.

Ai miei amici italini scrivero` qualche riga nel messaggio di domani.
Unidos na amizade
Vosso amigo e mano tugacoreano

Peregrinacao em terras espanholas e "arredores" 1







Yokkok, 8 Junho 07

Anyong, minha gente!!!

Sim, faz “séculos” que não comunico o que por cá tenho feito. Na verdade, as razões são muitas e variadas, mas a mais importante é que… não o fiz antes porque quis, com algumas amigas, fazer uma surpresa a uma amiga nossa. É que… tcham tcham tcham… ESTIVE EM PORTUGAL A SEMANA PASSADA!!! Perdoem-me se não vos contei antes, mas acontece que queria fazer uma surpresa e resultou!!! Bom, mas antes de vos contar como foi possível ter estado em território nacional quase de um dia para o outro, deixai-me começar pelo início do mês de Maio. Nada de extraordinário aconteceu até ao dia 7, no qual durante a nossa reunião comunitária foi decidido que um de nós iria ter de acompanhar o Pedro Louro, meu colega tuga, o qual ficaria depois em Portugal para gozar as merecidas ferias tri-anuais. As nossas zeladoras “exigiram” que um outro fosse com o grupo de 30 benfeitores nossos, pois se iam numa peregrinação organizada pela Consolata, teriam de voltar com a Consolata. Claro, não insisti em ir, até porque o meu chefe não me queria deixar ir: já estive no Kenya no início do ano e dentro de cerca um mês e 10 dias estarei voando para o Brasil! Assim que estava for a de questão ser eu a ir também; só que, após termos visto que só 2 estariam disponíveis para acompanhar o grupo de peregrinos, insisti que eu estaria disponível, pois tratava-se de trabalho e não “era culpa minha” se tivesse de ir. Dado que o outro disponível era… o chefe, chegámos à conclusão de que era melhor que eu fosse, também pelo elemento fotográfico: ou seja, eu poderia também tirar as fotos para depois fazer um álbum de recordação. Assim que o chefe lá concordou; havia também o facto de que estive desde o início empenhado, com o Pedro, na preparação desta peregrinação, como tal era bom que fosse eu. E assim foi: de um dia para o outro, vi-me incluído na viagem, para grande alegria dos meus pais, familiares e amigos… bem, dos poucos que sabiam por causa da tal surpresa. Telefonei logo para casa avisando a família, a qual estava contando ir ter comigo a Fátima, pois tal era o plano inicial. Mas estando a minha mãe “presa” a uma cadeira de rodas, em Espanha decidi que era melhor ir eu a casa, até porque assim poderia ver também meus avós e mais familiares e amigos. E assim foi. Estive n minha terra a 5a feira passada, dia 31 de Maio. Só foi um dia, pois em Portugal estivemos só 2 e qualquer hora, mas foi muito bom mesmo, como podeis imaginar.




Momento da partida no aeroporto de Incheon (20 maio)



Bom, ainda em relação à peregrinação: esta foi preparada durante mais de um ano, pois era centrada na vida de 5 santos espanhóis, razão pela qual a peregrinação foi quase toda preenchida com a Espanha, visitando a terra natal de Santa Teresa de Ávila (Ávila), São João da Cruz (Segóvia), São Domingos (Caleruega), São Francisco Xavier (Javier) e Santo Inácio de Loyola (Loyola). Mas não nos limitámos a visitar estas terras, como é óbvio: aterrando em Madrid, demos um salto a Toledo,



Vista parcial de Toledo



visitando depois a nossa casa da Consolata em Madrid (dia 21). Dia 22 foi dedicado a Madrid: Palácio Real e Museu do Prado, saindo de tarde para Escorial,



Mosteiro do El Escorial



onde visitámos o imponente mosteiro com o mesmo nome. Chegámos a Ávila à tardinha do dia. Dia 23: dia todo nesta linda cidade, circundada por um muralha que ainda resiste e bem.



Vista de Avila, com o centro antigo da cidde cercao pelas muralhas Dia 24: para Segóvia, mas como a chuva era tanta, a visita foi curta: só visitamos mesmo o Alcazar,


Eis o Alcazar, de varios seculos atras...


após um ótimo almoço, quanto à catedral, não deu para a visitar; à tardinha chegámos a Caleruega. Dia 25: visita a esta pequena vila, com missa no mosteiro de clausura… e com as freirinhas que lá se encontram, muito idosas e de uma simpatia enorme. O padre dominicano que nos guiou a visita foi também de uma simpatia extrema. Dali partimos para Pamplona, não para ver as corridas de toiros pelas ruas da cidade, mas apenas para pernoitar, dado que no dia seguinte visitaríamos Javier e dali… rumo a Lourdes, na França. Chegámos lá após uma maravilhosa viagem pelo meio rural espanhol e francês, sobretudo quando atravessámos os Pirinéus. As nossas coreanas, juntamente com os dois homens do grupo (membros de 2 casais), ficaram deslumbradas com tanta beleza; pena que estivesse chovendo, mas mesmo assim a natureza proporcionou-nos um espectáculo memorável! Valeu a pena ter ido por ali, mesmo que no lado francês tivéssemos apanhado um susto: a estrada principal de uma pequena localidade estava inundada e não podíamos passar; mas felizmente, a polícia indicou-nos uma Estrada paralela e lá nos foi possível retomar a estrada principal. Chegámos a Lourdes uma hora atrasados para a janta, mas contentes com o que tínhamos deslumbrado e com uma fome dos diabos!


Nosso grupo diante da basilica de Lordes


Falando em comer, os nossos coreanos não tiveram oportunidade de engordar uns quilitos como, por exemplo, eu, pois a comida coreana nada tem a ver com a nossa mediterrânea. Em Madrid, fomos duas vezes a restaurantes coreanos e em toda a viagem umas 4 ou 5 vezes a chineses, pois eram os únicos onde havia… arroz!!! É, não sabia que os “nuestros hermanos” comem tão pouco arroz!!! Quase nenhum, na verdade, pelo menos durante os 12 dias em que estivemos no território deles. Coitados dos nossos coreaninhos… mas felizmente não se lamentaram muito, até porque se habituaram quase de imediato a comer… pão!!!


Diante da gruta de Lourdes


Ficaram foi também muito satisfeitos com os hotéis onde pernoitámos, muito bem escolhidos pela nossa guia coreana que está em Espanha vai para 16 anos; na verdade, ela trabalha em associação parcial com a agência que escolhemos aqui na Coreia, assim que nos guiou muito bem, sempre por bons caminhos! Estava super informada e teve muito bom gosto; o hotel que mais deslumbrou foi o de San Sebastian, o qual fica num monte de onde se deslumbra toda a baía da cidade! Uma maravilha!!! Mas o Praia Mar, em Carcavelos, também não ficou atrás, pois estávamos de frente à praia.
Bom, em Lourdes ficámos bastante tempo: dia e meio! Deu para fazer tudo e mais alguma coisa, se bem que metade do tempo estivesse chovendo também; infelizmente, a chuva foi uma constante nesta viagem, mas até que não perturbou muito. Mais e muita mais razão de queixa têm os milhares de espanhóis e muitos franceses que sofreram consequências desastrosas por causa das chuvas. Assim que podemos agradecer o São Pedro de ter sido benévolo para connosco…
O dia mais longo e cansativo foi o de 3ª feira, 29 de Maio, quando viajámos desde San Sebastian, passando por Loyola e Burgos, até Salamanca.


Diante da belissima catedral de Burgos


Porém, contrariamente ao que eu previa, a gente não se queixou do cansaço, aceitando-o como natural. Claro, com uma moral assim é óptimo fazer viagens longas! Salamanca é lindíssima e, como não fica longe da nossa terra, aconselho-vos vivamente a lá irem, caso ainda não o tenham feito. Um passeio nocturno, com gelado à mistura, foi a forma ideal de terminar o dia. Foi muito bom mesmo!
Na manhã do dia seguinte, o coração batia bem mais forte, como era natural: estava a poucas horas de entrar no nosso país!!! A manhã foi passada em duas partes: Alba de Tormes, terra onde se encontram restos mortais de Santa Teresa de Ávila; na capela a ela dedicada celebrámos a missa. Depois, voltámos a Salamanca para visita à catedral e parte da universidade; ainda antes do tacho, tempo para umas rápidas compras. Claro, dizer a mulheres que só têm meia hora para compras é como dizer a um miúdo que tem 10 pastéis à frente para só comer um!!! Bem, se fossem pastéis de nata… eu até nem deixava nenhum!!! Assim que também aproveitei para comparar uma lembrancita para algumas das minhas fãs coreanas!!! É sim, se um não as mantém elas vão-se… ahahah !


Salamanca: Plaza Mayor `a noite! Deslumbrante!


O almoço foi num restaurante chinês, mas devo dizer (sem pretender estar com ares de nacionalista!) que os chineses que estão em Portugal cozinham melhor que os da Espanha.

Pormenor do teto da catedral de Salamanca

E partimos então rumo à nossa terrinha, carago!!! Que emoção!!! Afinal, passaram 2 anos já. Sim, é incrível como o tempo passa! Mas… estando já esta crónica muito adiantada, o relato da aventura em terras lusas fica para amanhã, ok?
Tenho as ovelhas já prontas a serem contadas e, como o sono aperta, tenho mesmo de ficar por aqui! Abraços…

Saturday, April 14, 2007

A aventura da vida e da missao continua

Wasu-dong, 11 Abril 07

Anyong, minha gente!
Pois é, eis que finalmente tenho tempo e predisposição para actualizar este meu diário. Já era sem tempo, pois desde o meu regresso da incrível e inesquecível viagem e experiência no Kenya que não vos escrevo. É incrível como o tempo passa, até porque “acabei de comer mais um ano”, como dizem aqui na Coreia. Sim, uma das formas de dizer “envelhecer” é dizer que se está comendo mais um ano. Assim, estou “começando a comer” o meu 36xto ano de vida, vida esta que tem sido uma aventura simplesmente FANTÁSTICA!!! Como envelhecer não é problema para mim, bem pelo contrário, aconselho a quem não gosta de “comer anos” a não vir para a Coreia, pois aqui um quando nasce… é ja “velho” de 1 ano. Ou seja, na Coreia acabei de fazer 37, pois contam o período dos 9 meses no seio materno como o primeiro ano de vida. O que é muito verdade, diga-se de passagem, pois somos seres humanos desde a concepção. Bom, o nosso Amigão tem, de facto, sido fenomenal e impecável para comigo, sobretudo através de pessoas muito especiais que vai colocando na minha estrada e que comigo caminham ao longo da vida. Aqui na Coreia são vários os amigos através dos quais Jesus me tem manifestado o Seu amor, não esquecendo, claro está, a minha família e comunidade missionária. Entre eles está o meu pároco actual, João, o qual conheci na minha primeira paróquia: estive lá 4 anos e com 2 padres, ambos muito porreiros. O segundo, este João, logo desde o início me fez sentir como em casa e, como tal, somos bons amigos: eu estou sempre à sua disposição quando precisa de ajuda, tal como ele para comigo. Vamos ao cinema de vez em quando, pois tal como eu adora cinema.Ainda no sábado passado fomos, com os 2 seminaristas da paróquia, ver um filme francês muito parecido com o Top Gun. Bom, vim para cá dar-lhe uma mão ao domingos e quando precisa, sempre que posso, dou-lhe uma mão… tal como nestes dias. Vim ontem para cá e estarei ate dia 20, pois foi de férias. Assim, estarei fora da comunidade por uns dias, o que de vez em quando até nem faz mal, pois mudar de ambiente ajuda a ver a vida e a missão com olhos novos e com uma perspectiva diferente. Assim, posso dizer-vos que, apesar de continuar apaixonado por esta missão e este país, estou necessitando de uma paragem. Ora, como sempre Jesus “veio em meu auxílio” com este curso de 3 meses que farei no Brazil, do qual vos falei já. É um curso para jovens missionarios do nosso Instituto com cerca de 10 anos de ordenação; vai-me fazer muito bem, pois estou mesmo a precisar de uma pausa. Claro, é um dom e um privilégio poder disfrutar de 3 meses para fazer este curso, pois quem dera a muita gente dispôr de tão grande dom… Mas como os missionários não têm a mesma vida que o resto dos “mortais”, fazemos também coisas que não são comuns a todos. Sei que muitos quereriam poder dispôr de tanto tempo para uma pausa longe da vida do todos os dias; de facto, muitos até brincam dizendo “vidinha de padre”… mas a verdade é que mesmo com uma vidinha assim, somos poucos, pois na verdade não é uma vida fácil. Mas é uma vida muito fascinante; claro, nunca seria padre de paróquia, pois gosto de estar ora aqui ora ali, de conhecer gentes, culturas e de adoptar modos de vida diferentes.
Bom, estou então aqui na paróquia substituindo o padre João. Ao mesmo tempo, continuo preparando a revista da qual sou diretor, pois estarei fora 3 meses e, como tal, tenho de deixá-la pronta antes de partir, também para poder disfrutar do curso sem preocupações. Para além da revista, tenho como responsabilidade, partilhada com alguns colegas meus, o grupo de benfeitores nossos; todas as últimas 2a feiras do mês temos uma missa e encontro com alguns deles; pelo Advento e Quaresma orientámos também um retiro. Tocou-me a mim orientar o último, da Quaresma; fiz uma apresentação diferente da Via-Sacra, mencionando temas sociais a nível mundial que têm flagelado massas imensas de gente, sobretudo de crianças e mulheres. Problemas como a sida, trabalho infantil, prostituição adula e infantil, tráfico de armas, entre outros. Claro, como não era a típica Via-Sacra, algumas pessoas ficaram surpreendidas e “chocadas” (em sentido positivo) com os conteúdos; porém, estes não eram novidade, popis foram tratados na nossa revista. Aliás, foi da revista que tirei o conteúdo das estações. Depois, estive uns dias no sudeste coreano, em Pusan, para tratar de um encontro com os nossos benfeitores daquela zona, para além de visitar um casal amigo e os dois filhotes que são simplesmente lindos!!! Podereis constatar o que digo numa das fotos que aqui colocarei.
Teremos então uma missa para os nossos benfeitores e os fiéis de uma paróquia dali a 22 deste mês. Em Maio, Junho e Julho terei 2 fins-de-semana, em casa mês, para fazer animação e propaganda missionária, pois precisamos de aumentar o número de benfeitores, até porque uma das nossas actividades como missionários é, precisamente, falar da missão universal da Igreja a esta nação que é muito rica em padres e freiras, mas com poucos missionários. Como escrevi na última notícia que enviei para o sito da nossa revista portuguesa (http://www.fatimamissionaria.pt/), os missionários católicos coreanos não chegam aos 500, enquanto que os protestantes ultrapassam os 11 mil. Quanto a nós, temos 9 seminaristas coreanos: 5 em Roma, doas quais creio que 3 ou 4 acabem em bem e sejam ordenados; aqui connosco estão 4, mas só vejo 2 a seguirem em frente. A ver vamos…
Bom, assim tem sido a minha aventura missionária após o regresso do Kenya. Não sei se vos disse, mas na ida para o curso no Brazil irei parar na África do Sul (o bilhete mais barato é com passagem por Hong Kong e este país africano) por uma semana, de modo a conhecer o país (parte dele, claro) e os nossos missionários que lá trabalham, até para preparar material para a nossa revista sobre esta nação, a qual, por exemplo, é a que mais casos de sida tem no mundo. Assim que irei conhecer mais dois países; no Brazil, irei dar um salto à Baía, antes do início do curso, para preparar material sobre o Brazil para a nossa revista. Sim, embora sem curso formal ou académico, sou… um missionário jornalista!
Quanto à Páscoa, passei-a aqui na paróquia, participando em todas as celebrações do Tríduo Pascal e missa de Páscoa; estiveram também presentes alguns padres da diocese que, como todos os demais, lá beberam uns bons copos depois das celebrações. Como não bebo, ficam admirados, pois sabem que em Portugal temos boa pinga. O ambiente foi ótimo, pois eram pdares relativamente jovens; quanto aos fiéis, são também boa gente e têm-me acolhiudo muito bem, sobretudo as velhinhas, as quais são a maioria nesta paróquia. Amanhã terei um funeral e só não farei outro na 6a feira porque o farão noutro lado; espero que não morram muitas nestas duas semanas, pois funerais em coreano não são fáceis… como não o são em outra qualquer língua, eu sei: mas em coreano são mais difíceis, creio!
Bom, vou ficar por aqui, senão ainda adormeceis. Espero que a primavera tenha chegado já: aqui começa a despontar. Vi parte dela onteontem, no passeio que dei para celebrar os meus anos. Pude assim louvar Deus pelo dom da vida no meio da natureza, especialmente na praia que visitei com amigos. Foi ótimo sair do meio da confusão de prédios, metro, correrias, stress e outras “anormalidades” da vida moderna, neste caso causadas pela falta de espaço e pela multidão de coreanos. É que a Coreia do Sul é mais pequena do que o nosso Portugal, mas tem 48 milhões de habitantes, metade deles numa área pouco maior que o norte tuga acima Douro!!!
Amigos, ficai bem e que o nosso Amigão vos abençoe e ajude no que mais precisais. Até mais…

Anyong!

Fotos:
1. Com alguns amigos brasileiros na janta do Ano Novo chines
2. Com uma sosia do Ronaldinho: ele e’ mebro de um grupo de dança que trabalha na China; veio à Coreia estudar a possibilidade de trazer o grupo aqui.
3. Com o meu querido casal amigo de Pusan e os seus dois filhotes.
4. Menina do meu casal amigo: linda, verdade?
5. Criança de uma creche onde vou de vez em quando; está vestida com o Hanbok, traje tradicional coreano. Esta tambem e' linda, nao e'?

Friday, February 23, 2007

Reflexoes sobre a vida...

Yokkok, 24 Fevereiro 07
Anyong, minha gente.
Faz tempo que nao escrevo, verdade? Pois bem, andando eu muito ocupado com o meu trabalho, o qual inclui escrever semanalmente para o sito da nossa revista tuga e ocasionalmente para uma revista da minha terra natal. Assim, aproveito o artigo que recentemente escrevi para esta ultima (chama-se Preseca) para partilhar convosco alguns pensamentos meus ...

Olá a todos! Estamos celebrando o Ano Novo do calendário chinês aqui na Coreia do Sul (17-19 Fevereiro) e, como tal, não quero deixar de vos desejar mais uma vez um Feliz Ano Novo. É tradição, seja na China como aqui na Coreia, aproveitar o longo feriado nacional para uma visita à terra natal, onde se encontram familiares e amigos após muitos meses de ausência e se presta homenagem aos antepassados. Assim, são milhares as pessoas que se deslocam kms e kms, usando os mais variados meios de transporte, para passarem uns dias em família. Dizem as estatísticas que cerca de 30 dos 48 milhões de coreanos irão deslocar-se nos próximos dias! Porém, para alguns estes dias são tudo menos alegres e festivos. Entre eles encontram-se os solteiros, sobretudo se têm mais de 30 anos, e os desempregados. E porquê “sofrem” eles? Porque estar solteiro ou não ter trabalho é considerado um fracasso, uma vergonha. Claro que, caso a situação não tenha melhorado no ano que vem, estas vítimas de “assédio emocional” continuarão a sofrer até que vejam melhorado o seu estatuto social. A sociedade é extremamente competitiva e é muito difícil que um indivíduo consiga “sobreviver” por sua conta: ou seja, um indivíduo existe enquanto membro de um grupo, senão é considerado “anormal ou estranho” e repudiado pelos demais. Das várias as razões para este tipo de valores, escolho uma delas: a importância da imagem. Para um coreano, é importante ter ou dar uma imagem de sucesso, de bem-estar, mesmo que essa imagem nem sempre corresponda à realidade. Certo, este valor está presente em muitas outras sociedades e culturas, incluindo a nossa portuguesa, mas creio que aqui está presente de um modo muito mais acentuado. Basta mencionar o facto de que a maior parte dos suicídios, os quais alcançaram níveis deveras assustadores nestes últimos anos, se devem a questões de “honra e prestígio”: ou porque se perdeu o emprego, ou porque se é menos inteligente na escola (caso de vários estudantes, jovens e até mesmo crianças), ou porque o stress e pressão para estar no topo da fama (no caso de cantores e actores de cinema/televisão ou de presidentes de companhias, entre outros), o método mais honrado e que menos vergonha causará à família é o do suicídio. Assim, em vez de se viver com menos posses, mas mesmo assim de forma digna, muitos escolhem a via do suicídio, pois a pressão social é deveras acentuada e sufocante. Tanto que, há tempos atrás, os meios de comunicação social alertavam para o facto desta sociedade se estar tornando cada vez menos humana. A vida passa a ter valor só em termos económicos; a gratuidade, o altruísmo, a solidariedade vão-se perdendo aqui e ali, se bem que, comparados com outros povos, os coreanos sejam talvez dos mais generosos quando uma calamidade ocorre “dentro de casa”.
A estes problemas junta-se outro, muito comum nas sociedades ditas modernas e em relação ao qual a Coreia não é excepção: o crescente envelhecimento das populações. Bem pelo contrário, a sociedade coreana é uma das que mais tem envelhecido nas últimas décadas, tanto que o governo, após ter lançado o alerta, saiu com várias propostas, sendo uma delas aumentar o número de gémeos. Sobre esta proposta escrevi há dias um artigo para o sito da nossa revista portuguesa “Fátima Missionária”: deixo-vos uma parte do mesmo e o comentário que lhe fiz.

“O governo coreano anuncia medidas para combater a baixa taxa de natalidade com meios artificiais, seguindo a tendência no que toca a produtos alimentares e métodos de beleza
(…) De facto, espera-se que o número de gémeos coreanos aumente para o dobro ao longo deste ano.
Segundo estudos feitos, a possibilidade de que os bebés sejam gémeos por método natural é de um a cinco em cem, enquanto que com a fecundação artificial é de três em dez. (…)O que é certo é que a população está a envelhecer a um ritmo veloz. O governo terá de considerar outras opções mais viáveis e “naturais”, como, por exemplo, apoiar casais jovens que desejam ter filhos e, porque não, integrar os emigrantes na sociedade de uma forma mais positiva, mais digna e tolerante.”
Sim, creio que è fundamental revalorizar a vida, ou seja, criar condições para que as pessoas sejam, por um lado, reconhecidas como tal e não como meras “máquinas de produção” e, por outro, que viver não se transforme em algo artificial, sem sabor, sem valor, sem partilha, sem tolerância, sem diversidade… Vivemos num mundo que cada vez mais se divide entre os que têm (sempre uma minoria) e os que não têm (são cada vez mais a maioria), entre os que podem e os que não podem. A ideia de “aldeia global” (=globalização) está destruindo, no meu ver, a riqueza cultural dos povos, a riqueza da diversidade e da potencialidade inerente a cada ser humano. Será a democracia o único sistema politico possível? Serão os jeans única moda e o Mc’Donalds a única comida possíveis? Serão os modelos de desenvolvimento, de beleza, de ideologia do mundo ocidental os únicos validos? Não creio! Vivendo num país tão diferente do nosso, posso assegurar-vos que as melhores experiências que tenho feito são precisamente as que me colocam em confronto positivo e construtivo com esta cultura; cada vez mais vou descobrindo a beleza e o espírito criativo de Deus no contacto com as pessoas e na descoberta das bases desta cultura. O povo coreano é um povo extremamente orgulhoso, no bom sentido, mas é com pena que vejo que tantos jovens e adultos consideram a cultura ocidental como sendo o modelo a seguir. De facto, os estragos que estão surgindo, seja a nível social que cultural, são devidos a esta tentativa de assimilar valores que nada ou pouco têm a ver com a natureza deste povo. A uniformidade tem feito estragos irreversíveis: basta ver a guerra no Iraque, onde os americanos e seus aliados teimam em estabelecer a democracia à ocidental, mas o que estão conseguindo fazer é levar o país às ruínas e à guerra civil. Para concluir, gostaria só de recordar a famosa frase de Jesus (Mateus 7:12): “Faz aos outros o que queres que te seja feito.” Ou seja, este nosso mundo seria muito diferente se todos pusessem em prática esta simples, mas exigente norma. Porém, não basta cruzar os braços e dizer que nada podemos fazer: há que olhar à nossa volta e ver que há tanto a mudar, mas o primeiro a ter de mudar… somos nós próprios.
Um abracao
Fotos: 1. Eu com duas senhoras da primeira paroquia onde estive
2. Simpatica foto de um pai e filho; creio sejam coreanos... Encontrei-a num sito italiano e esta' demais!!!
3. Casal de uma tribo da tailandia (foto que fiz em outubro 2006)

Tuesday, February 06, 2007

Mais 3 dias de exploracao e visitas...












30 Janeiro-1 Março 07

Jambo, jambo.
Eis-me de regresso a Nairobi, após 3 dias incríveis pela zona de Kisumu, no nordeste deste belo país. Sim, pude constatar pelas viagens que fiz que o Kenya é, de facto, um país rico em beleza natural e humana. Pena é que seja tão pobre... Sim, como em muitos outros países desta África negra, depois que os europeus colonizadores se foram, o país ficou na miséria, sobretudo a nível económico. Certo, rico também os há, e não são poucos, mas restam sempre uma pequena parcela da população. Passando por outras áreas do país, pude constatar que não é só Nairobi que, com os seus muitos bairros-de-lata, está povoada de pobreza e miséria com níveis assustadores e preocupantes. Há uma enorme multidão de gente que vive sem acesso à electricidade e à água potável, a uma casa com condições mínimas de conforto... À noite, não me saía da cabeça a escuridão profunda em que muitos, por causa da falta de electricidade, se encontram diáriamente. Ainda por cima dormindo eu num quarto amplo, com rede para proteger dos mosquitos, com casa de banho privativa, com água corrente... e ali ao lado, a poucos metros da nossa propriedade, gente sem quase nada.
Mas vi também um povo que não se deixa levar pela pobreza, que resiste e sobrevive apesar de tudo; vi crianças que sorriem e jogam como se o pouco que elas possuem fosse o melhor o mundo; vi mulheres que, apesar do peso da vida (sentido figurativo) e das coisas materiais necessárias para viver (sentido literal), não se deixam levar pela desilusão e lutam pelo melhor futuro possível para os seus filhos; vi idosos que, apesar das amarguras e dificuldades da vida, conseguemne ainda trocar e gozar uma boa cavaqueira com os amigos...
Bom, iniciei a viagem pouco depois das 11h da manhã de 3ª feira, 30. O nosso padre keniano Awiti era o condutor e acompanhava-nos um leigo da Nova Zelândia, o qual participou nos 2 Fóruns: teológico e social. Tem 5 filhos e trabalha na comissão da Justiça e Paz lá no seu país. Chama-se David e ajudar-me-á mais tarde com um artigo sobre a Igreja na Nova Zelândia. A nossa primeira paragem foi para... almoçar! A viagem continuou, por estradas nem sempre amigas dos carros, mas lá chegamos ao destino. A caminho, deparamos com... macacos `a berma da estrada, os quais estao habituados que se lhes de comida. Mas nao se aproximaram do nosso, talvez por verem 2 brancos "raros"....
Ainda antes de chegarmos ao destino, passamos por zonas onde o que ha' mais sao campos de cha. Vimos nao so' pessoas recolhendo o dito cujo, como duas "estranhas" aldeias, as quais eram coracterizadas por muitas casinhas juntas; so' que o padre Awiti dizia que estas eram muito pequenas e desconfortaveis... mas que, como acontece sempre com o "ze' povinho" em todos os paises, os pobres sao sempre explorados ate dizer "basta!" Eis na foto parte de uma destas aldeias. Parámos um instante no nosso centro de animação missionária, o qual nada tem a ver com a realidade que o circonda; certo, não se pode trabalhar vivendo em cabanas ou casas pobres, mas não deixa de ser “chocante” ver o contraste profundo que existe. Antes que anoitecesse, fomos ver o sol “recolher aos seus aposentos” ; não deu para fazer grandes fotos: o céu estava muito nublado, mas pelas duas fotos que se seguem, podeis ver que até não sairam mal de todo. E lá se foi mais um dia...


E mais uma...

4ª Feira amanheceu nublada, mas, mais uma vez, o nosso Amigão resolvou dizer a São Pedro para aguentar a chuva até à manhã do dia seguinte; assim, tivemos mais um dia de sol e amenas temperaturas, se bem que à noite, estranhamente, tenha feito sempre uma humidade bastante acentuada. La' nos fizemos `a estrada; pelo caminho, vimos muita gente caminhando com vegetais e fruta `as costas ou `a cabeca, todas em direccao a um grande mercado numa pequena cidade da zona. Interessante foi notar que... so' as mulheres e animais de carga carregavam com as coisas: os homens so' o faziam com carro-de-mao, carros ou furgonetas, pois nao e' de homem um homem carregar coisas... A primeira paragem esta' ligada com uma das razões desta segunda viagem: a visita à família do meu colega Joseph Otieno, que faleceu na Coreia em dezembo de 2005. Infelizmente, a mãe não estava: tinha saído de manhã cedo para um funeral. Mas ao menos pude conversar com o pai, o qual estava sozinho em casa (e' ele comigo nesta foto).Ficou contente não só com o que eu lhe disse sobre o seu filho, mas também com as fotos da missa do primeiro aniversário que celebrámos lá na Coreia em dezembro passado. Claro, partiu-me o coração sentir a sua dor, mas vi também que a família tenta levar a vida para a frente por quanto lhes seja possível. Espero que o dinheiro do seguro que a Samsung concedeu à família, pois o meu colega estava inserido num grupo de estrangeiros devidamente assegurado, possa chegar-lhes em breve: as burocracias coreanas ainda não permitiram que o dinheirto fosse transferido aqui para o Kenya. Gostei muito de ter ido até ali, pois era como visitar a minha própria família, e sentir que fui instrumento da consolação de Deus para esta família. Espero que um dia seja possível irem à Coreia, tal como é seu desejo...
Seguimos viagem, parando na igreja paroquial onde o meu colega Otieno tinha celebrado a primeira missa e outras mais. Estando perto a hora do tacho, o Awiti onvidou-nos para ir a sua casa; encontrámo os seus pais, curiosamente... fervorosos membros de uma igreja protestante; creio que o pai seja meio pastor, pois dizia fazer sermões aos domingos. São só 3 os membros católicos da família; mas gostei de ver que os pais estão felizes e orgulhosos por terem um filho padre, pois, como dizia o pai, o importante é anunciar o evangelho a quem não o conhece. Sao eles que estao comigo na foto: pais e filho. Para melhor verem a foto, aconselho-vos a clicar em cima da mesma, de modo a verem a versao maior ( o mesmo vale para todas as outras!) Após um ótimo almoço e animada conversa, retomámos a estrada... mas deparámos com um acidente brutal, tão brutal que até saiu no noticiário nacional ao fim do dia. Morreram 8 pessoas num embate frontal entre um “matatu” (carrinha de 9 lugares que leva sempre mais passageiros do que os permitidos pela lei; de facto, antigamente eram mais de 20 por veses, mas uma lei recente desceu o número para... 14!) e um pequeno autocarro; parece que este sofreu o arrebentament de um pneu e bateu frontalmente no “matatu”. Quando chegámos ao local do acidente, os corpos das vítimas tinham já sido retirados.
Fomos dali para uma das duas paróquias que ainda são orientadas pelo nosso Instituto: Aluendo. Mas os nossos padres não estavam, de maneira que a visit foi rápida. Porem, gostei de ver um jovem artista pintando a Via Sacra nas paredes da igreja, a qual tem pouco mais de 1 ano. Na foto podeis constatar a sua mestria, sobretudo porque o faz em estilo africano. Seguimos para a segunda paróquia nossa, a qual estava longe da estrada principal e, tenho chovido muito no dia anterior, as estradas estavam impraticáveis, pois eram em terra baida. No regresso, tive inclusivé que sair do carro parar arrumar umas pedras de modo a que o carro pudesse passar. Esta paróquia, Chiga, tem um pequeno centro médico, um dispensário, uma escola tácnica, um pequeno centro de fornecimento de água potável e arroz para a populução local. É uma missão ao estilo antigo e típico de anos passados, porém dizia-me o Awiti que a escola técnica tem os dias contados... caso o número de alunos que a frequenta continue a diminuir.
Antes da janta, demos ainda um salto ao Lago Vitória, mas desta vez não deu pra ver... a água. É que parte do lago está coberto por espessa camada de vegetação; a única água que se via era usada para lavar os “matatu” e pequenos autocarros.
À noite, vi então o noticiário e fui dormir mais cedo, pois estava arrebentado. No dia seguinte, regressámos a Nairobi, mas por uma outra estrada, de modo a vermos um pouco mais do Kenya; pelo caminho, conseguimos avistar um pequeno grupo de girafas! Fiquei contente, pois como não deu para fazer nenhum safari, pude ao menos ver um minimo de animais no seu habitat natural. O almoço foi na zona Masai-Mara, a qual tem um parque natural muito famoso; pena não ter dado para lá ir... mas como não vim ao Kenya só para passear, não me posso queixar. Bem pelo contrário: vivi e experimentei o que nenhum turista pode experimentar, pois visitei locais e pessoas que nunca contactam com estrangeiros... a não ser que sejam missionários. Gostei imenso dos mercados, quase todos `a beira da estrada principal; sempre que nos viam, esperavam que os "mzungos" (brancos) saissem e lhes comprassem algo, pois nao serao muitos os mzungos que passam por aquelas bandas.Tivemos tempo ainda para comprar mais umas lembrançazitas numa loja ali perto do local onde almocamos. Esta zona Masai era mais vasta, com pouca vegetação e escassamente povoada, ao contrário de Kisumu.

E chegámos a Nairobi depois das 5h da tarde, cansados mas felizes pela experiência, sobretudo porque tudo tinha corrido extremamente bem.
E... faltam-me 2 dias para regressar à minha Coreia. Amanhã irei poder recordar o coreano, pois irei almoçar com uma jovem leiga missionária coreana; no sábado será a vez de almoçar com os familiares do meu colega Peter, para depois abalar por volta das 10h da noite rumo a Bangkok: chegarei à Coreia na 2ª feira de madrugada, pois em Bangkok terei de esperar quase 11 horas! Será uma enorme seca, mas prefiro estar ali a secar do que ter perdido 2 dias caso tivesse viajado com outra companhia aérea.
Minha gente... vou nanar!
Asante sana...

Nairobi-Dakar


28 – 29 Janeiro 07

Jambo, jambo pessoal!
Como sabeis, estive vários dias fora de Nairobi, visitando comunidades nossas, algumas das quais têm já muitos anos de actividade. Estas viagens foram inesquecíveis, tal como tem sido toda esta minha primeira aventura africana. Começo pelos dois dias em que, juntamente com 3 padres tugas, viajei por algumas das mais importantes e históricas missões do nosso Instituto. Foi nos passados dias 28 e 29 de janeiro: a nossa viagem iniciou bem cedo, de modo a evitar tráfico. Assim, saímos às 6h da manhã, quando o sol ainda não se tinha levantado. A nossa primeira etapa foi Tuhtu, o local onde os primeiros missionários da Consolata que chegaram ao Kenya em 1902 celebraram a primira missa.




Capela de Thutu


Padre Tobias (esquerda) e Fernandes durante a nossa missa.



Eu com outros padres tugas.



Mas antes de vos descrever o que senti e vivi... deixai-me explicar o porquê da minha escolha do título.
Confesso-vos que só na Mongólia vivi uma experiência automobilística (não sei isto é português, mas creio que entendeis) parecida com a dos passados dias 28 e 29! Dou graças a Deus por termos regressado sãos e salvos, pois foi de facto uma aventura ao estilo do rali Lisoa-Dakar. Até pelo ar andámos, tal como nos ralis, ao passar uma rampa que o padre Tobias não conseguiu evitar; haviam dezenas de rampas ao longo da estrada, daquelas que obrigam os motoristas a reduzirem a velocidade. Mas estas eram muito altas e, como não estavam assinaladas, nem sempre era possível vê-las a tempo; ou seja, demos cada salto; só na Mongólia experimentei sensações parecidas... Mas não foi só por isto que rezei muito durante a viagem: o nosso padre Tobias conduzia a 100km quase todo o tempo, várias vezes a 120km e algumas a 140km... mas em estradas nem sempre lisas; acho que o pobre do jipe Suzuki não se irá esquecer destes 2 dias, tal como eu e os outros 2 tugas. Mas, por outro lado, tenho de agradecer os nosso “vizinhos” japoneses por terem criado um jipezito tão robusto! É muito pequenino (eu parecia uma sardinha enlatada!), mas deu bem conta do recado! Mas o meu maior agradecimento é dirigido ao padre Tobias, pela sua amabilidade e dispononibilidade, pois proporcionou-nos dois dias maravilhosos. Valeu o faco de ele ter já sido superior regional aqui no Kenya e conhecer bem todos os cantos e caminhos. A primeira estrada que mais parecia feita para ralis levava-nos a Tuhtu; mamma mia, que viagem. Mas lá chegamos ao destino; foi uma sensação indescritível a que senti, pois estava finalmente no local onde, praticamente, teve início a aventura missionária do nosso Instituto. Naquele local, um descampadozito perto de uma pequena povoação, encontra-se uma capela construída para comemorar o centenário de missão no Kenya (inaugurada a 15 de Agosto 2002); celebrámos a eucaristia nós o 4, em nome de todos os nossos missionários (vivos e defuntos). Mais abaixo, encontra-se a igraja paroquial de Tuhtu;


Um jovem da paroquia de Thutu

encontrámos vários paroquianos, só que naquele dia o pároco não iria estar presente, por isso fariam somente a celebração da Palavra.
Seguindo viagem, contornámos o Monte Kenya (é alto quase 6 mil metros); rumámos em direcção ao Norte; parámos numa nossa missão, mas o pároco não estava; do alto de uma colina podíamos contemplar a grandiosidade daquela que tinha sido, em tempos passados, a nossa grande missão do Nyeri;


Panoramica de Mathari (Nyeri), do que foi antes parte do nosso "imperio"

actualmente, está nas mãos da diocese local. Sendo horas do tacho, fomos a um restaurante que se encontrava ao longo de uma estrada, mas do qual se via só a tabuleta. Descendo uns 100 metros, encontrava-se o que mais parecia a casa do Tarzan: era construído literalmente numa enorme árvore. A foto mostra que nao estou a contar tretas...Chamava-se “TreeTrout = Árvore das Trutas” e, tal como o nome indica, as trutas eram a especialidade. Podíamos ver nas árvores que nos circundavam macacos com longas caudas brancas, sendo o resto da pelagem negra. Eis um belo exemplar:Retomando a estrada, após uns kms chegámos ao hemisfério norte do planeta; ou seja, passamos a linha do Equador. Eis a foto...Após a foto e umas compras rápidas, seguimos caminho em direcção Mukululu, zona onde se encontra uma das mais incríveis obras do nosso Instituto; o seu autor é o Irmão Argese, italiano, o qual construiu, ao longo de vário anos, todo um sistema de canais e tubos que levam a água da serra a mais de 250 mil pessoas!!! De facto, foi homenageado pelas Nações Unidas e várias outras entidades por este projecto. Eu já tinha ouvido falar dele, claro, mas uma coisa é ter ouvido falar... outra é ver com os próprios olhos. E fiquei deslumbrado, tal como o Fernandes, que como eu estava pela primeira vez na África e no Kenya. É uma obra simplesmente fabulosa, por várias razões: está em sintonia com o ambiente que a rodeia, usa materiais e obra-prima local e é parte integrante do projecto evangélico de promoção humana. As pessoas em vez de se deslocarem vários kms para irem buscar água podem agora tê-la na própria aldeia; para além do mais, é água tratada e, como tal, a saúde das pessoas melhorou bastante. Creio que o elemento que mais caracteriza e destaca esta obra grandiosa é o facto do Irmão Argese empregar pessoas locais. De facto, quando o padre Elísio foi ali com um grupo de tugas nossos benfeitores, alguns deles perguntavam: “Porque não utiliza ele buldozers e outra maquinaria? Porque é quase tudo feito à mão? Esta pessoas parecem “escravos.” Como lhes respondeu o Irmão Argese? Com palavras como estas: “Em vez de usar maquinarias, eu uso o dinheiro para dar emprego e salários às pessoas; ao mesmo tempo, elas recebem formação profissional, a qual lhes permite viverem com mais dignidade e serem donas do seu próprio destino.” Ou seja, ele não lhes dá o peixe, como muitos fazem, mas ensina-os a pescar! É, de facto, um projecto monumental e uma forma muito concreta de proclamar o evangelho de consolação que Jesus transmitiu a tantos. Mas, no meu ver, o elemento mais positivo deste projecto é o facto de estar em sintonia com o contexto onde se encontra e de não depender exclusivamente do nosso Irmão Argese; creio que quando chegar a altura de ele se ir, o projecto não acabará só porque ele já não estará presente.
Antes do anoitecer demos então uma volta pelas colinas por onde passam os tubos que levam a água a milhares de pessoas, as quais não necessitam de fazer vários kms para irem buscar este bem tão perecioso que é a água. Foram construídas várias digas para retenção da água e o projecto continua avançando, pois o Irmão Argese quer que a água chegue a muitas mais comunidades. Mas não é só de água que o Irmão tem feito projectos; além do alargamento da igreja, a qual será transformada em pequeno santuário, está iniciando um projecto de producção de vinho, propondo a várias famílias o início de vinhais para producção mais alargada de vinho. O que é certo é que ideias não lhe faltam, bem como benfeitores e, quanto às gentes do local, estas estão dispostas a aprenderem sempre mais de modo a melhorarem a qualidade das dsuas vidas. Após o descanso nocturno, na manhã de 2ª feira o Irmão mostrou-nos e explicou-nos tudo tintin por tintin. Agora terei de arranjar material para depois elaborar um texto na nossa revista coreana, pois este é um projecto que merece ser conhecido e difundido também lá no Extremo Oriente. Seguimos caminho em direccao a Meru, onde visitamos a catedral (na foto);
esta mesma foi construida tambem pelo Irmao Argese, juntamente com outros missionarios. Partimos depois para uma outra missão, a qual tem também um projecto de ajuda às pessoas do local: a carpintaria da missão de Mujwa, dirigida por um nosso padre espanhol e que conta com a colaboração de um leigo italiano, irmão de um nosso missionário. Mas este leigo, Daniele, não me era desconhecido, pois não mora longe de onde fiz o ano de noviciado, na Itália; de facto, visitáva-nos de vez em quando. Já nessa altura, 15 anos atrás, ele vinha ao Kenya várias vezes para ajudar em projectos vários. Na foto estao alguns dos jovens que trabalham na carpintaria:Certo que foi com muita alegria que o vi aqui após tantos anos. Mas o pior foi chegar ali: uma estrada “dos diabos”, pois tinha chovido dias antes e estava impraticável. De facto, cheguei a pensr que iríamos ficar ali. Mas o padre Tobias e o co-piloto chamado Espírito Santo foram melhores que os do rali Lisboa-Dakar. Graças à amabilidade do padre espanhol, ficámos para almoçar. Mas tivemos de sair correndo, pois o tempo era pouco e queríamos ainda chegar a Sagana, local onde temos mais uma parte do nosso “império”: escolas técnicas de vários rmo, uma casa de retiros, o noviciado e mais algumas estruturas. Mais uma vez, vi vários padres de quem só tinha ouvido falar e, como todos os outros, foram muito simpáticos e acolhedores.
E regressámos a Nairobi, a tempo da janta... mas só após um duche reconfortante, pois o pó e o cansaço eram em demasia. Mas, como já referi, foram 2 dias impecáveis. Fiquei a conhecer melhor parte do nosso Instituto e a dar mais valor aos nossos missionários, pois é diferente ouvir falar e conhecer em pessoa, seja o que se faz como quem o faz. Agradeço ao nosso Amigão por esta oportunidade que me deu.
Esta ultima foto e' so' uma "curiosidade"... Creio ser o mais pequeno hotel do mundo!

Asante sana





Monday, January 29, 2007

Arrasado... mas feliz!!!

29 Janeiro 2007


Jambo, minha gente!




Pois e', estou de facto arrasado!!! Extremamente arrasado...






Ate durante a janta eu nao parava de esbocejar.Tava mesmo a cair de sono.


"A que se deve tamanho cansaco?", podeis perguntar e com razao. Pois e', acontece que parti ontem de madrugada (6h) para uma viagem por algumas das missoes mais significativas do nosso Instituto aqui no Kenya, que e' o primeiro pais onde os nossos missionarios iniciaram a nossa aventura missionaria, precisamente em janeiro de 1902. Hoje e' tambem o aniversario da fundacao do nosso Instituto (29.01.1901). Dado que nem sempre as estradas eram lisas e alcatrodas, os meus ossos fartaram-se de "bailar o vira"... Mas foi uma viagem inesquecivel, partilhada com 3 opasdres tugas, um dos quais missionario aqui no Kenya. Deles ja' vos falei; encontramos varios missionarios de quem eu somente sabia o nome ou tinha visto em foto. Adorei mega, de verdade...

Mas, tal como vos disse, estou arrasado e, assim, deixarei para 6a feira que vem o relato do meu diario, pois amanha parto para uma nova viagem, desta vez de 3 dias; irei visitar outra zona do pais, mas sobretudo os familiares de um colega meu keniano que faleceu na Coreia em dezembro de 2005.

Bom, vou procurar na net umas fotos para ilustrar estas palavritas... As fotos minhas relativas `as viagens tambem vos mostrarei na 6a feira, ok?

Um abracao e que o nosso Amigao vos abencoe... sempre!


Agora vou direitinho para o "vale dos lencois".


Asante sana