Friday, August 25, 2006

Suando a potes...


Yokkok, 26 agosto 06
Anyong, pessoal!
Sim, estou de volta `a minha Coreia, apos duas semanas simplesmente incriveis na Mongolia, passadas com 6 colegas meus e com os nosso padres e irmas que trabalham na Mongolia.
Porem, nao sera' hoje que vos falarei desta aventura fantastica, pois e' sabado e esta tarde iniciarei uma animacao missionaria num paroquia de Seul. Espero fazer muitos novos benfeitores, mas sobretudo fazer passar a mensagem de que amissao e' muito e os trabalhadores sao poucos... e que estes precisam da ajuda de todos. Bom, a ver vamos...
Para vos deixar alguma "agua na boca", coloco alguma das fotos que fiz na Mongolia; a proposito, fiz quase 1600! Claro, nao todas sairm bem, muitas alias estao desfocadas (e ja' apagadas) porque tiradas com o jipe em movimento.
Mas depoi contar-vos-ei tudo com calma e muito detalhe.
Enquanto vos escrvo, suo a potes; sim, detesto o verao coreano, pois embora nao faca tanto calor como em Portugl, a humidade e' de niveis altissimos: mesmo parados e `a sombra, um nao para de suar!!! E `a noite entao e' que e' suar...
Bom, anyong e ate' mais logo.
Despeco-me com um abracao mega
Vosso mano coreano
EU

Tuesday, August 08, 2006

Mongolia, aqui vou eu!!!


4a feira 9 Agosto 06
Anyong, pessoal!
Pois e', passa-se o tempo e estando tao ocupado... quando dei por ela chegou este dia e, como tal, nao poderei escrever mais, a nao ser este bocadinho. Sim, estou de malas aviadas para a Mongolia, pais onde os nossos colegas padres e irmas trabaham desde ha` 3 anos.
No meu regresso contar-vos-ei tudo, ok?
CXomo infelizmente la' nao ha' praias, espero que nao faca tao humido como aqui... senao vai ter que ser a balde, como o tareco da foto (as trombas dele estao o maximo, nao acham??? ahahahahahahahah)
Despeco-me com um abracao mega e peco-vos uma oracao...
Ficai bem e que o nosso Amigao vos abencoe sempre
E cuidado com o sol...
Anyong!!!

Friday, August 04, 2006

Recordando o passado (2)

Como explica que a Igreja tenha perdido força, tenha falta de recursos humanos, quando tem aparecido novas igrejas ou seitas que conseguem atrair cada vez mais crentes?
Há necessidade da Igreja Católica ter um maior contacto pessoal, sobretudo nas grandes cidades. Quem vai a uma Igreja grande perde-se, não conhece as pessoas que lá estão, muitas vezes não podem falar com o padre porque não o encontram. Há pessoas que sentem necessidade de falar. Durante a minha estadia em Lordelo, vieram pessoas falar comigo para desabafar porque vêm que estou acessível. Há ainda a tendência da Igreja pensar que basta ter número.Outro problema é a falta de recursos humanos, há falta de vocações, há padres que estão a envelhecer, outros que tem que fazer várias paróquias. Os jovens não querem ir para padre. Creio que a Igreja precisa de um abanão para acordar um bocadinho pois teve algo adormecida, apoiada na fama e no poder que tem como instituição. Outro problema tem a ver com a família que mudou muito porque os valores também mudaram, os pais já não educam os filhos, são educados na escola ou na rua. A educação é menos religiosa. Muitas vezes os mais novos não tem o acompanhamento que deviam ter. Por vezes têm más companhias que os levam à droga ou a outras situações más. As pessoas só se preocupam em ganhar dinheiro. Assim, há um decréscimo na família como salvaguarda e transmissora de valores, que levou a sociedade a desinteressar-se da dimensão espiritual. Outra questão prende-se com a formação que é dada aos padres. Alguns julgam-se senhores do mundo e as pessoas afastam-se deles porque não conseguem conciliar as suas necessidades com a maneira de ser do padre. A formação a nível dos missionários é um bocadinho diferente porque nós temos a tendência para contactar melhor com as pessoas.A Igreja usa, ainda, um discurso inadequado. Temos que mudar a mentalidade, não podemos ter uma Igreja em cima e o povo cá em baixo. Tem de estar ao mesmo nível. Tem de haver uma inversão, o padre deve dar o exemplo de um Cristo que é servidor e não servido. A Igreja deve aproveitar a acção dos leigos, envolver todas as pessoas na sua acção. Em vez de dizer “tem que ser assim!”, deve dizer “como devemos fazer?”. A Igreja deve colaborar com as pessoas. O padre da paróquia deve dinamizar a comunidade, os jovens, auxiliar os doentes, ir ao café, enfim, fazer-se visível entre as pessoas para poderem dizer: “este é um dos nossos”. A Igreja deve ser activa e estar perto das pessoas. Há que haver uma mudança porque a sociedade também muda. As seitas religiosas fazem um forte contacto pessoal que a nossa Igreja muitas vezes não faz. O nosso discurso, por vezes não é o mais adequado. Eu conheço padres novos que só falam de teologia; têm que ser mais terra a terra, ouvir o eco das pessoas. Ainda há pessoas que têm medo de falar com o padre. Mas nós padres, não somos mais que os outros, temos é uma experiência que as pessoas não têm. A Igreja tem que dar um grande salto neste aspecto: abrir mais, escutar o que o leigo tem para dizer. A Igreja deve atribuir mais responsabilidades aos leigos, sobretudo às mulheres que são as que vão mais à Igreja e as que tem menos responsabilidades dentro delas. Estou contra isso. Podíamos dar mais voz às mulheres porque são elas que mais constituem a vida da Igreja. A Igreja pode melhorar a nível de base começando pela auto-formação. Eu fui formado num seminário para missionários, com mais abertura. Uma vez fui a um seminário diocesano e aquilo parecia um quartel militar. É preciso mais abertura.
Acha que vai andar por lá muitos anos com a mesma vontade que tem hoje?
Claro que sim. Ainda estou a começar na Coreia. Estou lá há 6 anos e sei que vou ficar mais outros tantos pelo menos. Depois gostava de experimentar a América Latina, é uma outra cultura, tenho colegas latino-americanos. África já não me interessa tanto. Sou um missionário que tenta coisas novas. A Ásia, a Coreia, é completamente novo para a Igreja. Eu decidi arriscar. Sabia que a língua era difícil. Verifiquei que ainda era pior que aquilo que eu pensava. Houve dias que pensei “quem me mandou para aqui, porque não fui para o Brasil ou para outra terra”, mas aceitei o desafio. Agora estou a fruir muito mais porque custou muito ao início. Tive quase um ano sem poder fazer a missa em coreano...
Foi homenageado pela nossa terra. Acha que Lordelo está no bom caminho em termos de apoio social, nível cultural, na mobilização da juventude para actividades e iniciativas que promovam o ideal cristão e o desenvolvimento da nossa freguesia?
Na minha ausência, constato que Lordelo mudou a nível de casas, de habitação. As ruas não são tão boas como deveriam ser. Há muita juventude, ouvi dizer que havia grupos de jovens, mas não vi nada, ninguém me contactou para falar com os jovens da terra. Fiquei contente com o Centro de Dia, é importante porque apoia os idosos, a solidão é um problema muito grave na nossa sociedade. Fiquei contente com a existência de uma biblioteca, a questão da informação e da comunicação é de primaz importância. Lordelo está a crescer, mas é preciso um espírito aventureiro, ir para outras zonas e com essa experiência enriquecer Lordelo. Temos alguns padres lordelenses no estrangeiro – Brasil, África, Coreia – e em Portugal e parece-me que somos mal aproveitados. Devia haver um elo de ligação entre os nossos padres que estão lá fora e a nossa freguesia. Lembro-me que em Itália existe um jornal que chega a todos os emigrantes daquela zona... Uma iniciativa que pretendo abraçar é colaborar com as publicações da nossa terra. O senhor Fraga pediu-me para colaborar com a revista “Presença” da Lord e eu aceitei. É uma forma de abrir os horizontes das pessoas; Lordelo não é só as guerras que tem com Rebordosa, mas é uma freguesia que tem gente que pode ser melhor aproveitada. Tem que se investir muito nos jovens. Vi jovens nas jornadas culturais. Espero que eles façam mais pela terra pois eles têm muito para dar mas é preciso que lhe dêem oportunidades. Lordelo deve crescer, não apenas com prédios – agora discute-se se vai ser cidade ou não –, não é dar nas vistas, mas fazer algo de positivo sem qualquer interesse político ou particular. Lordelo tem ainda, manifestações de um certo bairrismo que demonstra alguma ignorância. A famosa questão das festas é um exemplo. O mundo é muito mais, Lordelo não está isolado do mundo. Não interessa andar aí com vaidades, mas saber o que se pode fazer para contribuir para a terra.
O mundo que o rodeia é feito de muitas injustiças. Após tantos anos em prol dos outros e de Deus, acha que vale a pena continuar a sua missão?
Mais do que nunca. As pessoas só ligam ao Mal, o Bem não é notícia. Por vezes ignora-se que a Igreja e outras religiões estão muito empenhadas na acção social e evangélica – que não são notícias. Não se fala do missionário que perdeu a vida no Congo porque não fugiu da guerra. O amor pela violência é espantoso. Qualquer miúdo vê programas onde só há porrada e violência. No meu tempo víamos desenhos animados que falavam da amizade, do respeito pelo outro. Temos em nós a tendência para o Mal, mas não somos maus, somos bons porque Deus nos criou. Existe uma cultura da violência, do individualismo, do sensacional. Gostamos de ver um desastre enorme porque não somos nós que estamos lá; sentimos um certo fascínio. A comunicação social alimenta aquilo que nós gostamos de ver. Na televisão portuguesa, o horário nobre é preenchido por telenovelas. Ora, um povo alimentado a telenovelas não é inteligente, torna-se passivo, sem espírito crítico. As pessoas interessam-se mais por este tipo de programas do que pelas matanças e atrocidades que acontecerem, por exemplo, no Ruanda, e que acontecem noutros sítios. São indiferentes a essas atrocidades, está-lhes muito longe. Só lêem a Maria, a Caras, a Vip ou outras do género; as pessoas não gostam da vida delas e aspiram a uma vida que não é a delas, tornam-se alienadas, projectam a sua vida na vida dos outros. Assim interessam-se mais pela riqueza do que pela miséria dos outros. Interessa mais o Masterplan – como eu vejo em certos cafés – que o problema de Angola que saiu da guerra e precisa de reconstruir tudo. As pessoas preocupam-se mais por coisas comezinhas sem serem reivindicativas, tornam-se passivas. As pessoas devem reclamar quando tem razão. Olhar para a televisão não muda o mundo, o importante é a relação com os que estão à minha volta. Por vezes as pessoas interessam-se por Timor – e muito bem – mas esquecem-se dos seus vizinhos dos seus familiares. As pessoas vivem perto umas das outras, mas estão cada vez mais sós, sobretudo os idosos. A vida não é só fazer dinheiro, mas ser solidário com os outros. Quando morremos não levamos nada.
Até porque o Teixeira ainda não faz caixões com bolsos...
Exacto. Numa sociedade individualista cada um pensa só para si, mas a vida não sou só eu. Só lembrarmo-nos do sofrimento dos outros quando estamos na mesma situação. Quem vive nos apartamentos sente uma grande desumanização. O meu pai costuma dizer que a nossa família são os nossos vizinhos, devemos criar boas relações porque são eles que nos acodem quando estamos aflitos. Temos potencial para fazermos um mundo melhor, mas isso tem que começar para nós. O fundamental é cimentar boas relações inter-pessoais porque é aí que encontramos Deus. Deus não é um conceito vazio que aprendemos na catequese; Deus é relação, é amor pelos outros. M.C./V.L.
Bom, espero que tenhais gostado. A mim fez-me bem reler esta minha entrevista, pois ajudou-me a contextualizar o que estou viuvendo actualemente. Ou seja, acredito ser importante de vez em quando pararmos e analisarmos o modo como estamos levando a vida. E creio que um dos melhores metodos e' o de recordar as nossas conviccoes pessoais e ver ate' que ponto estamos ou nao sendo fieis a nos proprios.
Bom, termino com umas fotos divertidas, pois a vida nao e' so' feitqa de coisas serias... A primeira pode ser chamada de "Os 3 tenores", enquanto que a 2a expressa o que sinto neste preciso momento: uma enorme vontade de matar a minha sede!!! E' isso que vou fazer...
Ficai bem e ate' mais logo.
Anyong!

Recordando o passado (1)

Sabado, 5 agosto , 10.45h
Anyong, pessoal!!!
Mamma mia, nao imaginais a humudade e calor que faz por estas bandas!!! Nao paro de suar e mesmo com a ventoinha" nas trombas", o suor nao para!!!
Bom, faz dias que nao escrevo nada porque tenho andado deveras ocupado. Como hoje e' abado e tenho ja' o material do proximo numero da revista todo preparado, aproveito para fazer outras coisas; comprei ontem 3 t-shirts brancas, nas quais irei desenhar... tatuagens! Como nao da' para as ter no corpo, coloco-as na roupa; fiz ja' um teste e nao saiu muito bem, por isso espero ter aprendido algo com os erros cometidos... A ver vamos!
Bom, na verdade ontem `a noite tentei olocar algo aqui no blog, mas depois de tudo prontinho... a porcaria dos tipos do blog disseram haverem problemas tecnicos. Assim, tento colocar hoje; enquanto navegava na net procurando fotos para a revista , encontrei uma foto minha... de mim proprio, no Google (Alvaro Pacheco): foi tirada por um jovem da minha terra, o qul me fez uma entrevista em 2002 para o jornal comunista "A Farpa". Foi otimo rever o que lhe disse, pois falo das minhas motivacoes missionarias e de mais coisas... Assim, vou coloca-la aqui, mas em duas partes, pois como sou "fala-barato" a entrevista resultou enorme.
Colocarei tambem a foto que acompanhou o texto na segunda prte do mesmo. Mais logo falar-vos-ei do que fiz durante esta semana passada.
Aqui vai a primeira parte:
Entrevista ao Padre Álvaro Pacheco"A vida é uma missão"
Entre tantos afazeres e compromissos durante as suas férias na nossa terra, o Padre Álvaro Pacheco ainda teve tempo de conversar connosco sobre, entre outros assuntos, a sua experiência de padre missionário na Coreia do Sul e a sua opinião sobre a nossa terra no que diz respeito à evolução material e às mentalidades. Ficou-nos a impressão de um padre aberto aos problemas do mundo, com forte sentido prático e crítico, nomeadamente, em relação ao capitalismo e à globalização. Perfeitamente ciente que a sua acção é de primaz importância, o padre Álvaro alerta para a necessidade de voltar à dimensão espiritual como forma de diminuir a importância dada aos valores materiais vigentes na sociedade contemporânea.
A FARPA - Quando é que percebeu que queria ser padre missionário?
Álvaro Pacheco – Desde pequeno que tinha uma inclinação para tudo que era diferente, gostava muito, por exemplo, de ver programas que falavam de outras culturas, doutros povos, Além disso, fui educado numa família religiosa.A minha mãe era zeladora da Consolata, e os missionários para mim eram aqueles que deixavam a terra – gostava muita desta ideia. Não gostava de ficar sempre em Lordelo, via o pessoal que estava sempre com as mesmas pessoas, com as mesmas coisas, e eu coisa que não gosto é monotonia, gostava de ser missionário ou free-lancer de fotografia, ou futebolista (tinha algum jeito para a bola). Quando vieram ao Ciclo um padre e uma irmã para falar do trabalho dos missionários, antes de eu pensar se queria ir para ali ou para acolá, eu pensava na possibilidade de ir para o seminário para conhecer malta de outras terras, e depois decidir o que realmente eu gostaria de fazer. Ir para Ermesinde, sair de casa na altura, era para mim sinónimo de borga. O ser padre veio mais tarde.Jogávamos futebol todos os dias, conhecíamos malta de todos os lados com feitios muitos diferentes e eu adorava isso. Desde o início tive sempre inclinação para a diversidade, para conhecer coisas novas, fazer novas amizades para além do âmbito de Lordelo. Então quando tive a oportunidade, eu aproveitei-a. Fiz dois anos de estágio no Carnaval e no Verão na Consolata, em Ermesinde. Cheguei ao 7.º ano. Tinha duas possibilidades: uma, era jogar nos Iniciados de Paços de Ferreira – porque eu tinha feito testes e tinha sido chamado – e outra era ir para o seminário. O meu pai disse para escolher uma. Eu optei por Ermesinde (seminário); pois ficava mais longe do que Paços de Ferreira.Fui também devido à minha concepção de vida. Para mim a vida é um dom que Deus nos deu, um dom que deve ser partilhado. Pensava que indo para terras diferentes podia desenvolver este dom de uma maneira receptiva, na medida em que, Deus nos dava muita coisa. Mas também activa, na medida em que eu podia ajudar os outros. Depois também a ideia de fazer da minha vida um serviço aos outros me agradava muito. Via o casamento como uma coisa muito estática. Se eu casasse tinha que ser com uma pessoa que fosse aventureira, que quisesse sair para outros sítios; aqui em Lordelo não há muita gente com estas características. Então optei pela vida de missionário; fui avançando nos estudos. Quando eu tinha 17/18 anos tomei a minha primeira grande decisão: ir para Itália. Acabei os estudos de Filosofia em Lisboa. Ir para Itália era o passo seguinte. Fui progredindo até chegar ao sacerdócio. Foi com uma mistura da paixão pelo novo e com as experiências acumuladas que decidi que era a vida de missionário que me ia realizar como pessoa. E até agora é o que tem acontecido.
O que significa ser padre missionário?
Nunca tive vocação para ser padre de paróquia porque não gosto de estar no mesmo sítio por muito tempo; temos que aturar as pessoas que são, muitas vezes, conflituosas – é uma situação que a mim não me agrada. O padre missionário tem que ter um espírito de disponibilidade. O padre de paróquia, às vezes, não tem porque está dentro de uma terra. Mudar de país implica muita coisa. Eu não sou só português, sou um ser deste mundo que é capaz de se integrar numa cultura porque o estilo da minha vocação leva a isso. Tenho, também, certas qualidades que me permitem ser capaz de chegar a um país e me integrar porque tenho força de vontade e desejo de conhecer, de experimentar coisas novas.Depois há um sentido diferente de responsabilidade. É claro que um padre de paróquia tem muitas responsabilidades; mas nós temos algumas responsabilidades diferentes, por exemplo aprender uma língua nova – no meu caso o coreano -; aprender uma cultura diferente. Assim, um padre missionário tem que encarar a vida como um conjunto de novos começos. O padre de paróquia começa e acaba no mesmo país, o missionário tem ser capaz de se adaptar, e saber que começa algo hoje, e amanhã começa algo diferente. E também saber que a sua vida está ao serviço dos outros. Não faço aquilo que me apetece. Agora estou na Coreia há 6 anos. Sei que vou ter que ficar mais alguns anos e, eventualmente, se me disserem “agora vais para outro lado”, eu vou.
A Igreja Católica na Coreia do Sul, terra onde é minoritária, tem conseguido os seus objectivos e granjear o respeito da população?
A Coreia do Sul é o primeiro país para onde eu fui, não tenho nenhuma experiência anterior à minha ordenação. Na Coreia do Sul a Igreja Católica é minoritária. Porém tem uma posição bastante positiva dentro da sociedade coreana. Sobretudo nos anos 60/70, teve muito ligada à questão dos direitos dos trabalhadores, da justiça e da solidariedade social. A Igreja Católica tem uma boa imagem. O mesmo não acontece com algumas fracções da Igreja Protestante, há algum fundamentalismo. O povo coreano, seja qual for a religião, é muito religioso. Infelizmente, nestes últimos tempos, devido à globalização, ao capitalismo, a dimensão religiosa e espiritual tem sido relegada para segundo plano. Na Coreia há necessidade de um revitalismo espiritual; a Igreja Católica tem tido um certo crescimento devido à boa imagem que já tem, mas também devido aos exemplos que os próprios católicos conseguem dar. Por outro lado, a nível de cúpula, a Igreja Católica tem consciência que está num país onde é minoria, não está a pregar como se tivesse sempre razão, como se os outros fossem filhos do Diabo. Chegando ali, encontramos gentes de outras religiões: monges, pastores, protestantes, budistas coreanos, xamanistas (religiões naturais e locais). A Igreja Católica faz parte, digamos, de uma coligação de religiões que são muito críticas em relação ao Governo, seja ele qual for, nas matérias de solidariedade social, dos direitos do trabalho e da paz, devido ao problema com a Coreia do Norte. A nossa Igreja tem um papel activo; tenta incutir à sociedade que não é só o material que conta, tem o papel de dizer que precisamos de Deus mas não no sentido de dizer que os católicos é que tem razão. O que importa é ver o que temos em comum com outras religiões. Temos, antes de tudo, a defesa da dignidade humana, nos aspectos da paz, da justiça, da solidariedade numa sociedade que deixa de lado os mais pobres, os mais idosos... O importante é ver o que podemos fazer juntos para melhorar a sociedade. Como missionários da Consolata estamos envolvidos em certos grupos... Há todos os anos um campo de férias inter-religioso onde temos a possibilidade de ter experiências com pessoas de outras religiões trocando impressões e vivências espirituais. A nossa atitude é apresentar aquilo que somos, a nossa riqueza sem imposição, numa abertura ao diferente. O ideal para todas as religiões é a melhoria da condição humana, sobretudo a nível social porque na Coreia houve bastantes mudanças nos últimos anos que provocou um grande relativismo a nível dos valores, a nível da espiritualidade. Nós tentamos ajudar as pessoas a terem consciência que precisamos de Deus, tentar encontrar Deus no dia-a-dia porque temos a ideia, muitas vezes, que Deus está num plano muito acima de nós. Ora, Deus está no meio de nós. As pessoas devem ter essa vivência ajudando o próximo. A Igreja ajuda os católicos coreanos a colaborar na reivindicação dos seus direitos. Ainda há pouco tempo, antes de vir de férias, foi lá um leigo à minha paróquia agradecer por termos participado nas manifestações contra os americanos devido a umas bases militares que estão em terras coreanas das quais os americanos se apropriaram aquando da guerra das Coreias. Não querem sair de lá; os católicos consideram isso injusto e participaram nas manifestações. Foi o nosso contributo para dizer que estamos preocupados com o nosso povo.

Sunday, July 30, 2006

Tou todo "picanhado"...



Domingo, 30 Julho 06

Anyong!!!

Antes de mais, explico-vos as fotos no fim deste texto, ok?
Bom, como dizem os italianos, “mamma mia, che mangiata, ragazzi!” Que traduzindo significa “minha mãe, que comezaina, pessoal!” Sim, escrevo estas linhas às 11.25h da noite e com o estômago ainda cheio de carne de vaca. É que esta manhã, após me levantar e ter celebrado a missa com as freirinhas colombianas capuchinhas aqui em casa, fui para casa da Maria Joelma, brazuca casada com um simpático coreano. Cheguei lá e estavam já outros brazucas, enquanto que os restantes foram chegando mais tarde. Ela convidou-me ontem para ir almoçar a casa dela com outros amigos. Dado que hoje não tinha trabalho extra, é claro que fui “correndo”. E que tinha pró almoço? Uma carne de vaca deliciosa, chamada pelos brazucas de picanha; um jovem que é cozinheiro num restaurante brasileiro, foi o chefe” trouxe um nacão (naco grande… não, mega! É que a carne sobrou ainda para a noite!) de carne, preparou-a, cortou-a e cozinhou-a para nós… e para ele, pois claro!
“Mamma mia, che mangiata!” A Joelma tinha preparado arroz e feijão, claro, não é tão bom quanto a nossa feijoada, mas estava muito bom na mesma. Conversámos também bastante; mais tarde chegaram 2 pastores de uma igreja protestante: um deles trabalha nas Filipinas faz 3 meses (tem com ele a mulher e 2 filhos, mas não o acompanharam nesta viagem à Coreia), enquanto que o outro veio do Brasil. Estão cá faz uma semana e estão tentando arranjar contactos para uma futura abertura de uma sede da igreja deles. Claro que não os posso ajudar, pois não sou protestante (no nosso caso, temos as dioceses para a questão de autorizações, papeladas, burocracias, etc.), mas indiquei-lhes 2 modos de conseguirem ajuda: ou através da embaixada ou contactando um pastor protestante estrangeiro que trabalhe aqui. Não sei o que farão nem como farão, mas terão de se desenrascar.
Sim, fiquei até às 9.15h da noite, pois comemos também o resto da carne que sobrou do almoço. São todos muito boa gente, simpáticos e malta porreira; dado que não há quase nenhum tuga, aproveito e desforro-me com os brazucas. Na próxima semana estamos planeando ir para uma ilha aqui perto passear a noite de sábado para domingo e fazer a missa antes de regressar; parece que haverá outro churrasco, tanto pra variar.
Pois é, com estas comezainas, o regime vai-se… Terei de entrar em regime duro no regresso da Mongólia, pois esta semana será também de algumas comezainas e visitas a vários amigos, como tal tempo pra desporto será pouquíssimo. Bom, como podeis ver, a missão nem sempre é difícil. E também não pode ser, pois mesmo Cristo passava tempo com a malta, gozando a amizade que o unia a tanta gente.

Amanhã será um dia muito diferente, pois teremos missa de manhã com alguns dos nossos benfeitores; é a missa do encontro mensal que temos com eles, encontro que é também de preparação para a peregrinação do ano que vem. Para tal, virá também um padre carmelita coreano (que irei buscar de manhã à casa deles, não longe daqui), o qual fará uma primeira conferência sobre São João da Cruz, um dos mais famosos e importantes santos espanhóis. A segunda conferência terá lugar em Setembro.
Mas amanhã ou depois dir-vos-ei mais coisas, ok?
Vou nanar, pois estou cansado. É, boa vida também cansa. Ahahahahah
Espero que estejais bem. Agosto está à porta e para quem poder gozar de ferias, os meus votos de que sejam óptimas e relaxadas.
Permanecemos unidos na amizade e na oração recíproca
Vosso mano

Anyong!

P.S. As fotos foram tiradas em Maio, na missa campal que fiz com os brazucas num parque em Seúl, ao lado do rio Han; a primeira e' da missa; na segunda estou com a Maria Joelma, enquanto que na outra estão alguns dos que mais regularmente participam na missa.

Thursday, July 27, 2006

Num dia de verao.... chuvoso



5a feira, 27 Julho 06 (parte 3)

Anyong de novo!
Começo com um aviso técnico: as fotos que colocarei não estão relacionadas com o texto, por isso no fim deste dar-vos-ei a explicação de cada uma. Bom, enquanto vos escrevo oiço não só o impecável novo CD dos Depeche Mode (uma das minhas bandas preferidas), intitulado Playing the Angel, como também a chuva que não tem parado de cair. Sim, este é o tempo dela, por isso não me posso queixar; quem se queixa são os que sofreram com as inundações, perdas de propriedade e, em certos casos mais graves, de familiares, não só aqui na Coreia, como em outros países desta Ásia Oriental: China, Japão, Taiwan, Indonésia… Se bem que as chuvas de monção sejam uma ocorrência anual, o clima tem-se deteriorado também por estas bandas do planeta, tanto que as famosas 4 estações estão cada vez mais tornando-se coisa do passado. É, a natureza, quando atacada, responde da única maneira que conhece: naturalmente!
Falando em chuva, lembrei-me de uma anedota sobre 2 alentejanos. Diz um para o outro: “Compadre, vai chover!” Responde o outro: “Vai tu!”

Bom, ontem fui entrevistar um missionário Filipino para a nossa revista; um dos artigos da mesma é dedicado a missionários estrangeiros que trabalham aqui na Coreia; a ideia é apresentar aos nossos benfeitores outros missionário, provenientes dos quatro cantos do mundo e dedicados às mais diversas actividades de evangelização e promoção humana. O de ontem é dos Missionários do Verbo Divino, está na Coreia há quase 20 anos e trabalhou desde sempre com emigrantes estrangeiros, sobretudo com filipinos. A maior parte destes emigrantes trabalha em situação de ilegalidade e, como tal, passam por experiências muito difíceis; porém, sujeitam-se a quase tudo para ganhar algo que no país dele é uma fortuna. Actualmente, o padre Eugénio está envolvido com uma casa de apoio a crianças de famílias estrangeiras em que o casal, trabalhando, necessita de um lugar onde deixar os filhos bebés ou crianças pequeninas. Actualmente, a casa que visitei acolhe 10 crianças; há também um centro de apoio (de vários tipos e serviços) aos emigrantes; o padre Eugénio faz também, serviço religioso com os emigrantes católicos, sobretudo Filipinos e Nigerianos. É um serviço fundamental e precioso; gostei muito desta experiência.
Voltei depois para casa e após uma sesta merecida, fui passear com uma cara amiga, a qual desabafou comigo sobre problemas na paróquia onde é secretária; é a mesma paróquia onde estive um ano e, como tal, somos bons amigos. Fomos até uma zona de praias (mas nada comparadas com as nossas praias, sobretudo do Algarve e arredores!) e, embora estivesse o céu carregado de nuvens prontas a descarregarem toneladas de água, pudemos dar um passeio ao longo da praia antes que o dilúvio iniciasse. Jantámos depois ali perto e tornámos a casa.
É, sei bem como harmonizar trabalho e lazer; de facto, costumo aproveitar as 4as feiras para encontrar amigos, pois não sou dos que gostam de estar sempre em casa. Felizmente, o tipo de trabalho que faço oferece-me a possibilidade de sair bastante e até de dar uns bons passeios uma vez por outra, seja para entrevistar alguém ou para um fim-de-semana missionário numa qualquer paróquia. De facto, em Setembro e Outubro farei 2 no sul da Coreia, um em cada ponta da mesma.

Quanto a hoje, passei a manhã fora de casa, apesar do dilúvio que começou de madrugada. Fui com um colega meu fazer algo que se faz só na Coreia e que é um modo legal de roubar dinheiro aos estrangeiros!!! Ou seja, fui pedir o carimbo no passaporte que me permite reentrar na Coreia após uma saída ao estrangeiro… neste caso, à Mongólia. E, claro está, paga-se bem caro! Enfim… Depois, fomos às compras ao Carrefour. Sim, também há Cerrefour aqui na Coreia, se bem que desde há uns meses a esta parte não seja mais francesa, mas coreana; vou lá de vez em quando, pois tem certos produtos europeus que só se encontram ali… tipo Nutella (chocolate para barrar; é um hábito que ganhei na Itália), lasanha, etc. Dado que o meu colega italiano está na outra comunidade (onde estive 3 anos até Setembro do ano passado), fui buscá-lo e levá-lo a casa… e aproveitei para almoçar com os meus 3 colegas que lá estão (os quais vereis numa das fotos que tentarei colocar nesta mensagem). Voltei depois para casa e fiz uma mega sesta, pois quando o tempo está de chuva a “morrinha” é muito maior!!!
E assim vou vivendo esta minha missão, ora com a revista, ora com outras coisas e pessoas. Confesso, porém, estar um pouco cansado, pois afinal 10a nos são tantos. É por isso que espero também com certa ânsia o curso de renovação, que dura 3 meses, para missionários jovens (com cerca de 10 anos de ordenação ou de profissão religiosa, no caso dos irmãos e irmãs). Parece que o organizarão o ano que vem, certamente na Itália (mas nada – data e local - está ainda confirmada) e, como tal, este vosso mano será um dos participantes. Mas… como isso é só para o ano que vem e Julho deste ano ainda não acabou, prefiro concentra-me no momento presente.
E falando em momento presente, é quase tempo de ver as notícias do dia. Colocarei as fotos (esperando conseguir) e mais tarde continuarei este meu “diário made in Internet”.
Espero-vos todos bem e desejo-vos felicidade
Unidos na amizade e oração recíproca ...

Quase me esquecia (e', tou a ficar velhote!!! eheheheh): aqui vai a legendagem das fotos.

1. Visita com nosso vice-superior geral (primeiro `a esq) e com o superior da Mongolia (terceiro) e 2 colegas meus ao templo de Pulguk, o mais famoso na Coreia. Este passeio ocorreu no fim do passado mes de maio .

2. Uma beleza coreana encontrada enquanto nesse passeio visitavamos um outro templo budista.

3. Um dos palacetes de um parque reconstruido: era um dos mais famosos parques de recreio dos imperadores coreanos nesta zona do sudeste coreano, zona da cpital do reino de Shilla (faz uns seculos que foi capital a cidade de Kyongju), onde estao os locais destas 3 primeiras fotos.

4. Nossa comunidade (falta um colombiano, que na altura estava de ferias) com o vice-geral e o superior da Mongolia. Ajoelhados, esq. para dir: Pedro Louro (tuga), Stefano Camerlengo (vice-superior geral, italiano), Jair (colombiano), Ciril (congoles) e Eugenio (espanholito). Em pe: Peter (Kenya), Giampalo (Italia), Tamrat (Etiopia), vosso mano (eu), Ernesto Viscardi (superior da Mongolia) e Diego, nosso superior aqui na Coreia.


Anyong!

Tuesday, July 25, 2006

Suspirando pelas férias (fotos)






5a feira, 27 Julho 06 - parte 2

Anyong de novo!
Pois e', espero que as fotos me saiam bem agora... Comeco a uma foto com as capas da nossa revista de Maio-Junho e Julho-Agosto.

A segunda fi=la na noite do jogo Coreia-Franca: fui ate' Seul, `a enorme praca diante da Camara Minicipal... onde se encontravam milhares de coreanos e dezenas de estranjeiros. Fioz esta foto com alguns deles e... apos uma volta para mais fotos, decidi voltar a csa, pois nao havia, literalmente, espaco para poder disfrutar do jogo com o minimo de condicoes. Nunca tinh visto um multidao tao grande de gente (ao vivo, claro). Foi uma experiencia breve, mas incrivel!!! Nao sei se voces viram algumas imagens na tv tuga obre estas mnifestacoes dos adeptos coreano, mas a verdade e' que foram famosos em todo o mundo. Imaginai que vieram turistas de varios paises de proposito `a Coreia simplesmente para participarem nestas festas de rua; infelizment, foi "sol de pouca dura", pois os coreanos merecim ter ido um pouco mais longe, obretudo porque tinham em casa e em varios paises a melhor claque do mundo!!! Disto nao tem qualquer duvida.
A terceira e a quarta sao a prova do que disse agor mesmo...A miuda da 3a ate' e' gira, nao e'? E pra quem so' estava a vender agua, estava toda "aperaltada" (esta palavra ainda se usa???) Pela 4a, podem ver que o pessoal ocupava o espaco disponivel sem deixar lugar pra mais gente. Foi incrivel mesmo.

Bom, e' 5a feira e temos um dia de chuva incessante aqui na Coreia... como tem sido os dias nteriores, se bem que na nossa zona a chuva nao tenha feito estragos... ate' agora. Os estragos tem acontecido noutras zonas da Coreia, bem como por toda a Asia Oriental, sobretudo na China onde morreram mais de 600 pessoas. Como tal, convido-vos a rezarem ca' pela gente, pois de ca' rezamos tambem por voces que estao suportando temperaturas elevadissimas, certo? Bom, mais tarde escreveri outra mensagem, ok?

Fiquem bem e ate mais logo.

Anyong!!!

Suspirando pelas férias



3a feira, 25 Julho 06

Anyong!
Acabei de jantar e antes de ver as notícias, quero escrever hoje um pouco mais cedo, pois não quero repetir a dose de ontem: dado que vos escrevi até tarde, acabei por ter uma dor de cabeça que me despertou às 3.30h da manhã! Assim, tomei um comprimido e retomei o sono; felizmente, dado que não tinha missa de manhã, pude dormir até mais tarde. A dor foi-se em pouco tempo; creio que não estava somente associada ao facto de ter estado na net até tarde, mas também porque estou terminando os textos da revista e, como tal, costume ter uma dorzita cada 2 meses, pois é este o ritmo de saída da revista. E, chamo isto de "acumulacao de cansaco".
Bom, consultei esta manhã um guia da Coreia e encontrei os nomes do templo e do Buda deitado, dos quais vos falei ontem. Assim, o templo chama-se Aujong e pertence ao budismo do Nirvana (uma das muitas correntes do Budismo). Quanto à estátua do Buda deitado, chama-se Wabul, tem 3m de altura por 12 de comprimento e, sendo esculpida num só tronco de árvore, é verdadeiramente notável… tanto que está no livro do Guiness como senso a estátua do Buda deitado maior do mundo! Deixo-vos mais duas fotos que fiz lá…

Esta 3a feira foi, até agora, bastante preenchida; de manhã consegui finalmente escrever o editorial da revista (número de Setembro-Outubro), pois tenho andado sem inspiração para o escrever; socorri-me de um texto que me enviou uma amiga brasileira à tempos atrás. Na foto, estão os números de Maio-Junho e Julho-Agosto. As capas são dedicadas a povos vários deste nosso mundo, como forma de ajudar os coreanos a alargarem os horizontes e, ao mesmo tempo, a visão que têm sobre o mundo e outros povos e culturas. De facto, este é um dos objectivos da nossa revista missionária. Preparei depois a aula de estudo bíblico, a qual teve lugar às 2h da tarde!!! Sim, uma hora nada propícia para estudos (sejam eles quais forem), mas infelizmente não é possível fazê-lo a outra hora. Terminei hoje a meditação do tema “Bíblia e Eucaristia”. Desenvolvi-o em 3 sessões de uma hora cada e… ainda bem que a próxima sessão só acontecerá em Setembro, se Deus quiser. Sim, dado que iremos de ferias à Mongólia, em Agosto não haverá estudo da bíblia. Faz anos que o levamos por diante; eu comecei a fazê-lo há alguns anos e desde Junho deste ano o meu colega tuga, Pedro Louro, tem feito comigo: fazemos um tema cada um até ao final deste ano. Veremos depois como fazer no próximo ano, mas por agora fazemos o estudo por temas: ele fez “Bíblia e Maria” e eu este da Eucaristia; em Setembro retomarei com o tema da confissão e assim por diante. Fazemos um tema por mês, mas na última 3ª feira do mês não há, pois cada última 2a feira do mês é dedicada ao encontro do benfeitores, o qual tem por tema a preparação da peregrinação a Espanha e Portugal do próximo ano. Esta preparação consiste no estudo de vários santos espanhóis, pois quando formos a Espanha iremos visitar precisamente os locais a eles associados… e como Portugal fica mesmo ali ao lado, daremos um salto a Fátima e Lisboa. Falando em saltos, daremos também um a Lourdes, pois também fica ali ao lado, do outro lado. Na próxima 2ª feira, 31, o santo que será abordado é São João da Cruz e virá apresentá-lo um padre coreano dos Carmelitanos. Cada santo é apresentado em duas sessões de uma hora cada, por isso é uma coisa simples mas que ajuda a ter uma ideia da vida e espiritualidade de cada um.
O objectivo desta formação é, claro, a de ajudar os nossos benfeitores a enriquecerem-se com a experiência que os santos fizeram e, claro está, fazer da peregrinação não só um passeio turista, mas sobretudo uma forte e profunda experiência de fé. Esta peregrinação está programada para a segunda metade de Maio de 2007 e irei eu a acompanhar o grupo; não sabemos ainda quantos irão, mas serão ou 30 ou 45. A ver vamos, pois irá quem tiver participado activa e regularmente nos encontros de formação.

Contava ir fazer um pouco de exercício físico depois do curso bíblico, mas a humidade que se faz sentir é muito alta; assim, fá-lo-ei depois de ver as notícias das 9h da noite. É estou a precisar de retomar o exercício, pois andar ocupado não é desculpa… e eu sou óptimo a inventar desculpas! Preciso de abater um pouco, senão na Mongólia quando montar a cavalo o bicho ficará de rastos, até porque são de estatura pequena… tipo póneis. Vai ser giro, vai. Coitado do animal que me calhar em sorte!!! Poderei é fazer luta mongola, uma espécie de sumo local. eheheheh De facto, o nosso colega Ernesto, superior dos nossos missionários que trabalham na Mongólia, vendo o meu peso e medida, disse que eu servia era para isso mesmo!
É sim, estou suspirando pelas ferias, pois ando cansado e a precisar mesmo de um intervalo. Mudar de ambiente, encontrar outras pessoas, outras realidades será óptimo, sem dúvida. E logo para mim que adoro viajar. Mas, certo, esta visita à Mongólia não será só para prazer: faremos um retiro de 5 dias, orientado por um teólogo que virá de Roma; partilharemos e analisaremos também as nossas experiências de missão, as quais são muito diferentes. Basta pensar que a Igreja Católica chegou à Mongólia somente à 14 anos atrás e, como tal, está tudo ainda por fazer. Os fiéis são cerca de 250, há uma só paróquia (cujo pároco é coreano) e os nossos missionários estão também colaborando em várias actividades de preparação (de livros, liturgia, etc), instrução e animação religiosa e missionária das pessoas. Enfim, será uma experiência muito interessante, estou certo. Visitaremos também partes da Mongólia, capital incluída, bem como o local onde os nossos colegas da Consolata iniciarão uma nova presença missionária.

Bom, basta por hoje. Colocarei as fotos para ilustrar o texto. Como sabeis, a fotografia é dos meus passatempos preferidos e, assim, com este blog posso partilhar algumas das minhas melhores fotos com todos vós. Agradeço a duas caras amigas que me enviaram as suas impressões sobre este meu blog. Bem hajam e continuem; quanto aos demais amigos, o convite continua no ar…
Ficai bem, ficai com o nosso Amigão
Até mais logo.

P.S. Infelizmente, nao consigo carregar e inserir as fotos; nao sei o que se passa, mas tentarei e esperarei que ao menos esata "porcaria" de computador me faca a insercao do texto. Para as fotos, verei se consigo coloca-las amanha, ok?


Anyong!

Monday, July 24, 2006

Visita ao Buda deitado

Yokkok, 24 julho 06

Anyong!
Antes que me esqueca, so' um conselho para que possais tirar partido das fotos que coloco aqui: basta carregar em cima delas para se obter uma visao do tamanho original.
Bom, apos um fim-de-semana bastante cansativo, eis que hoje passei um dia bem relaxado com os meus colegas. Sim, visitamos um Buda famoso por ser enorme e estar deitado, mas ja' la' vou. Hoje coloco fotos em que saio tambem, para que me vejais. Comeco por uma que tirei com as minhas amigas freirinhas de Paran, das quais vos falei antes. Aqui vai ela...

Apos as ter deixado, passei na sede da nossa diocese para comprar vinho de missa; fui depois `a paroquia onde iniciei o servico de ajudar aos fins-de-semana, em setembro de 1997. Chama-se Pupyong 2 Dong e fui la' porque esta' de ferias um jovem padre missionario do Verbo Divino. Conheci-o em 1998, quando era ainda seminarista; trabalha faz quase 4 anos na Papua Nova Guine, mas antes de ser ordenado tinha ja' la' trabalhado 2 anos (experiencia de missao). Assim, falou-me da sua experiencia, nada facil, mas muito fascinante. Trabalha como paroco e a maior parte dos parroquianos sao indigenas. Esta entrevista saira' no ultimo numero deste ano da nossa revista. Apos o trabalho... veio o prazer: uma senhora da paroquia convidou-nos para um otimo almoco, juntamente com a secretaria. Comi que nem um abade e meio, tanto que depois a janta... nao foi janta, mas um snack. Vim a casa e descansei um pouco antes de sair para a paroquia de Ilshing Dong, onde celebrei a missa das 7h; antes de regressar a casa, encontrei uma amiga e fa com quem falei bastante; gostei imenso, pois e' uma oportunidade de conhecer alguem mais profundamente e de condividir o dom da amizade. Trocr experiencias, dar e receber conselhos e encontrar Deus nestas relacoes de amizade e' um dos elementos que mais me fascina neste meu ser missionario. Sim, tambem aqui na Coreia tenho a possibilidade de me dar e de receber Deus atraves de pessoas simplesmente INCRIVEIS!!!

Bom, ontem de manha cedissimo, 5.30h da madrugada, sai de novo para Ilshing Dong: fiz a missa das 6.30h (infelizmente, os coreanos gostam de madrugar!!!), bem como a das 7h da tarde; a principal, `as 10.30h, celebrou-a o paroco, mas eu fiz a homilia. Nesta, falo sempre da missao de Cristo, que depois se torna missao dos discipulos e da Igreja, ate' chegar a falar da missao de cada cristao como discipulo e missionario. Termino depois falando do nosso Instituto, tambem do que fazemos aqui na Coreia e apresento a revista, pois a cada fiel damos um exemplar quando entram na igreja, juntamente com a folhinha da missa. Tento convence-los a tornarem-se nossos colaboradores e benfeitores e, ate hoje, a media tem sido muito boa. Claro, depende tambem do numero de fieis e do tamanho da paroquia; mas ser estrangeiro e' uma vantagem e, claro, um mensagem diferente, uma voz fdiferente e um estilo diferente sao sempre bem-vindos pelos fieis. Mas nesta paroquia apanhei um susto: na missa de sabado `a tarde... so' uma pessoa se registou!!! Como no domingo haveriam so' 3 missas e nao 4 como em quase todas as paroquias, receei fazer poucas assinaturas. Mas ao fim do dia agradeci o nosso Buddy Jesus, pois la' me ajudou a conseguir 51 novos benfeitores!!! E', deixei faz tempo de confiar nas minhas forcas e de deixar que seja Ele a fazer o trabalho: eu sou apenas um instrumento nas suas maos! E, claro, os resultados sao muito melhores! No almoco de ontem, outra comezaina mega: convidou-nos, a mim, ao paroco e a um semina nosso, o responsavel leigo da paroquia.
Como e' cansativo fazer estes fins-de-semana missionarios (sobretudo porque repetir a mesma homilia 4 ou 5 veses e' muito puxado, pois e' sempre em coreano!!!), geralmente chego a casa arrebentado e no dia seguinte descanso bastante. Felizmente, o proximo sera' no ultimo fim-de-semana de agosto, apos a nossa visita `a Mongolia.
Mas hoje nao deu pra descansar muito pois tive missa na capela das irmas do hospital da Sagrada Familia aqui perto de nos... `as 6.25h da madrugada!!! E como ontem `a noite vi um filme ate' `a meia noite, podeis imaginar os meus olhos e expressao facial pela manha... eheheheheh Sim, sei que deveria dormir cedo, mas como goste de cinema e nao e' que veja muitos filmes ultimamente, la' disfrutei do filme "Aliens 4". Fazemos esta missa todas as 2as feiras, um `a vez... e hoje tocou a mim! Felizmente, a missa e' "seca", ou seja, sem homilia, pois as freirinhas trabalham no hospital e no lar de idosos e, como tal, nao tem tempo a perder.

Mas depois voltei para casa e dormi mais um pouco; sai depois com alguns colegas meus para a zona de Yongin (fica a sul de Seul, a 2 horas daqui), onde fomos visitar um templo famoso pelo Buda recostado e por um cabeca mega de Buda; nao me lembro do nome, mas fiz varias fotos e aqui vao algumas delas. Tambem fiz algumas a flores, um dos meus passatempos favoritos... Espero que gosteis. A primeira foto foi tirada `a porta do restaurante onde almocamos, antes de visitar o templo. Estou com alguns colegas meus, incluindo o outro tuga, Pedro Louro (3a a contar da esq.a). `A entrada do espaco do templo, ha' uma cabeca enorme de um Buda (ver foto), com um pequeno lago `a frente.
No pavilhao central deste templo, existe uma exposicao com varias estatuas de Buda recolhidas em varios paises ( foto em que estou `a frente de uma entrada). Foi muito bom, pois era um templo diferente do habitual, ate' porque o ramo do Budismo ao qual o templo pertence nao e' o da ordem de Choghye, a principal e maior ordem do budismo na Coreia. Numa gruta, encontra-se o tal Buda deitado; pensava que seria maior, mas depois que um colega meu disse que a estatua era de uma so' peca, constatei que era de facto enorme... precisamente por ser de um tronco de arvore mega!!! Melhor, creio que era de madeira, pois nao cheguei a toca-lo.
A razao do passeio de hoje tem a ver com o facto de que sempre que um mes tem 5 2as feiras, aproveitamos para um passeio por perto, de modo a relaxar e a gozarmos da companhia uns dos outros num ambiente diferente do habitual, mais relaxado. Fazem muito bem, sem duvida. Regressamos depois a casa e `a tardinha fizemo um churassquito na nossa comunidade dedicada ao Dialogo com outras religioes, casa onde vivi nos passados 3 anos (antes das minhas ferias do ano passado). Regressei `a casa central, aqui em Yokkok, precisamente apos as ferias do ano paassado.
Bom, vou ento colocar algumas fotos aqui e vou descansar, pois amanha tenho curso de biblia com alguns benfeitores nossos... mas disto vos falarei amanha.
Espero que estejais todos bem. Como podeis ver, eu estou otimo e vivendo esta minha aventura asiatica com muito entusiasmo, se bem que por vezes cansado e "aborrecido" pela rotina... Mas isto pass-se com toda a gente, pois claro. Mas como todos se queixam e eu nao sou diferente... eheheheheh

Bom, deixo-vos com mais 2 fotos minhas : a da flor foi feita fora do restaurante de hoje. Nao sei o nome, mas como e' muito viva e colorida, nao podia deixar de a fotografar.

A segunda e' uma tentativa ou experimento, o qual saiu bastante bem. Como havia pouca luz dentro, estes candeeiros originais criavam um efeito muito impecavel, o qual pude registar com a maquina fotografica. Gosto imenso do contraste luz-escuro... Mais uma vez, espero que gosteis.

Certo, este meu blog-diario esta' disponivel a receber comentarios, observacoes ou outro tipo de reaccoes que me possam ajudar. Mais do que qualquer outro objectivo, quero estar mais junto de vos atraves da partilha do que vivo por ca; assim, ficais a conhecer-me melhor. O meu lema de vida e' precisamente baseado na PARTILHA. Sois pra mim "pecas fundamentais do meu puzzle da FELICIDADE" e, como tal, esta partilha e' tambem um modo simples e profundo de vos agradecer, do fundo do coracao, pela vossa presenca na minha vida.

Bom, vou entao ate' ao "vale dos lencois". Ficai bem, ficai com Deus e ate' mais. Um abracao deste vosso mano

ANYONG!!!

Friday, July 21, 2006

Bendito sou eu entre as mulheres

Paran, sabado 22 Julho, 00.10h

Caros amigos:
Ola'. Ou melhor... Anyong!!!
Pois e', entrei na net ontem, mas ja' e' sabado, ou seja, ta' na hora de ir nanar, pois as ovelhas estao ja' impacientes, `a espera de serem contadas. Mas como sou do signo Carneiro, nao se irao embora... sem mim!!! eheheheh
Bom, o porque do titulo desta partilha tem a ver com o facto de ontem, 6a feira 21, ter passado o dia com freiras. Na 5a `a noite, recebi uma chamada de uma amiga freririnha, perguntando-me sobre o porque do meu longo silencio (fazia meses que nao comunicava) e, conversa daqui e dali, chegamos a combinar uma saida ontem de manha, para ir ao cinema e comer uma pizza. Mais: eu iria conhecer uma colega dela. E assim foi: dado que os textos do proximo numero da nossa revista estao quase todos prontos, pude ir desfrutar da amizade delas. Porem, o filme, coreano, deu-me um sono dos diabos, ate' porque nao consegui entender metade sequer (mas entendi quase tudo, pelo contexto); depois, um salto `a Pizza Hut para tachar e falar por quase duas horas. Ficou a promessa de as rever depois do regresso da Mongolia; dado que sao tambem religiosas missionarias, ficaram curiosas quando lhes disse que alguns de nos iriam visitar aquele pais; assim, depois terei de lhes mostrar as fotos. A freirinha minha conhecida `e dos tempos em que eu morava noutra comunidade e todas as 6a feiras ia fazer a missa em ingles (mas com homilia em coreano, pois elas dominavam pouco o ingles) com as novicas da congregacao delas. Assim, esta, Serafina, ficou amiga minha: encontrei-a varias vezes nos anos seguintes e ontem convidou uma colega sua, a qual e' tambem muito simpatica. Foi de facto, uma bela surpresa e um otimo encontro de amigos. E', o nosso Buddy nao para de me surpreender, pois nao estava nada `a espera de algo assim.
Este e' mais um dos motivos pelos quais nunca peco nada pra mim, so' para os outros, pois sei que Ele me concedera' muito mais do que eu poderia pedir. Votei depois para casa e tive so' tempo de me arranjar e sair de novo, nao de metro mas de carro, para vir para esta comunidade de freirinhas de onde vos escrevo. Ja' vos falei delas ontem, por isso so' vos digo que a pasta estava otima e que, ao contrario do que eu pensava, tive de confessar 4 das 6 presentes. E', dado que em agosto muitos vao de ferias, padrecos incluidos, aproveitaram a minha visit pra se reconciliarem com Deus.
Depois, vimos a divertida comedia "Fun with Dick and Jane", com o hilariante e um dos meus preferidos Jim Carrey. Como e' 6a feira e elas queriam desforra de videos, vimos um 2o, mas so' 3 resistiram ate' ao fim; era de lobisomens e vampiros, tambem um dos meus temas preferidos, caso nao saibais...
E prontes: antes de ir contar edespachar o gado queria escrever estas linhas e aconmpanha-las com esta foto que encontrei na net, pois adoro humor.
Espero que estejais todos bem; eu estou otimo, pois tal como Nossa Senhora... sou bendito entre as mulheres. Quanto ao fruto do "meu ventre", terei mais tarde pela frente um fim-de-semana missionario numa paroquia d nossa diocese, mas disso falar-vos-ei mais logo.
Um abracao e "anyong" (sim, usa-se no principio e no fim de um encontro entre pessoas, tal como o "Ciao" italiano).

Wednesday, July 19, 2006

Ao som dos ciganos

Ola, bom dia a todos, meus caros amigos.
Sim, estou escrevendo ao som das melhores cancoes dos Gipsy Kings,
um ritmo bem mexido e que alegra ainda mais este dia cheio de sol.
De facto, este dia amanheceu com um sol espectacular, o qual fez esquecer a chuva que tem cido incessantemente nos ultimos dias. De facto, a chuva, tipica desta epoca de chuvas de moncao, tem feito estragos enormes em muitas zonas da Corei, capital incluida. Morreram algumas pessoas e varias encontram-se ainda desaparecidas. Estai descansados, pois ca' em casa e arredores esta' tudo bem; nao sofremos qualquer transtorno, gracas a Deus. E que dizer da Indonesia, onde na ilha de Java um tsunami fez ja' mais de 300 mortos e espalhou dor, destruicao, desepero e dor? Tambem na China, Japao, India e outros paises da Asia as chuvas tem feito danos irreparaveis. Um tem necessariamente de se perguntar: "Mas... e porque?" Bom, nao creio que Deus seja chamado `a questao, pois ainda ontem lia que nao indonesia as autoridaddes ignoraram avisos relativos ao marmoto que causou este novo tsunami. E tanto se fala do famoso "efeito de estufa", mas a verdade e' que continuamos a destruir lentamente este nosso planeta e, claro esta', a natureza responde quando e' atacada!
Ao mesmo tempo, tudo isto me faz pensar no misterio da vida, bem como na sua fragilidade. Por isso, penso tambem no dever de viver a vida com mais empenho e zelo,
pois nao conhecemos o dia de amanha. Como tal, viver cada dia como um dom, como uma oportunidade mais para amar e ser amado, para me dar e partilhar com os outros e' nao so' um prazer, mas uma obrigacao! Assim, partilho convosco esta foto que fiz `a dias, durante um passeio num parque muito bonito, numa zona d Coreia que foi em tempos capital do reino de Pekje. Por vezes, basta para um pouco e olhar `a nossa volta para descobrir Deus que nos fala, por exemplo, atraves de uma simples flor. No meio de outras, uma flor perde-se e nao deixa de ser mais uma flor; mas quando ela e' observada e contemplada individualment, parece ganhar uma outra forma e beleza. Creio que isso se passa connosco mesmo: Deus ama-nos a cada um, tal como somos. Para ele, somos nao uma flor no meio de tntas, mas unicos, irrepetiveis. Creio que um dos desafios do amor e' precisamente este: de olhrmos o nosso amigo como unico, nao como "mais um". Esta e' uma das razoes deste meu blog, pois assim posso dar-me mais profundamente a cada um de voces.
Falando em parar, na semana passada estive no sudoeste da Coreia, na cidade de Pusan, por varios motivos: para fazer uma missa com benfeitores nossos daquela zona, para estar com um casal amigo meu (ela fala portugues, ele nao e tem 2 filhotes lindissimos, o rapaz com quase 3 anos e a bebe' com 1 ano e pouco) e para encontrar uns amigos brazileros, incluindo uma que conheci pela priomeira vez e que mora naquela cidade. Tambem proveitei para descansar um pouco e para parar, ou seja, para ver como tenho vivido eu estes ultimos tempos.
Destaco a reflexao que fiz no dia 14, pois nesse dia estava celebrando 10 anos de sacerdocio! Ou seja, fui ordenado padreco faz ja' 10 anos!!!
Mamma mia, como passa o tempo. Descobri-me nao so' mais velho e maduro, mas tambem mais amado pelo nosso Buddy (=Jesus), pois tem sido simplesmente impecavel para comigo.
Amo esta missao, amo este pais, tenho uma comunidade de colegas porreira, amigos incriveis e sinto-me bem, integrado neste contexto e com a possibilidade de fazer experiencias nao so' interessantes, como profundas de fe', de amizade, de partilha...
Amadurecer e' uma experiencia muito interessante, nao so' porque um avanca nos ano, mas porque vai descobrindo tantas coisas que nao estao escritas em livro algum. Nao, nao vos preocupeis que nao estou virando intelectual (como o gato desta foto ao lado - que encontrei na Internet e que adoro imenso, pois esta' o maximo, verdade?)
Foi isto mesmo que fiz ontem, apos a missa num convento de freirinhas (Irmas de Notre Dame): sao coreanas, mas uma vez por semana fazem a missa em ingles. Assim, e' tudo em ingles, excepto a homilia: faco-a em ingles e coreano, em simultaneo. Depois, janto sempre com elas, mas costumo faze-lo com as mais velhas; mas ontem as novicas convidaram-me para jantar com elas (sim, sao varias comunidades, mas na missa estao todas juntas) e adorei, pois sendo novicas e mais jovens, sao mais despertas, curiosas, atrevidas (no bom sentido, claro) e menos formais. Assim, fizeram-me bastantes perguntas e divertimo-nos bastante, pois por vezes respondia de modo inesperada para elas; e' que conhecendo a cultura e mentalidade deles, e' facil saber como "escandaliza-los" e "gozar com eles" (sempre no bom sentido). Sendo elastambem religiosas e missionarias, partilhei com elas elementos da minha experiencia, pois afinal ja' levo alguns anitos nestas andancas. Tambem na missa costumo ser relaxado, tentando criar um ambiente familiar, de amigos. E creio estar a consegui-lo, pois o convite para jantar com elas nasceu precisamente deste ambiente. Sabeis muito bem que sou alergico a formalismos e, como tal, creio ser esta uma das minhas "armas" masi eficazes tambem aqui na Coreia.
Continuando com freirinhas, amanha irei visitr uma outra congregacao, `as quais costumo fazer uma reflexao mensal para o retiro delas; mas como a vida nao e' so' rezar, costumo levar um ou 2 video para vermos juntos. Assim, sou guia espiritual e... ludico! eheheheeheh Quase todas falam italiano, pois estudaram na Italia e algumas sabem cozinhar spaghetti e outras delicias italianas; assim, estragam-me com mimos... ou melhor, deixo-me estragar, pois faz bem de vez em quando comer uma comidinha diferente. Nao que a a comida coreana nao seja boa, bem pelo contrario. Mas de vez em quando matar saudades e' otimo!!!
Mas, como vos dizia antes, o meu ser informal e por as pessoas `a vontade tem dado muitos bons frutos: um deles e' precisamente o facto de amanha ir visitar estas freirinhas... mesmo que nao haja retiro ( ou seja, este mes elas fazem-no individualmente), pois insistiram que eu fosse na mesma, seja para vermos mais um video, seja para estarmos juntos em ambiente de familia. E' que elas aproveitam tambem para desabafar de vez em quando comigo ou com outros colegas meus, pois somos mais acessiveis, no sentido em que com muitos padres coreanos, por causa do formalismo carateristio desta sociedade, nao e' facil estabelecer uma relacao de amizade, que ofereca a possibilidade de uma partilha de vida mais profunda. Ha' que ter em conta tambem o facto de quase todas terem vivido em Italia e, como tal, conhecerem a nossa cultura e mentalidade; como tal, sentem-se mais `a vontade connosco. Claro, tambem elas sao um pouco diferentes das freirinhas normais, precisamente por terem uma experiencia diferente; parece que nao, mas viver no estrangeiro oferece aos coreanos a possibilidade nao so' de conhecerem outras culturas e mentalidades, mas de se confrontarem com a sua propria cultura e de redimensionarem ou relativizaram certos aspectos da mesma.
Mas e' obvio que isto acontece tambem connosco, estrangeiros: chegamos ca' na Coreia e, contactando com as pessoas, vamos conhecendop outras formas de estar na vida, de pensar a vida e mesmo de nos relacionrmos com Deus, pois missionario nao e' so' aquele que da', mas que recebe. Sobretudo, e' aquele que recebe... Falando ainda sobre estas freirinhas: elas tem uma creche e, como tal, sempre que la' vou aproveito para estar com os miuditos, que sao lindos! `A uns anos tras, quando nao estava tao ocupado porque dominava menos a lingua, costuma la' ir todos os meses e ficava por 2 ou 3 dias, de modo a estar tambem com as criaturas mais lindas de Deus: estes miudito. Deixo-vos uma foto minha de uma destas criancas, que e' tambem uma das minhas preferidas. Elas sao, no meu ver, outra forma de apreciar o amor e a beleza de Deus.
Assim, sempre que tenho tempo aproveito para estar com elas e... ser crianca com elas. Antigamente, eu costuma levar uma t-shirt com a cara de um tigre; assim, alguns dos mais velhos que ainda se lembram dela chama-me "Sr Tigre".

Bom, acho que e' melhor eu ficar por aqui, senao ainda adormeceis! E como para nao adormcer faz sempre bem um cafe, vou tomar a minha bica, habito que criei desde o meu regresso `a Coreia no passado mes de Setembro. E' que antes estive 3 anos noutra comunidade e la' o habito era toma-lo de manha cedo, apos levantar-me; mas aqui como costumamos levantar muito cedo, so' o tomo a meio da manha, pois todos os minutos matinais sao preciosos e necessarios para dormir mais um pouquinho!!! Falando em dormir, despeco-me com mais uma foto encontrada na Net...

Bom, a razao pela qual escrevi tanto hoje deve-se ao facto de fazer um trabalho que me faz patrao e empregado ao mesmo tempo: dado que faco a revista,m entre outras actividades, posso dipor do tempo como bem entender. Assim, dado que o material do proximo numero esta' quase concluido, hoje e' um dia mais relaxado e, como tal, posso dispor de um pouco mais de tempo para me partilhar com voces.
Ficai bem, que o nosso Buddy vos abencoe e que possais gozar e disfrutar este dom imenso que e' a VIDA!!!
Anyong... (=Adeus)



Vamos ver o que isto da'


Ola, pessoal!
Sim, a exemplo de um colega meu, tambem ele missionario da Consolata, decidi aventurar-me nestas coisas de blogs e companhia. Hoje escrevo pouco, pois e' tarde aqui na Coreia e amanha tenho um missa cedo...
Antes de ir nanar, coloco uma foto das minhas preferidas. Nao, nao e' de minha autoria, mas as minhas irao ser colocadas em devida altura.
Bom, fico por aqui... curioso por saber como isto ira' sair.
Um abracao
Como dizemos por estas bandas, " jal isso' "
ou seja, "fiquem bem"!